sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Do financiamento público às campanhas

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Precisamos tirar a política da sombra corruptora do dinheiro.

Prof. Doutor Roberto Mangabeira Unger, ex- Secretário de Planejamento de Longo Prazo do Brasil, Livre Docente da Universidade de Harvard, ex-Professor do Senador Barack Obama. *
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Oportunistas possuem dois óbvios talentos complementares: aguardam a melhor oportunidade de dispor de seus planos, e os escusos são de exclusivo proveito pessoal.
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Se vasculharmos a História, encontraremos inúmeros episódios com esses caracteres; e dentre eles, geralmente o próprio causador se coloca como redentor. A estratégia fundamental dos metafísicos começa pela oposição dos valores:
"A dialética serve apenas para mudar de um sistema para outro." (QUILLET, P. : 46)
Esta artimanha consiste em pintar um futuro assombroso, para oferecer uma tábua supostamente salvadora.
Para haver religião, que é o ato de religar, mister demonstrar o desligamento. Eis a razão da estória da maçã.
Para sua presença ser aceita, e até solicitada, o Estado antes espalha o terror.
No fito de fiscalizar as contas públicas, introduziu-se os tribunais de contas. Só faz-de-conta.
HOBBES anunciava que o homem era lobo do homem. Então, entrou o lobão para acalmar a festa.
GETÚLIO queria tomar o poder na marra. O plano Cohen entrou em cartaz, tirando o sono da tonta população. Apresentou-se o causador, com o galardão de salvador.
Ao aumento das multas de trânsito, precede maciça divulgação de estatísticas sobre as mortes nas estradas. Para instituir um imposto sobre a saúde, passam nos hospitais e nas filas filmando os doentes de toda a espécie.
Assim, para combater o mal, sói assistirmos o pior - o bolchevismo acabou com a malvada família do Czar, e com milhões de burgueses. O fascismo e o nazismo foram aplaudidos, porque impediam a repetição do massacre soviético. Apoiamos as diretas já, porque cansados dos decretos da ditadura. Só tomamos Medidas Provisórias, todas definitivas, e no interesse exclusivo do "mediador".
O que vemos em Brasília é estarrecedor, mas a ninguém surpreende. Centenas de políticos são apanhados em flagrante suborno, crime previsto não em código eleitoral, mas penal; porém, tenta-se minimizar o fato com duas explicações que se pretende excludentes da tipificação:
1) Que os valores se referem a "contribuições de campanha", deploráveis, evidentemente, até porque nenhuma delas é declarada. Todavia, a existência desse Caixa 2, dessa sonegação explícita de um dinheiro que circula sem procedência, oficializa o enriquecimento ilícito! Tudo se faz amenizado, entretanto, pela "prática generalizada" - todos os partidos são sonegadores.
Não é verdade, ainda assim. Sonegadores são os integrantes dos partidos, especialmente suas cúpulas, que vem recebendo e gerenciando cifras inimagináveis, em troca dos favores que os cargos públicos permitem.
O grupo Camargo Corrêa, acusado de superfaturar mais de R$ 71 milhões em obras públicas e fazer doações ilegais a partidos políticos em todo o País, foi um dos principais financiadores da campanha de reeleição do presidente Lula, em 2006. Três empresas do grupo fizeram doações oficiais de mais de R$ 3,5 milhões ao Comitê Financeiro Nacional para Presidente da República do Partido dos Trabalhadores
www.claudiohumberto.com.br, 3/4/2009

As doações para a campanha eleitoral de 2002 revelam que os parlamentares responsáveis pela relatoria de projetos polêmicos na Câmara de Deputados receberam contribuições de setores e empresas beneficiadas pelos pareceres.
Folha de São Paulo, 31/1/2003
Essa é velha. Tvs ora escancaram os procedimentos, e justamente com essa C amargo Correia. Mas, dizia, em que pese vexatórios flagrantes e denúncias, tudo se faz aceito, porque todos os atores participam. Fosse por isso a polícia deveria imediatamente abandonar as favelas onde o tráfico de drogas está disseminado, mas não é este aspecto que tenciono focar.
2) O povo se vê ludibriado, então é o momento dos judiciosos brilharem. Não poucos voltam com a bandeira do financiamento público às campanhas, em especial os próprios futuros candidatos, claro, no que tem sido acompanhados pelos magistrados, sempre a postos a cooperar com os colegas.
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Pois tres questões emergem desse cinismo generalizado:
1) Concursos públicos existem aos milhares, e milhões de participantes. Por acaso há alguma verba que auxilie esses candidatos, ou, ao contrário, as instituições cobram, e muito, por cada inscrição? E o que difere esta prática dos concursos políticos, senão que nestes são admitidos apenas o número correspondente à quantidade de partidos, portanto numa condição par excellence privilegiada?
2) Não pode haver financiamento público porque não há dinheiro público! Todo o dinheiro é fruto do trabalho dos cidadãos - portanto é privado-, deixando de sê-lo apenas por uma espécie de apropriação indébita por parte do poder constituído, ainda que legitimado por lei que ele próprio, o poder constituído, institui para seu proveito. Dessarte, inverto, com total tranquilidade, a notável assertiva de PROUDHOM: o dinheiro público é roubado, porque à mão armada!
3) Como continuamos vivendo em uma sociedade capitalista, onde o dinheiro é a base da oxigenação social, evidentemente que não será nenhum financiamento extraído a manu militaire da produção que elidirá a ganância dos partícipes - empresas e candidatos - de modo que continuaremos vendo dólares e reais entrando e saindo por cuecas e meias, pelo Brasil afora, e desse modo propiciando o dobro do desfrute do dinheiro alheio.

Se não é lícito a compra de votos,
não pode haver dinheiro em circulação.


Quando um candidato contrata qualquer pessoa, ou empresa, para lhe servir na campanha, automaticamente não está também comprando seu voto?
Como fazer uma campanha política sem dinheiro?
Para divulgar os propósitos e plataformas dos candidatos, em nossa era temos à disposição, além dos velhos rádios e jornais, a TV, principalmente a Internet.
Dir-se-á: a maioria não dispõe de Internet! Como conhecer o candidato?
Não há possibilidade dele visitar nem 10% dos eleitores - somos mais de cem milhões, espalhados em nem sei-lá quantos mis km. Nem em eleições estaduais isso é possível. Aliás, tampouco necessário. E santinhos, e matérias pagas, cartazes, etc., isso é do tempo do onça. Por fim, os partidários, que teoricamente estão espalhados em todo o país, que tratem de arregimentar contingentesm incitando à participação popular, em exercício de marketing de rede, assim se adequando à modernidade. Isso não acarreta o menor custo, além do tempo disposto.
Para tudo isso, não é necessária nenhuma arrecadação de dinheiro, mas de votos, que são gratuitos. Então, aproveitando a oração do nobre professor MANGABEIRA UNGER, devemos proceder ao contrário, como gostam os dialéticos:
Precisamos tirar nosso dinheiro da sombra corrupta dos políticos!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

A Captura do Estado Italiano


Uma ilusão geral constitui uma força social, que serve potentemente para cimentar a unidade e a organização política de um povo, como de uma inteira civilização.
MOSCA, Gaetano, Scritti politici (Teorica dei governi-elementi di scienza política) vol.II: 633
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...Tem-se a impressão de que, na linguagem cotidiana do marxismo,
o termo 'dialética' apresenta uma fluidez excessiva, escondendo em
suas dobras significados variados, dificilmente articuláveis entre si,
e que são, de resto,a maior fonte de confusão e polêmicas inúteis.

BOBBIO, N., Ensaios sobre Gramsci e o conceito de sociedade civil: 27.
MARX convocara os operários do mundo. "Unidos, jamais seriam vencidos"; só convencidos. . Como proceder tão gigantesco intento o barbudo não mencionou claramente, mas a condenação da burguesia logrou motivar ódios recíprocos.
"Marx explica que a força revolucionária do operário nas sociedades burguesas 'nasce da contradição entre sua natureza humana e sua existência vital que é a negação manifesta, decisiva e total dessa natureza'.” (SARTRE, Jean-Paul, O Fantasma de Stálin: 32)
O jogo de forças concebido nesse universo todo dialético constituiu convincente apelo, oportunidade jamais tão latente para que gangsters, fantasiados de heróicos príncipes, tentassem a ascenção ao poder. Legitimaria a sordidez e a violência de comunistas internacionalistas, sociais-nacionalistas e, em seguida, declarados fascistas, nazistas e simpatizantes.
O Marxismo introduziu dois axiomas: o de que a sociedade está dividida em classes cujos interesses estão em eterno conflito; e o de que os interesses do proletariado - só realizáveis através das lutas de classes -exigem a nacionalização dos meios de produção, de acordo com seus próprios interesses e em oposição aos interesses das outras classes.
MISES, Ludwig von,
Uma Crítica ao Intervencionismo: 139.
A rica França, a tonta Alemanha, a hibernada Rússia, a folclórica Itália, los valientes espanholes, outros europeus, africanos, muitos asiáticos e TODOS os povos latinos foram aquinhoados, desde então, com inúmeras perturbações, corrupção desenfreada, guerras civis e internacionais, ditaduras e constituições de toda índole.
A idéia fundamental desses movimentos (os quais, com base no nome mais grandioso e ferrenhamente disciplinado deles, o italiano, podem ser designados, em geral, como fascistas) consiste na proposta de fazer uso dos mesmos métodos inescrupulosos na luta contra a Terceira Internacional exatamente como esta faz contra seus oponentes.
BOBBIO, N., Ensaios sobre Gramsci e o conceito de sociedade civil, p. 27.
Se o futuro parecia assombroso, e a U.R.S.S recém lhe anunciara, muito pior se tornaria pelo convencimento da negritude pintada em cem mil exemplares vendidos:
O Declínio do Ocidente (1918) de Spengler, que pretendia reconhecer a ascendência morfológica da vida sobre a razão e do dinheiro e da máquina sobre a cultura e o indivíduo, atraiu intelectuais revoltados com os Estados Unidos por ser uma 'civilização comercial' puritana. Nos anos trinta, o texto de Spengler foi escolhido como um dos dez 'livros que mudaram nossa mente'.
DIGGINS, J.P.:42
O darkside aparecera pela cartilha daquele contemporâneo capaz de inspirar marxistas e fascistas.
"Temos o direito de esperar que uma revolução socialista levada a cabo por sindicalistas puros não seria maculada pelas abominações que mancharam as revoluções burguesas.” (SOREL, G, Greve Geral Política: 195)
GEORGES SOREL era “filósofo da técnica e um engenheiro moralista e pessimista” (Reflexões Sobre a Violência, Carta a Daniel Halevyin, Introdução).
“Filósofo da técnica" é ótimo - tão esclarecedor quanto uma noite de sol nas geleiras dos trópicos.
Georges Eugène Sorel (2 de novembro de 184729 de agosto de 1922) engenheiro formado pela École Polytechnique e teórico do sindicalismo revolucionário, muito popular na França, na Itália e nos Estados Unidos, teve suas idéias aceitas tanto pelo fascismo italiano (Benito Mussolini) quanto pelos comunistas deste país (Antonio Gramsci)
Wikipédia
Embora até certo ponto sonegado, com poucas citações, SOREL foi fundamental ao descalabro:
"Este teórico político, pelos seus artigos e pelos seus livros, publicados antes da primeira guerra mundial, exerceu uma influência perturbante tanto sobre os socialistas como sobre os nacionalistas." (WEISSMANN, Karlheinz ,www.causanacional.net)
Georges Sorel, o pai espiritual comum do fascismo e do bolchevismo, o ideólogo da violência, seja um homem profundamente pequeno-burguês, representante típico das classes médias francesas, preocupado com a decadência das 'autoridades sociais', que ele concebeu fielmente no espírito conservador de Le Play; preocupado, enfim, com a decadência vital da raça latina, pela qual ele responsabiliza violentamente a Inteligência; ao espírito ele prefere a vitalização pelos instintos bárbaros da massa.
CARPEAUX, Otto Maria, www.icones.com.br
VON MISES (A Mentalidade Anticapitalista:102) testemunhou, e lamentou:
A ideologia mais perniciosa dos últimos sessenta anos foi o sindicalismo de George Sorel e seu entusiasmo pela action directè. Gerada por um frustrado intelectual francês, logo cativou os literatos de todos os países europeus. Foi fator de grande importância na radicalização de todos os movimentos subversivos. Influenciou o monarquismo francês, o militarismo e o anti-semitismo. Desempenhou um papel importante na evolução do bolchevismo russo, do fascismo italiano, bem como no movimento alemão de jovens que finalmente resultou no nazismo. Seu principal slogan era: violência e mais violência. O atual estado de coisas na Europa é em grande parte resultado da influência de Sorel.
EMMA GOLDMANN (My Further Disillusionmet with Russia, 1924, cit. WODDCOCK:140) alertou para o desvirtuamento:
Os métodos revolucionários devem estar em harmonia com os fins revolucionários.
Os meios utilizados para promover a revolução devem estar em harmonia com seus propósitos. Em resumo, é preciso que os valores éticos que a revolução pretende estabelecer na nova sociedade sejam aplicados desde o início das atividades revolucionárias do assim chamado 'período de transição', pois eles só poderão servir como uma verdadeira e segura ponte para a nova vida se forem construídos com os mesmo materiais da vida que se quer alcançar. A revolução é o espelho dos dias futuros.
Tarde demais. Com a derrota na I Guerra, o ex-Jardim do Império vinha novamente dividido. O governo parlamentar se apresentava corrupto ou/e temperado com ignorância. A monarquia não era honrada. A Igreja separada do Estado desde 1871, ansiava por uma oportunidade de retorno ao poder, preocupação constante dos discursos dominicais.
"Para os católicos, o trabalho é uma sentença condenatória, como reafirma a Rerum Novarum, em 1891.” ( DE MASI, D.: 47)
No afã de reestabelecer o prestígio junto ao "eleitorado", LEÃO XIII promulgou a Rerum Novarum, nada mais nada menos do que uma ponte fascista.
GAETAN PIROU (Introduction a l'etude de Economie Politique, Paris, : 280, cit. HUGON, P., História das Idéias Econômicas: 352) tentou explicar:
“O catolicismo considera a corporação um meio de assegurar a ordem sem matar a liberdade, escapando, a um tempo, da anarquia liberal e da coerção socialista”.
Os serviços públicos se deterioravam. As atrocidades russas chegavam estampadas pelos periódicos, e a vizinha Alemanha desmonstrava ao mundo como a bestialidade poderia se propagar. A sobrevivência da Bandeira e da família de cada um dependia do arrojo e determinação de governantes e aquiescência de governados, eis o grande desafio. O que veio depois da Revolução Francesa, como forma moderada de instauração do Estado moderno, só provocara decepção. Os sindicatos se fortaleciam, e começavam a provocar os conflitos sociais-trabalhistas planejados por SOREL.
No desdobramento o DUCE adotaria a estupidez soreliana, mas antes, os camisas-negras precisavam acenar com um proselitismo mais convincente, e surpreendente, no fito de não provocar a imediata reação do tradicional reduto. ANTONIO GRAMSCI apresentava uma solução confusa, por isso mais palatável, pelo menos no início:
Podem-se encontrar – nas páginas de Gramsci – os diversos significados que o termo ‘dialética’: assumiu na linguagem marxista. Podem-se distinguir, pelo menos, dois significados fundamentais: o significado de ‘ação recíproca’ e o de ‘processo por tese, antítese e síntese’. O primeiro significado aparece quando quando o adjetivo ‘dialético’ vem unido à ‘relação’, ‘conexão’, talvez mesmo ‘unidade’. O segundo, quando vem unido a ‘movimento’, ‘processo’, ‘desenvolvimento’.
BOBBIO, N.: 31.

O mero pequeno agricultor da ainda menor Sardenha ganhara uma bolsa para estudar literatura em Turim, o centro industrial que já concentrava as primeiras montadoras italianas. (En passant: não vá traçar a semelhança com São Bernardo do Campo...)
O literato vinha para tocar lenha na caldeira do trem dos infortúnios:
A Revolução Francesa abateu muitos privilégios, despertou muitos oprimidos; não fez mais, porém, do que substituir uma classe por outra no domínio. Deixou, contudo, uma grande lição: que os privilégios sociais, sendo produto da sociedade e não da natureza, podem ser superados. A humanidade necessita de um outro banho de sangue para cancelar muitas dessas injustiças.
GRAMSCI, Antônio, cit. COUTINHO, C. N., Gramsci - Um Estudo sobre Seu Pensamento Político: 1.
GRAMSCI (Maquiavel, a Política e o Estado Moderno:52) lera VICO, MOSCA e CROCE, além de MAQUIAVEL e MARX, para retratar o ainda recente dilema italiano. Debitou o insucesso a falta do legítimo condutor:
“No Risorgimento italiano pode-se notar a ausência desastrosa de uma direção político-militar.”
GRAMSCI queria um NAPOLEÃO à la italiana. MUSSOLINI não apresentaria a mesma destreza, mas isso não era o mais importante.
“O Príncipe moderno, o Príncipe mito, não pode ser uma pessoa real, um indivíduo concreto - ele só pode ser uma organização.” ( GRAMSCI, A., cit. JOHNSON, P.: 78)
No Congresso de Reggio Emilia (1912), o Partido Socialista Italiano conquistou o poder em "virtude" de ser "marxista, perfeito, internacionalista e inflexível.” (NOLTE, Ernst, Three Faces of Fascism, p. 155; cit. JOHNSON, P.: 45)
Pela década os fascios foram se organizando, de modo a suplantar as divididas esquerdas. MÁRIO GRAMSCI, irmão de ANTONIO, não titubeou em se integrar no estupendo movimento, e assim surgiu gajo invocado, o carma reincorporado, o osso duro, a carga pesada que o pacato e alegre povo italiano haveria de suportar por mais de vinte anos
“Mussolini aparece no partido socialista como um verdadeiro chefe. Se tivesse prosseguido, nada o teria diferenciado de um comunista vermelho.” (FARIA, Octávio, Machiavel e o Brasil: 99)
ZINOVIEV, presidente da IC, chegou a definir a social-democracia como a “ala esquerda do fascismo”. O próprio Stálin chegou a afirmar: “a social-democracia é objetivamente a ala moderada do fascismo”.... O fascismo e a social-democrata são, não inimigos, mas gêmeos”.
Dez meses antes da Marcha sobre Roma, GRAMSCI perdia as esperanças:
“Também no Partido Fascista existem sintomas evidentes da podridão social-democrata.” (COUTINHO, Carlos Nelson, Gramsci, Um Estudo sobre seu Pensamento Político: 29)*
Ao assumir o timão, o impostor tirou a máscara e operou espetacular guinada. Como no judô, aproveitou o embalo marxista para, no meio da marcha, desvirtuá-lo ao fanatismo nacionalista, golpe visivelmente maquiavélico.
O modus operandi recomendado à milícia, a reação desses por isso apelidados “reacionários”, justificava-se pela voz do mesmo ZINOVIEV (cit. POULANTZAS, Nicos, Fascismo e Ditadura, p. 53., discursando neste 4.Congresso:
“O fascismo é um golpe de Estado contra-revolucionário.”
O 5. Congresso completou o veredito:
“O fascismo é uma das formas clássicas da contra-revolução na época da decadência do sistema capitalista, na época da revolução proletária”.
Em fins de 1924, ele declararou a plena ditadura fascista. Os trens partiriam no horário, muitos com destino ao além.
O veneno extraído na efêmera passagem pelo campo vermelho era efetivo contra os males da cobra:

“Contra a revolução comunista que um acaso apenas fizera falhar na sua primeira tentativa de tomar o poder a Itália de Mussolini ensinou que só havia um remédio: a revolução fascista."
BOBBIO explica:
A 'catástrofe' Revolução de Outubro (evento produzido por uma vontade coletiva consciente) não pode ser remediada senão com a 'catástrofe' contra-revolucionária (não por acaso os pródomos do fascismo na Itália são as 'squadre d´azione': comunismo e fascismo se convertem um no outro.
Na Marcha sobre Roma, fulgurou a gratidão do Duce:
“É a Sorel que mais devo. O fascismo será soreliano”. (MUSSOLINI, B., cit. CHEVALLIER: 359)
Ao “traidor” GRAMSCI, o duro destino: a mudez quase absoluta. O "programa" jogou-lhe ao calabouço, onde foram confecionadas as estéreis Memórias de Cárcere, e por fim, a prematura morte, por inanição e múltiplas doenças.
Il corporativismo supera il socialismo e supera il liberalismo: crea una nueva sintesi.”
Presenciaram seus atos fúnebres apenas duas pessoas: o irmão Carlo, e a cunhada Tatiana, devidamente vigiados pelos olheiros fascistas.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Streap-tease do temido Temer

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Partido político não é seminário. Aqui dentro [no Congresso] não há seminaristas.

Sen a dor Walter Pereira, PMDB-MS, 3/3/2009

Só um homem bastante tolo pode honestamente compartilhar os prejuízos impostos a mais da metade da nação. Portanto, qualquer homem capaz e com talento político deve ser hipócrita para obter sucesso na política; mas ao longo do tempo a hipocrisia detruirá seu espírito público.
RUSSELL, B., Ensaios céticos: 135


O nome do deputado Michel Temer (SP), presidente da Câmara
e do PMDB, aparece no arquivo secreto da Construtora Camargo
Corrêa. Na contabilidade da empreiteira, todos que receberam
dinheiro são classificados como "clientes".
Os pagamentos foram
efetuados em dólares.
O total de pagamentos da Camargo Corrêa
alcança R$ 382,6 milhões entre 1995, 1996, 1997 e 1998. Em
95, foram liberados R$ 42, 3 milhões, atualizados; 96,
R$ 111,5 milhões; 97, R$ 86,2 milhões; 98, R$ 142,4 milhões.

Estadão
, 2/12/2009
Nesta época, governava o país o professor CARDOSO, não o astrólogo OMAR, claro, mas o CARDOSO que logrou mudar a Constituição em seu próprio benefício, legitimando a reeleição.
E dê-lhe mensalão!
CBN - Lucia Hippolito
A Folha de São Paul0 teve acesso ao vídeo no qual Collaço fala sobre uma suposta propina paga a caciques peemedebistas na Câmara: o presidente da Casa, Michel Temer (SP), o líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), e os deputados federais Eduardo Cunha (RJ) e Tadeu Filippelli (DF). Esse é o grupo que chancelou a permanência de Filippelli no comando do PMDB-DF, forçando a saída de Joaquim Roriz do partido em setembro. Roriz foi rifado com a aliança dos peemedebistas com o governador José Roberto Arruda (DEM). O democrata o acusa de estar por trás das denúncias. Na gravação, Barbosa diz que Arruda "dava 1 milhão por mês para Filippelli". Collaço fala em outro valor e detalha a suposta partilha: "É 800 pau [sic]. Quinhentos pro Filippelli, 100 para o Michel, 100 para Eduardo, 100 para Henrique Alves".
A procuradora Karen Louise Jeanette Kahn diz que a Camargo Corrêa pagou cerca de R$ 4 milhões em propina para conseguir vencer duas licitações e para mudar a legislação sobre uma área no município de Caieiras, na Grande São Paulo, no qual a construtora fez um empreendimento imobiliário.
Folha, 2/12/2009
O senador Pedro Simon (PMDB-RS) disse que o partido olha para a sucessão presidencial de 2010 com visão de negócios. Para ele, a legenda vai optar por quem 'pagar mais' em troca do apoio, seja Dilma Rousseff (PT) ou José Serra (PSDB). O PMDB fez de tudo para agradar o Fernando Henrique e conseguiu ‘carguinhos’. Agora faz a mesma coisa com Lula.
blog do Josias.
É admirável um sujeito da mais alta envergadura, elevado a professor de Direito, autor de várias obras, protagonizar um papel de segunda categoria, servil, ou pior, sem o sufixo - mais vil impossível. De que lhe adianta conhecer a ciência, desprovido da menor consciência?

Sempre desconfiei da sua dubiedade, mas nunca me dispus a percorrer sua trilha, em busca dos indícios. Para mim seria apenas uma questão de tempo vê-lo despido de suas roupinhas bem engomadas. .Os livros que leu, conheço-os todos, em especial o predileto: Il Principe, de MAQUIAVEL. Mas fui além desse manual dos napoleões, no fito de comprovar minha desconfiança. Não encontrei nenhum ator da peça tão magistralmente construída que obtivesse um fim já não digo glorioso, mas pelo menos sem sofrimento. Cogitei do insólito, e a História me ampara fartamente. Porque a subida ao poder sobre um povo sempre ingênuo e não poucas vezes atônito, ignorante, através da cartilha se faz bastante trivial, e rápido, e o deleite dos palácios por demais prazeroso, jamais supõe o incauto que o diretor florentino tenha costurado a peça sem margem a variação: ela reserva um final melancólico, de preferência trágico, ao seu astro principal, justamente para o deleite da platéia, a que lhe garante a bilheteria já por cinco séculos de sucesso!
Sua atuação na Constituição Cidadã, na verdade vilã, primou pelo molde renascentista, junto á bela parceria dos estelionatários do plano cruzado. Desde esta época faz excelente composição com os cabras-da-peste que capturaram o Senado. O que vemos, ou o que temos, para rimar, é o quadro mais funesto que se poderia esperar.
Líder do PMDB/AL no Senado, Renan Calheiros garante a eleição do senador Fernando Collor (PTB-AL, ex-presidente da República que sofreu processo de impeachment em 1992), na presidência da comissão de Infraestrutura da Casa.
Diante das denúncias hoje veiculadas, dei-me o trabalho de investigar sua formação, e pela mão de quem este atual Presidente da Câmara dos De puta dos ingressou na política. Surpreendi-me.

Sabia de seus dotes na área jurídica, mas quando acompanhei suas torpes manobras na Constituinte, e quando vejo o desempenho do colega que comanda o Judiciário, se tinha dúvidas hoje tenho certeza do pouco valor desta disciplina. De maneira que, pelo lado acadêmico, o artista jamais me sensibilizou. Suas feições e postura, sim, me impressionam, pela semelhança à terrivel
figura de ROBESPIERRE.

S
São notáveis as
semelhanças com O Incorruptível.
O francês era formado em Direito.
Escreveu sobre temas de política e da cátedra.
Recebeu prêmios por alguns deles.
O mais celebrado: Le Défenseur de la Constituition. A dedicação aos estudos lhe valeu o prêmio de melhor aluno, e recebeu os cumprimentos do rei Luis XVI e da rainha Maria Antonieta, os inditosos que, dezoito anos mais tarde, seriam decapitados pela Revolução.
Antes deste trágico desfecho, o incorruptível foi eleito deputado, e líder dos jacobinos, para iniciar o período do Terror.
Ao cabo, ele próprio subiu ao palco da guilhotina, vítima da peça que tanto venerou, assim consagrando o Epílogo preferido do Diretor MAQUIAVEL.

Michel Miguel Elias Temer Lulia nasceu em Tietê (SP), no dia 23 de setembro de 1940. Sua família imigrou de Betabura, na região de El Koura, Norte do Líbano, em 1925. Doutorou-se pela PUC/SP.; dirigiu o curso de pós-graduação da Faculdade de Direito da PUC-SP, deu aulas na Faculdade de Direito de Itu e, hoje, é considerado um dos maiores constitucionalistas do País.
Iniciou a carreira política como oficial de gabinete de seu ex-professor Ataliba Nogueira, secretário de Educação de Adhemar de Barros. Michel Temer foi procurador-geral do Estado em 1983 e deixou o cargo para ser secretário de Segurança Pública de São Paulo. Fez gestão marcante e voltou a ocupar o mesmo cargo no início dos anos 90. Confidenciou ao então governador Franco Montoro um grande sonho: participar da Assembléia Nacional Constituinte, em 1986. Montoro incentivou-o a ir em frente.
www2.camara.gov.br/presidencia/biografia
O doutor entrou na política compondo o staff do famoso ADEMAR DE BARROS!!! E apresentado pelo "ultracristão" MONTORO, este também responsável por oferecer o cargo de suplente de Senador ao introdutor do mensalão, o socio logo FHC, para depois, renunciando, permitir a a cadeira ao maior mestre da corrupção?
Agora sim, tudo se faz perfeitamente compreensível:
D topo à base, todos aceitam propinas. Para ilustrar melhor o grau de corrupção, posso mencionar o fato de um homem, Adhemar de Barros, além de pobre e muito endividado, ao se tornar governador de São Paulo conseguir, em cinco anos, ser o mais rico da América do Sul. Poucas pessoas reagem com indignação contra esse fato. Notei que quando as pessoas se manifestam a respeito é para usar o 'slogan' de que ele 'rouba mas faz'. Isso o diferencia de outros políticos que também roubam, mas nada fazem.
BOHM, David*
A constatação é dura, já por demais conhecida, mas necessário enfatizar, no fito de acordar o gigante do berço esplêndido. Estamos submetidos à plêiade da pior qualidade e caráter:
Nenhuma gota d'água passa pelo esgoto sem se tornar poluída.
Deputado Federal Roberto Jefferson, Presidente do PTB)
Já critiquei a degradação pública à qual está submetido o sistema político brasileiro, alertando para a desqualificação moral dos partidos políticos. A verdade é sempre inconveniente para quem vive da mentira, da farsa e é beneficiário dessa realidade perversa, um quadro aterrador que até agora vinha sendo encoberto pelos bons resultados da economia. O exercício da politica não comporta espectadores. Quem não faz politica verá outros fazê-la em seu lugar, para o bem ou para o mal. A população que paga seus impostos não compreende o porquê da disputa ferrenha entre grupos partidários, sempre envolvendo empresas de orçamentos bilionários. O exercício da política não pode ser transformado em um balcão de negócios. O que se vê hoje no nosso país é um sentimento de descrença, com a impunidade corroendo as bases da democracia. o exercício da política não pode ser transformado em um balcão de negócios. O Parlamento não pode continuar sendo um mero atravessador de verbas públicas, com emendas liberadas às vésperas das votações que interessam ao governo. As distorções começam na elaboração do Orçamento, permanecem na sua aprovação e atingem o auge na hora da liberação dos recursos e quando o dinheiro, que deveria ir para obras prioritárias nos municípios, escorre pelos esgotos da corrupção e dos desvios, muitas vezes com a participação dos ordenadores de despesas do Poder Executivo, indicados pelos partidos políticos.
Senador Jarbas Vasconcelos, em pronunciamento de 3/3/2009

A foto do dia, na capital paulista


O resultado se vê nas ruas:
A sensação que tenho é de que a violência vai crescendo como uma doença letal, uma verdadeira epidemia, que vai contaminando todos, aos poucos. As notícias de crime chegam diariamente, sem dó nem piedade. E, se a gente descuida, vira tudo número, estatística.
BARROS, Jorge Antônio, em 4/3/2009
http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/reporterdecrime/#16533

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Folha, 2/12/2009
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* Cit. Freire Jr, Olival, Bohm, Einstein e a Ciência no Brasil, Revista Ciência Hoje, v. 15, n. 90:44/47; também em Moreira, Ildeu de Castro e Videira, Antonio Augusto Passos Organizadores, Einstein e o Brasil: 267.
Grande amigo de Einstein, David Bohm foi um dos baluartes da Teoria Quântica. Nasceu na Pensilvânia de 1917, para falecer recentemente, em 1992. Esteve no Brasil, para trabalhar na USP, entre 52 e 54, aqui presenciando o “festival da maracutaia” e desrespeito à ciência. Decepcionado, enviou esta carta à sua comunidade, uma beleza para compor nos
so conceito no exterior.



A Captura do Estado Alemão

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Se Stálin roubou um banco, não o fez para encher de dinheiro seus próprios bolsos, mas para ajudar seu Partido e movimento. O senhor não pode considerar isso um roubo de banco.

HITLER, Adolf, Documentos da polícia alemã; cit. TOLAND, J.,: 657

MARX convocou todos os operários do mundo para provocar o colapso capitalista. "Unidos, jamais seriam vencidos"; só convencidos. .
Como proceder tão gigantesco projeto o barbudo não logrou bem formular, mas a condenação da burguesia, de modo explícito, logrou motivar ódios recíprocos.
O jogo de forças concebido nesse universo todo dialético constituiu convincente apelo, oportunidade jamais tão latente para que gangsters, fantasiados de heróicos príncipes, tentassem a ascenção ao poder. Legitimaria a sordidez e a violência de comunistas internacionalistas, sociais-nacionalistas e, em seguida, declarados fascistas, nazistas e simpatizantes.
O Marxismo introduziu dois axiomas: o de que a sociedade está dividida em classes cujos interesses estão em eterno conflito; e o de que os interesses do proletariado - só realizáveis através das lutas de classes -exigem a nacionalização dos meios de produção, de acordo com seus próprios interesses e em oposição aos interesses das outras classes.
MISES, Ludwig von,
Uma Crítica ao Intervencionismo: 139.
BisMarx tomou a dianteira na terra de MARX. Espertamente o filantropo ofereceu à classe reivindicante a primeira série de concessão de pequenas benesses. Depois mandou os proletários aos campos talados de minas e canhões, para diminuir a despesa:
“Na Alemanha o socialismo está impregnado do mesmo espírito despótico. O militarismo prussiano é o irmão inimigo do marxismo”. (SEIPPEL, P., cit. SOREL, G., Reflexões sobre a Violência, apêndice III: 314)
Depois de apanhar dessa Prússia, o marxista GEORGE SOREL sugeriu que a França poderia ser submetida pelos seus operários, desde que ordenados tal qual o Império Romano - uma arquitetura de ataque dividida em falanges, e assim os sindicatos foram paulatinamente engrossados.
ROSA DE LUXEMBURGO (Ao Conselho Nacional do Partido dos Trabalhadores Francês, 1901) tratava da mobilização:
A França hoje é o campo experimental dos assim chamados 'métodos práticos' do socialismo, que propõem, não destruir a sociedade capitalista, mas infiltrá-la, fundir-se com ela em uma mistura composta. Camaradas, vocês estão lutando hoje um combate difícil; vocês estão nos postos mais expostos na defesa das várias bases da emancipação proletária: a luta de classes. É em nome, no interesse de todos – da democracia socialista internacional – que vocês defendem o futuro do socialismo na França.
Os grandiosos Jogos Olímpicos já tinham demonstrado as vantagens da paz, carreando a fraternidade e a prosperidade ao francês do XX recém nascido.
LENIN teve a chance de usar direto o esquálido exército arregimentado e refugado da I Grande Guerra, suficiente para surpreender os espraiados e desarmados agricultores russos. A Bolchevique foi uma ópera de sangue, por isso tão fácil quanto covarde, e alarmou o mundo inteiro. O preço do cumprimento da prediçaõ marxista fora longe demais. Não obstante, os operários ficariam a ver navios, enquanto a Nomenklatura se instalava nos cômodos palacianos.
Para evitar o descalabro, Prussianismo e Socialismo (1919), de SPENGLER (cit. RICHARD, L.: 248), recomendou aos alemães uma organização mais rigorosa, porém ainda capitalista. Tal qual a formulação de MAX WEBER, o projeto somente seria realízável sob a égide de um senhor. Ainda deveria caber à Alemanha salvar o ocidente, desde que eliminasse a luta de classes.
“Difundiu-se rapidamente a lenda de que a nação havia sido 'apunhalada pelas costas' pelos socialistas e judeus do governo.” (BURNS Edward McNall, LERNER Robert E. e STANDISH, Meacham: 702)
Não era lenda. L. TROTSKI participou do levante, para o protesto de WEBER (cit. DIGGINS, J.: 271):
“Com a típica vaidade de um literato russo, ele queria mais e esperava, por meio de uma guerra de palavras e do mau uso de certas palavras como 'paz' e 'autodeterminação', desencadear a guerra civil na Alemanha. “
Assim é que os operários foram batendo as cabeças, ora à esquerda, pra à direita, mas sempre conduzidos pelos bretes, e constantemente ludibriados com novidades.
Apesar do auxílio soviético, a rebelião foi esmagada. A agitadora internacional. ROSA DE LUXEMBURGO e o camarada KARL LIEBKNECHT ali mesmo tombaram. Tiveram o pouco de suas vidas jogadas em vão.
O ambiente se adequava à demência de ambos os lados, confirmando os prenúncios de SEIPPEL e SPENGLER. Mister a presença do pai, o paladino, o herói, o exemplo do super-homem esperado:
Ao se dedicar a um estudo do mundo contemporâneo, Weber concluiu ser inevitável que as sociedades caissem, cada vez mais, sob a influência de burocracias crescentes e potencialmente totalitárias. Reconhecendo o grau em que isso poderia ameacar a liberdade humana, Weber postulou a idéia da liderança 'carismática' como meio de fugir a mortífera tirania do controle estatal. O próprio Weber admitia os perigos, assim como as vantagens da autoridade carismática, perigos estes que as carreiras de Hitler e Mussolini logo tornariam gritantes.
BURNS Edward McNall, LERNER Robert E. e STANDISH, Meacham: 710
Na cervejaria de Munique, então, sentaria esse senhor reivindicado, liderando uma mesa com sete serviçais, a fundar a obra requerida por HEGEL, FICHTE, WEBER, e de certo modo até SPENGLER. O Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães nascia com o nome sugerido, e já com chefe: o prático e carismático cabo ADOLF.
SCHAWRTZENBERG (Roger-Gérard, Sociologia Política: 290) relata o modo de impregnação do engodo:
A classe capitalista alemã aceitou, sem reticências, esta ideologia racista, como 'guarda-fogo' ao socialismo, como diversão hábil: as infelicidades da Alemanha derivavam, não dos erros de seus dirigentes, mas desse cômodo 'bode expiatório'. Iludindo assim o proletariado alemão, trocando a luta de classes pela luta das 'raças' (isto é, uma realidade concreta por um mito) as classes dirigentes alemãs adquiriam um seguro formidável contra a revolução socialista.
Enquanto naquela estação o botequeiro rabiscava o projeto do trem que iria transportar a explosiva carga nazista, numa plataforma abaixo dos Alpes a loco motiva já tinha sido ligada pelo pioneiro néscio defensor da “pátria, da família e da tradição”, paradoxalmente segundo as adequadas e oportunas plantas marxistas de GRAMSCI e SOREL, a cujo êxito contribuiu seu próprio coração, localizado na Praça de S. Pedro. É o que veremos, na próxima atração..

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O engodo das eleições brasileiras

O homem bom também quer ser verdadeiro
e crê na verdade de todas as coisas.
Não só da sociedade, mas também do mundo...
De fato, por que razão o mundo deveria enganá-lo?
NIETZSCHE, F., O livro do filósofo: 55
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Quando o PT assumiu o poder, seguiu ao pé da letra a
receita de FHC - tanto nos acordos fisiológicos inevitáveis,
quanto na tentativa de cooptação desses grupos barras-pesadas.

A história ainda cobrará caro de FHC por ter institucionalizado o crime organizado no centro do jogo político brasileiro.

NASSIF, Luís, O sistema político brasileiro e o crime organizado. www.adital.com.br, 24/3/2009
"Depois de 20 anos, com Lula na Presidência os três arqui-inimigos políticos transformaram-se em aliados em torno da base do governo petista, o que surpreendeu até os governistas." (O Globo, 15/11/2009)
Afinal, o que não aprende o homem, quando o elefante,
submetido a treinamento, vira acrobata, o urso fica
saltador e o asno dá-se em espetáculo?

ERASMO DE ROTERDÃ, De pueris: 53
O gigante ora encolhe, dormindo no berço esplêndido.
O cartaz confirma integralmente a inobservãncia da democracia.
Isso é preocupante porque pode afetar a legitimidade do sistema político, (despertar) a dúvida do cidadão em relação à seriedade do processo democrático.
MENDES, G., presidente do Supremo Tribunal Federal, O Globo, 4/12/2009
Simplesmente o "processo democrático" não existe mais, se é que por algum lapso tenha ensaiado.
"O PT fará uma grande festa de fim de ano na terça-feira, em Brasília, na qual vai homenagear todos os ex-presidentes do partido, mesmo os que são réus no processo do mensalão petista, como o ex-ministro José Dirceu e o deputado José Genoino."(Estadão, 4/12/2009)
O poder de Estado, que parecia planar bem acima da sociedade, era todavia, ele próprio, o maior escândalo desta sociedade e, ao mesmo tempo, o foco de todas as corrupções.
Comuna de Paris, 1871
O Judiciário se arvora em alertar a população sobre a importância do sufrágio, e recomenda consciência à prerrogativa. A instituição naturalmente rechaça o comércio do voto. Diz-se "fiscal da lisura do pleito", "que as eletrônicas não permitem manipulações", e blá, blá, blá. Ao cabo enfatiza a responsabilidade do povo pelo governo que consagra.
Maior hipocrisia é difícil; porém, ainda mais chocante é constatar essas pessoas da mais alta formação acadêmica se prestarem a papéis de coadjuvantes criminais.
Gravações divulgadas inicialmente pela revista Veja, e depois integralmente pela Folha, após a privatização do Sistema Telebrás, vendido por R$ 22,058 bilhões, revelaram que, com o conhecimento do então presidente Fernando Henrique Cardoso, Mendonça de Barros, Lara Resende, Pio Borges, além de Jair Bilachi (ex-presidente da Previ, o fundo de pensão do Banco do Brasil) e Pérsio Arida (ex-sócio do Opportunity) se articularam para tentar garantir que o Opportunity, que comandava a Telemar, disputasse a compra da Tele Norte Leste. Depois de dez anos arquivado, o processo se encerrou com simples absolvição.
Folha, 13/3/2009
Em conversa com Barbosa, Geraldo Maciel comentou ainda a reação dos magistrados a uma inspeção do CNJ . "Tá todo mundo com rabo preso, rabo entre as pernas", disse. "Foi um negócio violento."
Estadão, 2/12/2009

Há no mínimo um trio de desembargadores - veja só! - na lista de beneficados com o mensalão.
Arruda comenta com Barbosa pressão sobre o TJ em relação a um processo de interesse do governo. Um desembargador chamado "Romeu", segundo o governador, teria se "comprometido com o mérito". No tribunal, há apenas um desembargador com esse nome: Romeu Gonzaga Neiva. "O que que eu olhando de fora aconselho. Primeiro, o dinheiro que a gente busque, seja lá quem for, dois milhões, chega pra mesma fonte e de ó... em cima. Tá tudo certo e vai ter os outros dois. Nós queremos ganhar o conteúdo", disse o governador.
Idem
O Tribunal faz mal:
Na condição de único governador do partido, Arruda também passou a abrigar em sua equipe várias nomes de projeção nacional do DEM, como o ex-ministro de Minas e Energia José Jorge, que foi presidente da Ceb (Companhia Energética de Brasília) até ser nomeado para uma vaga de ministro no Tribunal de Contas da União.
(O Globo, 2/12/2009)
A mais alta corte se exime de sentença cautelar, em nome de um conveniente formalismo jurídico.
Trata-se de um caso gravíssimo, em que se exige reflexão e ação imediata de todos os setores responsáveis. Mas o Judiciário tem feito sua parte. O STF e o STJ (Superior Tribunal de Justiça) podem dar celeridade aos processos com a convocação de juízes para atuarem como juízes instrutores, por exemplo. Não se trata de algo incólume. O processo segue o rito normal.
GILMAR MENDES, Presidente do Sipremo Tribunal Federal. Estadão, 1/12/2009
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Quando na mesma pessoa, ou no mesmo corpo de magistrados, o poder legislativo se junta ao executivo, desaparece a liberdade; pode-se temer que o monarca ou o senado promulguem leis tirânicas, para aplicá-las tiranicamente. Não há liberdade se o poder judiciário não está separado do legislativo e do executivo.
MONTESQUIEU, Do Espírito das Leis, Livro XIX.
Em abril deste ano, os ministros Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes protagonizaram um bate-boca no plenário do Supremo. Barbosa disse que Mendes estava destruindo a Justiça do país. Disse ainda que Mendes deveria sair às ruas, e não na mídia. Cobre-se de razão. O que o meretíssimo presidente do STF alcunha gravíssimo, em processo de rito normal, já se arrasta por lustro:
"BRASÍLIA - Os envolvidos na Operação Caixa de Pandora eram investigados por movimentações de dinheiro consideradas suspeitas desde junho de 2004. (O Globo, 2/12/2009)
Como disso ninguém tomou conhecimento, é óbvio concluir: tais processos foram constituídos no intuito de negócios, senão chantagens. CBN - Arnaldo Jabor
O mensalão foi introduzido pelo psdb mineiro, por seu governador EDUARDO AZEREDO, através do captador MARCOS VALÉRIO, o mesmo que operou a alteração da constituição em prol da reeleição de FHC, do psdb paulista, e depois serviu ao PT, no caso mais famoso. O prólogo dos mensalões, pois, data do século passado; contudo, recém agora o Tribunal acatou o pedido da promotoria.
CBN - Lucia Hippolito

O eleitor atende o chamamento da douta corporação. Caminha introspectivo à cabine, cônscio do que lhe cabe. Então escolhe um partido entre a meia-dúzia que lhe é oferecida, aquele que lhe parece o menos ruim, porque já não persiste a menor diferença programática, e alija quem represente o pior, ou falso. Alguém obedece sua ordem, a voz das urnas?
BRASÍLIA - Quatro partidos - PSDB, PSB, PDT, PV, e PPS - devem deixar os cargos que ocupam no governo do Distrito Federal (DF), após as recentes denúncias de corrupção envolvendo o governador José Roberto Arruda (DEM), acusado de comandar um esquema de propina e distribuição de mesadas a parlamentares aliados.
A pergunta que se impõe: mas o que fazia esta atípica quadrilha no meio do partido adversário? Que urnas lhes autorizaram compartir o Executivo?
E o DEM, que deu todo o respaldo para encobrir as falcatruas perpetradas no RS, ora reclama:
O presidente da sigla, de puta do Rodrigo Maia (RJ), atacou o PSDB, fazendo referências às denúncias contra a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, que precisou usar sua força política regional para evitar o sucesso de uma CPI contra seu governo.
Sombra do buraco-negro
O jornal espanhol El País comenta em 3/3/2009 que no Brasil a corrupção tem características especiais. Está 'incrustada' nos Três Poderes e pelo País afora, 'onde existe maior impunidade' em relação à criminalidade. 'Há mais de 10 anos que não é condenado ou preso um só político', diz o jornal.
Esta sucessão de denúncias de privilégios, nepotismo e uso do dinheiro público em atividades privadas, semana após semana, sem que ninguém seja punido, está criando um crime ruim no país, como se estivéssemos vivendo um tempo de fim de feira.
KOTSCHO, Ricardo. - www.colunistas.ig.com.br
"Quando jovens e famílias nacionais falam em deixar o país, é porque estão enojados de assistir à mesmice dos velhos truques de políticos carreiristas." (CARDOSO, Júlio Cesar, O povo brasileiro está cansado da velha política, O Globo, 7/3/2009)
Desde o advento das diretas já, exatamente há vinte anos, assistimos uma enxurrada de apropriações indébitas, furtos simples, subornos antecipados, até mesmo assassinatos, e chantagens de todos os calibres perpetrados nos Tres Poderes da Nação, e na maioria esmagadora dos governos estaduais, e municipais.
O primeiro ponto a ser abordado é o estágio de metástase que o câncer da corrupção chegou no Brasil. Todos os grandes partidos parecem verdadeiras máfias organizadas, com as metas de chegar ao poder, desviar recursos públicos e se perpetuar na mamata. Como explicar milhões gastos em campanhas para receber um salário de poucos milhares? Haja altruísmo! Claro que a realidade é outra: a política virou um negócio lucrativo para mafiosos. Gente inescrupulosa é atraída para a política para “se dar bem” à custa dos nossos impostos. Eis a verdadeira luta de classes existente no país: de um lado consumidores dos impostos, e do outro os pagadores. Quando as vantagens de ser um parasita são grandes demais, o resultado é cada vez menos hospedeiro pagando a conta.
O ‘mensalão’ do DEM, 04/12/2009

Ao beirar a maioridade civil dos 21, ouso predizer uma realidade virtual. Talvez ande ouvindo vozes, mas elas me parecem canto-de-cisnes, últimos suspiros dos gangsters.
“Se o governo se exceder ou abusar da autoridade explicitamente outorgada pelo contrato político torna-se tirânico e o povo tem então o direito de dissolvê-lo ou se rebelar contra ele e derrubá-lo.” (LOCKE,J., Second treatise of civil government: 184)
"A mobilização da população é o principal motor de qualquer movimento rumo a uma redução no atual grau de corrupção que permeia a atividade pública no Brasil. Está mesmo na mão de vocês. Não esperem nada do Congresso." (Sen. Pedro Simon, O Globo, 1/12/2009)
Desse modo teremos as mais verdadeiras diretas já! Há muito disso se sabe.

Nada será feito para minorar o sofrimento da classe
trabalhadora, a menos que esta o faça por suas próprias mãos.
LOVELESS, G., cit. RUDÈ, G., A Multidão na História - Estudo dos
Movimentos Populares na França e na Inglaterra -
1730 a 1848
: 182


Eis o perigo, de novo.

Eu esperava isso há algum tempo e, embora sinta muita pena e dor pelo nosso país, e uma grande indignação contra certas violências ou baixarias, que vão além do inaceitável, estou pouco surpreendido ou perturbado interiormente... É necessário que a nação, que nos últimos 34 anos tem esquecido o que é o despotismo burocrático e militar o prove de novo.
TOCQUEVILLE cit. RODRÍGUEZ, R. VÉLEZ : 119


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E

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Bizarros paradoxos

Artigo de estréia. Publicado em 23 de setembro de 2007.


O poder de Estado, que parecia planar bem acima da sociedade, era todavia, ele próprio, o maior escândalo desta sociedade e, ao mesmo tempo, o foco de todas as corrupções.
Comuna de Paris, 1871

Igor Gielow: Hipocrisia sem fim no Senado
A desfaçatez se acentua.

O País foi capturado.
O Estado oferece mal-estar.

A Ética se contorce na dialética.
Os Tres Poderes estão sintetizados em um.
A política virou alojamento de velhacos.
A religião, de oportunistas.
A oposição perdeu o prefixo.
Operário ora é patrão.
E o patrão, mero capacho.

Os partidos procedem a partilha anatômica.
A contaminação criminal é atômica.

São Paulo é nome de portaviões, vaso de guerra.
A lei é do mais forte; mas
o exército não é o nosso forte.
A universidade está a serviço de quem a domina.
As academias emitem conceitos ideológicos, metafísicos, fragmentados,
não compatibilizados, mas compartimentalizados.
A alfabetização é prioritária; a leitura, não.
Português requer precisão, mas viver não é preciso.
A matemática é usada em má temática.
As ciências humanas enveredam pela ladeira da ilusão.
A história é tecida com estórias.
A antropologia supõe-nos andróides.
A psicologia embreta.
A imprensa não pensa.
No esporte nada se faz por esporte.
O Botafogo esfria.
O circulante permanece contido.
A re pública ora é privada, e muito fedorenta.
A economia nada produz.
O marketing vende gato por lebre.
Propugna-se por Justiça! Ninguém é capaz de defini-la.
O tribunal faz mal; e o direito virou torto.
A medicina só mede.
As medidas são desmedidas.
A química desconhece a alquimia.
A física se restringe à educação.
De gravidez todos entendem; da gravidade, ninguém.
A sociologia ignora o indivíduo.
A psiquiatria não explica a alienação social.
A filosofia não cogita; só copia.
Brasília terá sério Congresso:
Está marcada para o próximo dia 10 dezembro, a realização do I Congresso dos Palhaços Brasileiros. O encontro, de iniciativa dos deputados Paulo Rubem Santiago (PDT-PE), Carlos Biffi (PT-MS), João Matos (PMDB-SC) e Edgar Mão Branca (PV-BA).
www.claudiohumberto.com.br, 29/11/2009

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Feliz aquele que ainda esperança pode ter,
De desse mar de equívocos emergir!
O que não se sabe, é o que mais se precisou saber,
E do que se sabe, não se pode mais servir.
Fausto, à Wagner, por Goethe.


domingo, 29 de novembro de 2009

A impressionante quadrilha de Brasília

O poder de Estado, que parecia planar bem acima da sociedade, era todavia, ele próprio, o maior escândalo desta sociedade e, ao mesmo tempo, o foco de todas as corrupções.
Comuna de Paris, 1871
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Nenhuma gota d'água passa pelo esgoto sem se tornar poluída.
ROBERTO JEFFERSON, presidente do PTB
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Todos órgãos de imprensa hoje divulgam uma série de vídeos e gravações da Polícia Federal dando conta de impressionante cifra, em dinheiro sonante, sendo distribuída por ordem do elemento que manda no Distrito Federal. São maços e maços que os asseclas colocam em bolsos internos e externos, e ainda por dentro das meias, mercê do grande volume. Mulheres chegam com avantajadas bolsas. Inúmeros beneciados paulatinamente aparecem nas telas dos lares, estrelando o chefe-da-quadrilha, ex-"líder" do ex-presidente Cardoso.
Há riqueza ostensiva em Brasília que não poderia ser construída honestamente. Casas suntuosas de servidores e ex-servidores que acumularam patrimônio incompatível com a realidade salarial... Parlamentares agradecem a Deus pela propina, numa cena inacreditável.
RABELLO, J.N., É só o começo. - Estadão de São Paulo, 30/11/2009
Houve quem lembrasse do golpe peruano. A descoberta daquela falcatrua levou à cela Montesinos e Fujimori, este pioneiro em alterar a constituição em prol da reeleição.
Por acaso o nipônico era muito amigo de nosso presi dente da época.
Parece inequívoco o modo como foi "legitimada" a permanência do professor Cardoso por mais quatro anos no mar-de-lama que ele e seu staff produziram. Um a um tem caído as máscaras dos coadjuvantes - Marcos Valério, Lucas Lopes, presidente do Banco Central, e agora, de novo, o seu "lider" no congresso.
Surpreende a parcimônia generalizada com a abjeta performance dos artistas, ainda mais porque flagrante. Há quem judiciosamente indique um processo, o qual, em caso de culpa, penalizaria o governeiro. A OAB sugere um processo de Impeachment. No comando da OAB-DF está o adv. Fran cisco Ca puto, cujo escritório atua em favor de Arruda em vários outros inquéritos contra o governador. O partido no qual o meliante é filiado também deu sustentação aos grandes golpes perpetrados no governo do socio logo, e ajudou a abafar o grave desfalque perpetrado no Rio Grande do Sul pela governadora, do psdb . Ora diz que estuda o desligamento do pilantra:
A direção do Democratas agendou para amanhã à tarde um encontro com o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda. 'Eu disse a ele (Arruda) que precisamos de provas, fatos, argumentos', disse o presidente do DEM senador Demostenes Torres.
Folha de S.Paulo, 29/11/2009
O presidente nacional DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), disse ao Estado de S.Paulo que Arruda deverá divulgar uma nota explicando sua situação política.
Ah tá:

Arruda ameaça DEM e tem expulsão adiada
Governador do Distrito Federal se nega a sair por mensalão e adverte partido que contará o que sabe
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O que ele sabe, todos sabemos: o patife propiciou a parte mais gorda do mensalão aos seus asseclas partidários, ora pois.
* * *
Trata-se de um caso gravíssimo, em que se exige reflexão e ação imediata de todos os setores responsáveis. Mas o Judiciário tem feito sua parte. O STF e o STJ (Superior Tribunal de Justiça) podem dar celeridade aos processos com a convocação de juízes para atuarem como juízes instrutores, por exemplo. Não se trata de algo incólume. O processo segue o rito normal.
GILMAR MENDES, Presidente do Sipremo Tribunal Federal. Estadão, 1/12/2009
O Judiciário tem sido ótimo coadjuvante do torpe processo. Infelizmente.
A decretação de Impeachment visa abreviar o sofrimento do povo. Dessarte, não lhe é apropriado nenhum processo, seja legislativo ou judicial. Trata-se de medida emergencial, de segurança. Cautelar. De efeito imediato. O instrumento não visa penalizar, mas afastar, em caráter preventivo, por salvaguarda, qualquer suspeito de ato ilícito, que dirá de flagrantes desta proporção e clareza. É um ato jurídico, muito acima de político, reitero, não um processo. E como tal, deveria ser da alçada de qualquer Tribunal Federal, isento par excellence. A quantidade de provas em mãos da Polícia Federal é estarrecedora. Não resta nenhuma dúvida, tampouco justificativa plausível. A melhor solução é a hondureña - não deixá-lo sequer descer do carro, nesta segunda-feira. O que o canalha chantagista poderá mais fazer se mantiver a chave-do-cofre?
Está marcada para o próximo dia 10 dezembro, a realização do I Seminário dos Palhaços Brasileiros. O encontro, de iniciativa dos deputados Paulo Rubem Santiago (PDT-PE), Carlos Biffi (PT-MS), João Matos (PMDB-SC) e Edgar Mão Branca (PV-BA).
www.claudiohumberto.com.br, 29/11/2009
Merecemos.
Ou se acaba com a hipocrisia, ou o Brasil entrará numa guerra de todos contra todos.
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Foto: Estadão..........................
Diante da leniência das autoridades, o povo já ensaia a revolta.
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Não perca:
A inexorabilidade da verdade








Final de torcidas trocadas

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O campeonato brasileiro de futebol reservou uma
decisão de
photochart à quadra de competidores.


Pos.ClubePGJVGPGCSGAPR.
FLAMENGO/RJ64371856431357.7%
INTERNACIONAL/RS62371861431855.9%
PALMEIRAS/SP62371757431455.9%
SÃO PAULO/SP62371753421155.9%
CRUZEIRO/MG5937175652453.2%
ATLÉTICO/MG5637165553250.5%
GRÊMIO/RS55371566442249.5%
GOIÁS/GO5437156263-148.6%
AVAÍ/SC5437146052848.6%
10ºCORINTHIANS/SP4937134754-744.1%

Última rodada
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371 38ª 6.12-Dom 17:00 - HB São Paulo SPAlinhar ao centro

Sport PE Morumbi São Paulo 3



372

17:00 - HB Santos SP

Cruzeiro MG Vila Belmiro Santos 3



373

17:00 - HB Barueri SP

Atlético PR Eduardo José Farah P. Prudente/SP 3



374

17:00 - HB Coritiba PR

Fluminense RJ Couto Pereira Curitiba 3



375

17:00 - HB Internacional RS

Santo André SP Beira-Rio Porto Alegre 3



376

17:00 - HB Flamengo RJ

Grêmio RS Maracanã Rio de Janeiro 3



377

17:00 - HB Vitória BA

Goiás GO Barradão Salvador 3



378

17:00 - HB Náutico PE

Avaí SC Aflitos Recife 3



379

17:00 - HB Atlético MG

Corinthians SP Mineirão Belo Horizonte 3



380

17:00 - HB Botafogo RJ

Palmeiras SP João Havelange Rio de Janeiro 3




Por concentrar os dois teams que estão liderando o certame, o campeão deve sair do Maior do Mundo. Pelo saldo de gols, e uma combinação exata de resultados os paulistas ainda podem surpreender, mas a hipótese é remota. Curiosamente, também está reservado ao Maracanã uma manifestação de torcidas totalmente inédita, às raias do bizarro: a totalidade dos torcedores do Grêmio estará envergando jaquetas com o escudo flamenguista, pois caso seu time prevaleça, poderá estar entregando o título de campeão ao arqui-rival coestaduano, o S. C. Internacional. Seria muito engraçado o rival entregar a ambicionada faixa ao detestável vizinho.

O quadro surreal ficará completamente aviltado quando os torcedores colorados desembarcarem no Rio com o escudo do Grêmio em vermelho e branco, onde encontrarão com mesmo tom os batalhões do Vasco, Fluminense e Botafogo, os dois últimos engalfinhados na periferia do buraco-negro da segunda-divisão. E de São Paulo ainda vem palmeirenses e sãopaulinos, interessados diretamente na performance gaúcha.
"Vou torcer pelo Inter, que chegou quietinho e conquistou bons resultados. Tem ganhado sem nenhum tipo de conforto", disse o superintendente de futebol do São Paulo, Marco Aurélio Cunha.
Da outra parte, o Corinthians hoje entregou o jogo para o Flamengo, porque isso impediria a ascenção dos rivais paulistanos - Palmeiras e São Paulo. O keeper do Parque S. Jorge deixou o dragão carioca se refastelar em seu próprio reduto.
A imprensa exulta. O material é farto. Renderá uma semana de polêmica. Há quem já diga que o Internacional oferecerá um bicho-extra para o conterrâneo se empenhar.
O Grêmio FPA está no centro do furacão, momento extremamente embaraçoso. O clube do Olímpico não tem mais chances, nada ambiciona, mas também não quer ver a consagração do inimigo máximo. Seu elenco é profissional, todavia, como de todos. Não poderá sua direção encaminhar o pedido da sua torcida aos seus jogadores, evidentemente. Ademais, existem gremistas tão ferrenhos que não admitem o time entrar para perder, ainda que sua vitória represente a glória adversária. Restará a direção, talvez, dar férias antecipadas à sua formação principal, jogando no palco uma equipe mista, com categorias de base. Ainda assim a diretoria enfrentará o dilema, e rezará para que não se confirme nenhuma dessas duas hipótese:
1) Que o esquadrão de aspirantes não seja tão feliz a ponto de derrotar o C.R. Flamengo, dando o título ao S.C. Internacional.
2) Que a inexperiência, a inexorável falta de conjunto de sua equipe, a discrepância de técnica, e o eco do pedido da sua própria torcida, em contraste com o embalo e a pujança do clube da Gávea, ainda mais com o estádio repleto dos urubús, precipite uma derrota por vexatório escore.
A Sociologia, a Antropologia, o Direito, a Economia, a História, talvez Freud, quem poderá explicar?

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Da faina pela Ciência - Final

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As conseqüências do analfabetismo científico são muito mais perigosas em nossa época do que em qualquer outro período anterior.
SAGAN, C., O Mundo Assombrado pelos Demônios: 21
Um dos motivos mais fortes que levam os homens à arte e a ciência é fugir do dia-a-dia, com sua crueza dolorosa e sua melancolia inconsolável. Esses homens fazem do cosmos e de sua construção o pivô de sua vida emocional, para encontrar a paz e a segurança que não conseguem encontrar no estreito torvelinho da experiência pessoal.
EINSTEIN, A., Idéias e opiniões. Nova York: Random House, 1954.
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Se não nos perturbasse o pavor dos fenômenos celeste
e da morte, algo que nos toca de perto, e se não perturbasse
o desconhecimento dos limites dos prazeres e das dores,
não teríamos necessidade da ciência da natureza.
EPICURO, 341 a.C

SEJA PARA AMENIZAR
as agruras terrenas, ou se precaver diante do fatídico sobrenatural, ainda antes dessas famosas priscas eras a raça humana buscava a verdade, o conhecimento; no entanto, até hoje pessoas primam por colher e oferecer apenas ilusões.
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A vida em si também parece caminhada sem finalidade, desproposital, ou pior ainda, com um fim lamentável, o fim da matéria, a sete-palmos. Dessarte recrudesce a angústia, e com ela se avolumam as intempéries, revigoradas por retroalimentação..
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De fato, a vida, a busca pela verdade, e uma técnica a melhor estada podem ser apreciadas por obtusos viéses, mais salientes em flagrantes sociológicos, coletivos, mas para olhar pelo Hubble basta apenas um par de olhos. Quero dizer que a civilização prefere se valer de quem porte qualquer telescópio, em vez dela própria mirar. Acredita que o portador seja capaz de decifrar a metafísica, e bem traduzi-la.
A ciência é um fenómeno social e, como tal, é delimitada pelos benefícios e malefícios que possa causar.Aquilo que se chama crise da ciência não é mais do que esses senhores estarem a começar a ver por si mesmos o caminho errado a que foram conduzidos pela sua objectividade e pela sua autonomia.
HITLER, Adolf, cit. HOLTON, Gerald, A cultura científica e seus inimigos. Lisboa: Gradiva, 1998: 46
Atraída pelos contos ao engano, aos equívocos de avaliação, ela se prostra, torna-se descrente, inconfessadamente cética, e não poucas vezes até hipócrita.
Assim pode-se cogitar prudente não dar mais bola a ninguém, e tratar de usufruir a vida como se puder - afinal a controvérsia é tamanha que uma anula a outra, de maneira que 0 x 0 com assistência ou estádio vazio dá no mesmo. No fim das contas, a ciência não cabe a cientistas? Quem produz mateus, que os embale. Ao povo recai produzir comida, que é escassa. Ciência já tem demais, tanta que a maior parte dela se recicla, e o restante é jogado fora. Se satisfeito o numerário, sair para uma praia, um parque, de preferência bem acompanhado, a qualquer som agradável, não tem erro. Let it be. Concordo. Muitas vezes assim agi, e a rigor não me arrependo. O vinho gabaritado, traçar planos de viagens, um cinemascop (quack), uma festa, a sensação da asa-delta são infinitamente mais prazerosos do que a teimosa persistência num rastro visto monocromático, geralmente nebuloso e igualmente infinito.
DESCARTES inverteu o circuito. Tomou curto-circuito. Na juventude, ensimesmado questionava. Ao nascer o ciso, o jovem Cartesius partiu à Meditação Primeira, uma meditação deveras primária, a qual não evoluiu sequer um palmo à frente de seu avantajado nariz. Quiçá por isso até hoje cogitar suporte conotação de engano: - Ah, pensei que era assim.
Antes de integrar a soldadesca de Nassau, o ex-filósofo atravessou o Rubicão. Visava deixar suas dúvidas no colo dos insensatos. Discurso sobre o método, justificava o desatino: a decepção com a Filosofia, cujos ingredientes considerava confusos, obscuros e nada práticos. Por irônico paradoxo, ao remeter seu decantado cogito ao quinto-dos-infernos, sob as bênção de DEUS, o franco deixou também de ser. A avalanche de metonímias contrapostas estressara o francês. Sem mais titubear, o loquaz peregrino procedeu a autoexumação para introduzir em sua mente, e em tudo o mais, milhares de estacas numeradas como prerequisitos à certeza. Obstinado pela própria existência, o destemido do Loir retirava dos seus neurônios a frequência. A morte cerebral se fez consequência. A dúvida merecia o pior destino - era coisa daquele gênio mau, enganador, o famigerado SATANÁS - e o incauto não supôs que desse modo lhe seria acompanhante, e mais: graças à badalação dos seus sinos, ainda induziria todo o mundo às quinquilharias.
A má tese, ou a má temática, a "quantofrenia", conforme SOROKIN, ou a "aritmomania", como diz GEORGESCU-ROEGENS, condicionou o homo faber a cumprir o padrão de homo mathematicus.
Tornados nessas Regras para Direção do Espírito*, lá se vem trem da perfídia sideral, apinhado de quatrocentões. Destarte, e mercê da sucessão de coincidências, DESCARTES ainda logra a mais completa rima, atirando a humanidade na insanidade.
É uma questão que atualmente deve ser reconsiderada, tendo em vista que a fragmentação já se espalhou completamente, não apenas na sociedade, mas especialmente em cada indivído; e isso conduz a um tipo de confusão generalizada da mente, que por sua vez cria uma série infinita de problemas, interferindo com a nossa clareza de percepção de maneira tão grave a ponto de bloquear nossa capacidade de resolver a maioria deles.
BOHM, David, Totalidade e ordem implicada: 17
Como insinuei, admiro a postura epicurista. Reverencio a vida estóica, mas ela não me seduz. Não quero tecer sobre o espartano, posto impróprio usar palavra de baixo-calão. A gregória cidadela não merece melhor conceito; então me escuso defini-la, para não cometer injustiça. Todavia, como mis coincidências afloram desde que pude abrir os olhos, e depois ainda soube que elas foram as responsáveis pelo meu próprio nascimento, desconfiei que todo o Universo vem ligado, até mesmo quando durmo, de modo que me é totalmente impossível augurar por qualquer alienação, por mais egoísta que prefira ser.
Se todas as partes do universo são solidárias numa certa medida, um fenômeno qualquer não será o efeito de uma causa única, mas a resultante de causas infinitamente numerosas; ele é, como se diz com freqüência, a conseqüência do estado do universo um momento antes.
POINCARÉ, H., : 36
Felizmente ou não, somos atingidos por nossas circunstâncias, como magistralmente inferiu ORTEGA Y GASSET. Se não as salvarmos, não nos salvamos. Bonito, não? A tela aceita tudo, mas o desafio é tão gigantesco quanto o maior mapa que se possa elaborar: essas circunstâncias se originam nos mais remotos quadrantes, precipitando uma chuva torrencial, de maneira que é impossível das daninhas nos livrarmos.
“Há infinitos universos paralelos formando ramificações. Em cada um se atualiza uma realidade.” (TOFFLER A. & TOFFLER, H. : 20)
Nem por isso, todavia, devemos desligar os radares; e muito menos, o limpador de parabrisa.
Só conhecemos uma realidade - a dos pensamentos. Como?
Se isso fosse a essência das coisas?
Se a memória e a sensação fossem os materiais das coisas?
NIETZSCHE, O livro dos filósofos: 45
Causas e efeitos do manancial cosmológico ignoram a simplória demarcação entre passado/futuro. Isso depende do ponto do observador, apenas. À nossas contas o tempo ruge, temos prazo de validade, enquanto o Universo é grandioso, infinito, ainda que limitado. O dilema correspondente é o seguinte: ou tomamos as rédeas de nosso próprio destino, seja lá para onde se puder, ou ficaremos jogando ao léo, ao sabor das intempéries e correntes, estas sempre provocadas por alguém que preferiu a primeira hipótese.
O verdadeiro tempo (o que Bergson chama de 'duração') consiste propriamente na experiência vivencial da própria vida, e, por conseguinte, radicalmente intuitiva. Entretanto, para a maioria de nós, esse tempo verdadeiro foi inapelavelmente deslocado pelo ritmo do tempo marcado pelo relógio. Aquilo que constitui fundamentalmente o fluxo vital de experiência torna-se então um gabarito externo, arbitrariamente graduado, a que nossa existência é subordinada - e sentir o tempo de qualquer outra maneira torna-se 'místico ou louco'. Se a sensação do tempo pode ser assim coisificada, porque não haverá de ser tudo o mais? Por que não inventarmos máquinas que coisifiquem o pensamento, a criatividade, a tomada de decisões, o julgamento moral?
ROSZAK, T.:230
A resposta ao dilema parece óbvia, pois. Ao abdicarmos de nossos intentos, automaticamente nos transformamos em peões desse jogo cujo rei frequentemente é suicida. E para a concretização do insólito, nenhum condottieri vacila em reduzir o semelhante ao pilhado por ROSZAK, script que oferece ao protagonista o papel de mero "autômato biológico dentro das organizações de comando e controle. A organização é o fim, as pessoas, o meio." (RIOS NETO, Antonio Sales, Complexidade e transformação organizacional: construindo novas percepções na administração judiciária sob a luz da Nova Ciência. Revista de Doutrina da 4ª Região. P.Alegre, n. 23, abr. 2008)
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Há quem tribute a incidência dos disparates ao balaio das vaidades. Ele afirma que de qualquer jeito estamos fadados ao cemitério, e dá de ombros. Resigna-se, pois, compreendendo, mas esperando que o além tudo compense. Não posso comungar. A razão da discordância é o respeito e carinho que tenho pelos que me são caros, pelos meus amigos, e por meus descendentes. Ainda que fatalmente nos encontremos em escala apenas energética, na qual a verdade estará cristalina, sem necessidade do menor esforço, ainda assim presumo que iria me sentir desertor, um elemento apartado antecipadamente das condições humanas por menosprezar nossas inumeráveis chagas e não poucas vicissitudes.
Diz o poeta que tudo vale a pena quando a alma não é pequena. Tampouco tenho a pretensão de usar a salvaguarda. Uma autoglorificação, narcista par excellence, só pode me reduzir a grão-de-areia. Neste caso, pois, nada valeria a pena. Não obstante, julgo o festejado verso em quilate descabido. Dimensões são meras arbitrariedades geométricas, inapropriadas ao tratamento atômico. O que interessa são os efeitos do átomo, e não o seu tamanho. Mas eles podem, sim, serem nulos, mormente quando isolados do campo, desconectados com aquilo que lhe empresta o valor.
A cultura medieval superior floresceu porque o povo seguia a visão da cidade de Deus. A sociedade moderna floresceu porque o povo foi vitalizado pela visão do crescimento da Cidade Terrena do Progresso. Em nosso século, porém, esta visão deteriorou-se no que foi a Torre de Babel, que está agora começando a ruir e em última análise sepultará a todos em suas ruína. Se a Cidade de Deus e a Cidade Terrena foram tese e antítese, a única alternativa para o caos é uma nova síntese.
FROMM, E., Ter ou ser: 195
Não é apropriada, e nem há mérito na síntese de ter e ser. Se a premissa é falsa, seu contrário também tende ser, e por falta dupla, a síntese daí obtida nasce comprometida. Não obstante, essas categorias são complementares, por isso inseparáveis. No arbitrário delinear é que escorrem as metonímias, metafísicas provocadas pela limitação ótica e/ou interesse diversionista. E mesmo uníssonas, não garantem nenhuma eficácia. O inferno está cheio de gente que foi, e muito teve. Pois então, nem ter, nem ser. Conhecer, para usufruir e compartir: eis a matéria-prima da ética, interação que se aprimora até a despedida, até nos transformarmos em energia pura.
Mas se alguém por ventura já se vê em algum Zenith terreno, ou por aí adentrando, como sugere o parceiro comandante da nau lusitana, de que mais lhe presta a Ciência, ou o conhecimento, além do simples reconhecimento?
Imaginação! Agora sim: eis a alavanca para o sentido que melhor convém.
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Have a nice weekend.
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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Da faina pela Ciência - Introdução

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Há muitas espécies de homens que se dedicam à ciência, nem todos por amor à própria ciência. Alguns penetram no seu templo porque isso lhes dá ocasião de exibir os seus talentos especiais. Para essa classe de homens a ciência é um esporte, em cuja prática se regogizam como o atleta exulta no exercício de sua força muscular. Há outra casta que vem ao templo fazer ofertório para seus cérebros, movida apenas pela esperança de compensações vantajosas.
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Estes são homens da ciência pelo acaso de alguma circunstância que se apresentou por ocasião da escolha de uma carreira. Se a circunstância fosse outra, eles se teriam feito políticos ou financeiros. No dia em que um anjo do senhor descesse para expulsar do templo da ciência todos aqueles que pertencem às categorias mencionadas, o templo, receio eu, ficaria quase vazio. Mas restariam alguns fiéis - uns de eras passadas e outros de nosso tempo. A estes últimos pertence o nosso Planck. E é por isto que lhe queremos bem.
ALBERT EINSTEIN
Após lamentar o término dos cruzeiros, o parceiro lusitano manifesta outros significativos receios:
- Vale a pena esforço mental? De que pode servir saciar curiosidades? Por certo nenhuma fome tem fim; e como as almas não necessitam assim tanta energia, tentar uma sempre inatingível carga máxima seria, além de inóquo, um passaporte à frustração, quando não traído pelo cansaço.
Cabe-me responder as inegáveis ponderações.
De fato, qualquer atividade, se excessiva, tende prejudicar. Mas de antemão, o copiloto sinaliza dois primordiais obstáculos*:
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As pessoas são educadas para seguir uma carreira, e não por amor ao trabalho e à criatividade, e os partidos políticos se tornam corruptos com as contribuições financeiras do grande capital...
O valor da educação universitária não está em aprender muitos fatos, mas em treinar a mente para pensar.
EINSTEIN, A., cit. ISAACSON, W.: 513/312
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As descobertas científicas de Isaac Newton rapidamente tomaram conta da sociedade, tornando-se também um modelo de vida. A sociedade aproveitou-se desse conceito, aliou-se ao poder econômico capitalista e elegeu o dinheiro como sendo o sinônimo de felicidade.
BIEHL, Luciano Volcanoglo, O mundo quântico: uma nova percepção da realidade: 16.
Pois o próprio NEWTON usou sua chave-inglesa para entrar e assumir a Casa da Moeda!.
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Os mestres não ambicionam realização.
Sem ambição, sem expectativa.
Eles sempre estão preparados, e acolhem a todas as coisas

Tao Te King
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Apraz-me traçar minhas viagens, e assim os trechos do percurso dificilmente me são enfadonhos. Ademais, sempre logro encontrar felizes andarilhos, desses que não vislumbram algum porto seguro, ou atraente, como sóem declamar as arcaicas e capciosas escrituras.
Ela se renova, assim como as gerações, graças a uma atividade que constitui o melhor jogo do 'homo ludens': A ciência é, no mais estrito e melhor dos sentidos, uma gloriosa diversão.
BARZUN, Jacques,
cit. BERNSTEIN, Jeremy, Observación de la Ciencia. Trad. Lorenzo Aldrete. México: Fondo de Cultura Económica, 1988: 11.
Por assim me divertir, cumpre-me de plano esclarecer: não presumo que todos devam praticar o mesmo passatempo. Ademais, como bem salienta o Grande Relativo, existem muitos peregrinos de santos-de-pau-oco. No cortejo desses missionários não há diversão, mas apenas sacrifícios a duras-penas, como qualquer tributo. Pagãos de promessas! O eterno se espraia a todas direções, mas eles costumam escolher um passado, por visível. Nas mais remotas experiências os catadores juntam seus cacos do arco da velha, do tempo em que a vela era a rainha da noite, para comporem seus patchworks. Por paradoxo, quanto mais se atém nos fatos pretensamente racionais, porque "provados", ou coincidentes com suas aspirações, mais os mosqueteiros se distanciam da emergente realidade:
A informação proporcionada pela experiência histórica não pode ser usada como material para a construção de novas teorias ou para a previsão de acontecimentos futuros.
MISES, Ludwig von, Ação Humana - Um Tratado de Economia: 72
Sob tal prisma, nem eu nem ninguém pode ser dono-da-verdade. E se ela já fosse predisposta, instalar-se-ia através de tantos pontos quantos são os átomos que compõem a estupenda teia universal. Impossível alguém disso tudo se apropriar, embora em parte, ou precariamente, feito andaime, algum felizardo possa detê-la. Dessarte não tenciono aliciar, imprimir o proselitismo às ciências. Todavia, tirante aquelas funções mais elementares, francamente: a civilização deveria mesmo parar imediatamente com tudo que faz, para se dedicar a encontrar melhor razão ao que faz:
Este novo mundo pode ser mais seguro se for
informado sobre os perigos das doenças dos antigos.
DONNE, John, An anatomic of the world -
The first anniversary (1611). -
cit. SAGAN, C., Bilhões e bilhões: 84.
A visão materialista estabelece: mais dinheiro=vida melhor. Porém, tendo adquirido mais e tendo descoberto que o vazio permanece, a conclusão da premissa materialista está errada.
ARNTZ, W.: 30
Essa "novidade" nasceu há século, no estábulo E=mc2. Se a matéria é apenas expressão energética, o materalismo não tinha, como não tem, qualquer objeto!
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*Tradução do quadro:
Onde o mundo cessa de ser a cena dos desejos pessoais, onde encararmos a liberdade dele ser, admirando, perguntando e observando, lá nós incorporamos o reino da arte e da ciência





terça-feira, 24 de novembro de 2009

O Périplo

O cientista não é um ser que vive à procura da glória ou do sucesso e a evitar o fracasso. Sob esse aspecto, vejo o cientista como um ser que abre ou fecha portas. Se nada de minhas teorias se justificar, gostaria de passar para a história da ciência como alguém que colaborou para que se fechasse a porta de um labirinto imenso e que não dá em lugar nenhum. Psicologicamente falando, isso me basta.
THOMAS KUHN.
Embora ao presente recaia a urgência de melhor calibrar o futuro, dedico meu esforço, de modo especial, à memória daqueles entes queridos aparentemente invisíveis..
Dessarte, desdenho exatidões.
.Confiante nas probabilidades oferecidas por algumas simples, mas revolucionárias premissas científicas,
estendemos as velas, e assim zarpamos rumo aos
mares "nunca dantes navegados".
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
FERNANDO PESSOA
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Valeu o risco não calculado. No beneplácido, mas igualmente contando com o perdão lusitano: se viver não é preciso, navegar também não requer sê-lo - bastam aproximações.
A busca de segurança é uma ilusão. Para a tradicional sabedoria ancestral, a solução deste dilema está na sabedoria da insegurança, ou na sabedoria da incerteza. Isso quer dizer que a busca de segurança e de certeza é na verdade, um apego ao conhecido. E o que é ele, afinal? O conhecido é nosso passado. O conhecido nada mais é que a prisão dos velhos condicionamentos. Não há nenhuma evolução nisso - absolutamente nenhuma. E quando não há evolução, há estagnação, desordem, ruína.
CHOPRA, Deepak, As Sete Leis Espirituais do Sucesso: 77
As peripécias dos eletrons, esses beatles orbitais, garantem o equilíbrio nuclear à ecologia, à vida na Terra, e tudo mais.
Nossa penetração no mundo dos átomos, antes vedado aos olhos do homem, é de fato comparável às grandes viagens de descobrimento dos circunavegadores... Essa descoberta, com efeito, gerou uma novíssima base para que se compreenda a estabilidade intrínseca das estruturas atômicas, a qual, em última instância, condiciona as regularidades de todas experiências corriqueiras.
BOHR, N., Física atômica e conhecimento humano: 30
No meio dos cruzeiros, os TriPulantes MORIN, (Contrabandista dos saberes, cit. PESSIS-PASTERNAK: 86) e FOUCAULT, (Microfísica do Poder: 5) reconheceram a dificuldade da missão:
Tudo o que é humano é ao mesmo tempo psíquico, sociológico, econômico, histórico, demográfico. É importante que esses aspectos não sejam separados, mas concorram para uma visão 'poliocular'.

O problema é ao mesmo tempo distinguir os acontecimentos, diferenciar as redes e os níveis a que pertencem e reconstituir os fios que os ligam e que fazem com que se engendrem, uns a partir dos outros.
Saudade é buraco-negro. Mister uma supernova.
Cumpridas milhares de escalas, devidamente relatadas num milhar de approaches, ora vislumbro a reentrada na atmosfera. Um sutil azul transporta a inesgotável energia cósmica. Colho o ensejo: por ela venho surfando. Raios de luz recocheteiam na água, beijam a escotilha, e assim balizam o procedimento de touch-down..
A Nave fica em exposição pública, aberta 24 hrs, repleta de delícias......,Algumas fontes pesquisadas
Auguramos lhe manter cativo por long time ago. Desfrute.
Vasculhe seus aposentos. Em cada
suíte, uma surpresa.

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quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Epílogo

Encha sua taça até a borda
E ela transbordará.
Afie constantemente sua faca,
E ela ficará sem fio.
Persiga dinheiro e segurança,
E seu coração jamais se abrirá.
Preocupe-se com o aplauso das pessoas,
E ficarás prisioneiro delas.
Execute sua obra; e então, retire-se.
Este é o caminho para a serenidade
TAO TE KING.
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terça-feira, 10 de novembro de 2009

A inexorabilidade da verdade

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Você tem paciência para esperar,
Até que a lama se assente e a água fique límpida?
Você consegue ficar imóvel,
Até que a ação certa ocorra espontaneamente?
TAO TE KING
Para lograrem o invejado status que supõem glorioso, os transgressores não vacilam em abandonar a trilha da virtude, se é que por algum momento lhe avistaram.
Se a carência de altivez não preocupa o criminoso mais comum, que se dirá do corrupto?
O covarde age à traição. Vale-se de ordinárias fraudes, vulgares falsidades. Mistura-se na multidão para perpetrar sua má intenção. Qualquer recurso serve para superar ou liquidar virtual opositor. Engana-se, todavia, em buscar desse modo o esplendor. Só alcança fracasso, ao invés do êxito que desesperadamente almeja. Ainda que logre atingir a meta estipulada, sempre se decepciona miseravelmente com a felicidade que acredita poder nela saborear...
Jamais supõe o incauto que a cada virtude e a cada vício a natureza oferece precisamente a recompensa ou o castigo mais adequado para encorajar aquela, e refrear o outro. Em flagrante, nega, mas chora, copiosamente. A honra de sua elevada posição aparece tanto a seus próprios olhos quanto aos demais, corrompida e maculada pela baixeza dos meios pelos quais ascende.
Faz-se digno de pena. É o que tencionam as lágrimas, quando cai a máscara.
Até o instante fatal, o crápula presume não ser pego em flagrante, mas o fantasma lhe aterroriza. Como rato, sói encontrar alguma sombra para esconder sua pouca vergonha, mas lembra-se do que fez, e essa lembrança lhe diz que outros também lembrarão. Atormentado, procura invocar os obscuros poderes do esquecimento, aninhando-se em recônditos que julga de seu conforto, seja na venal e vil adulação dos parceiros, entre eventuais inocentes e mais que tolas aclamações populares, ou em ninhos de ricaços, famosos e sabidões. Secretamente, todavia, sofre a perseguição incessante e retaliadora da fúria do remorso. A glória que parecia lhe abraçar a vê distante pela própria imaginação aviltada. A negra e podre realidade que compôs retorna com força dobrada em sua direção, pronta a atacá-lo também pelas costas, justamente de acordo com seu predileto costume. Tanto quanto SHAKESPEARE, ele bem entende:
"Para negócio assim, que é só maldade, qualquer traição é honestidade."
Maquiavel, o diretor da peça original, programou-a sem margem a maior variação. O sádico renascentista reservou um final melancólico, senão trágico, ao seu astro principal, para o deleite da platéia.


sábado, 7 de novembro de 2009

Dos obstáculos epistemológicos *


O homem que descobre uma nova verdade científica precisou, anteriormente, despedaçar em átomos tudo o que aprendera, e chega à nova verdade com as mãos sujas de sangue do massacre de mil superficialidades.
ORTEGA Y GASSET, cit. ROHMANN, C.: 298
Confesso a má-educação.
Já na infância fui convencido ser portador de dupla personalidade: um de meus polos volta-se ao divino, por causa da natureza da alma; por outro lado, tenho que me precaver contra os apelos de meu corpo, este mundano.
E pelo fato do ancestral tê-la desconsiderado, eu suaria a testa para sobreviver.
O desígnio do trabalho vem do próprio latim, tripaliare, significando uma tortura através de um instrumento chamado tripalium.
“Na concepção cristã, o trabalho representava o pagamento do pecado, um ato de expiação que sugere necessidade, aflição e miséria.” ( ROHMANN, C.: 122)
Para cumprir a obrigação, manter meu corpo, até mesmo diante dos meus semelhantes, cruéis e desumanos irmãos terráqueos, mister encher minha mochila com band-aids. Assim é que em vez de sonhar e brincar, consenti em decorar díspares fórmulas, alcunhadas disciplinas, para que pudesse usá-las quando crescesse, ou seja, para depois de uns dez anos. O presente deveria ser empenhado em prol da responsabilidade pessoal e social.
Na longa viagem uma questão me vinha à mente: porque deveria adotar tantas medidas preventivas, especialmente em função dos lobos? De que serviam as leis? Por humanas, elas também não conteriam alguma alma, algum espírito, além das meras intenções utilitárias?
Abri o título, e nada encontrei; apenas mapas de como são feitas. Segui adiante. A porta da frente acolhia interessados, mas para tanto teria que esvaziar minha mochila. As quinquilharias que carreguei por anos a fio de nada teriam serventia. Matemática? Física? Química? Biologia? Isso tudo era peso-morto. Ademais, partes das peças restantes teriam que ser cortadas, por inúteis.
Resignado, sentindo-me já quase um idiota, não me restava alternativa. Embarquei no novo trem, cuja viagem demandaria no mínimo mais cinco anos sacrificando boa parte de minhas noites de festas, os jogos lúdicos, meu violão e a poesia, meus parcos recursos, e a convivência com meus pares, na promessa de que o destino me traria tudo de volta, e multiplicado. Bem já sabia que isso não era verdade - o tempo per se nos dissipa - mas a pressão social nos obriga seguir.

No longo percurso encheram minha mochila com o que era considerado de valor, mormente especiarias de tal Império Romano. Aprendi belos truques, mas entre os meandros e filigranas, ecoava o mantra da minha primária questão. No último dia deram-me a certidão - apto ao trabalho - e deram-se cumpridos à missão. Ora, para isso, para ganhar a vida com meu suor já estava pronto, e até praticando, há muito. E, francamente, já constatado no meio, pouco me adiantaria "vencer" na vida.
A visão materialista estabelece: mais dinheiro=vida melhor. Porém, tendo adquirido mais e tendo descoberto que o vazio permanece, a conclusão da premissa materialista está errada.
ARNTZ, W.: 30
O que se cumpria pois, era muito além de meu vaticínio: não obstante ter empregado a infância, boa parte de minha juventude, e não pouco dinheiro, recrudescia minha interrogação, agravada de outra: o que significa Justiça?
Nova portaria insinuava que os preceitos poderiam ser aproveitados, desde que me dispusesse a colar as peças em forma de puzzle. Isso naturalmente demandaria uma nova viagem, desta feita mais curta. Supus que nos tres anos pudesse divisar as duas facetas da moeda que eu procurava. Desta feita o Estado me pagaria o ticket pelo meu sacrifício de mudar de cidade, de amigos, deixar mulher e filhos vendo novelas e navios, enquanto eu tentava na noite vislumbrar algum clarão. Empenhado o novo tempo, o locutor anunciou:
"Esvaziem completamente suas mochilas. Estão repletas de obsolências, enganos, ideologias, ficções, artificialismos, parcialidades, dogmatismos e presunções. Nada disso corresponde à ciência. As exatas ministradas na juventude não são fidedignas, e as humanas beiram à desumanidade. Nenhuma lei tem espírito, exceto a vontade do legislador escolhido pela sociedade. Portanto, os ordenamentos são tão variáveis quanto as circunstâncias nas quais visam se impor, de maneira que a bagagem não tem a menor serventia."
E logo me veio outra razão:
O esforço natural de cada indivíduo para melhorar suas própria condição constitui, quando lhe é permitido exercer-se com liberdade e segurança, um princípio tão poderoso que, sozinho e sem ajuda, é não só capaz de levar a sociedade à riqueza e prosperidade, mas também de ultrapassar centenas de obstáculos inoportunos que a insensatez das leis humanas demasiadas vezes opõe à sua atividade.
SMITH, A.
cit. DOWNS: 56
Se desconfiara de minha péssima educação, um ministério para bobo partido em incontáveis fatias, apenas arbitrariedades, cacos de composições fantasmagóricas, completamente desconectadas da realidade, mas perfeitas ao sabor do feitor, agora lograva a mais completa certeza. Vá lá - antes tarde, do que nunca.
O quê de melhor, ao cabo, aprendi:
“Um conhecimento mais profundo é sempre acompanhado de uma abundância de razões coordenadas.”
(BACHELARD, G., A filosofia do não: 21)
É uma questão que atualmente deve ser reconsiderada, tendo em vista que a fragmentação já se espalhou completamente, não apenas na sociedade, mas especialmente em cada indivído; e isso conduz a um tipo de confusão generalizada da mente, que por sua vez cria uma série infinita de problemas, interferindo com a nossa clareza de percepção de maneira tão grave a ponto de bloquear nossa capacidade de resolver a maioria deles.
BOHM, David, Totalidade e ordem implicada: 17
Resta-me o conforto:
A inteligência prolongada da natureza e do ecossistema, a grante teia da vida, também trabalha através da coincidência e do sincronismo, como o faz a inteligência fundamental do universo.
CHOPRA, DEEPAK, 2005: 90
O Universo se vê integrado, e por isso fronteiras são inoportunas, demodè. Não se contém um óleo derramado no oceano, tampouco o gás de Chernobyl. As asas da borboleta sub-equatorial podem fazer chover na Califórnia. O roubo num banco americano deflagra a crise mundial. Não há lei capaz de preservar o tempo; tampouco a Amazônia.
A partir daí, passei encarar a hipocrisia ao largo. Dedico-me em périplo individual, sem destino pre-estipulado. Antes, todavia, convocado por ORTEGA Y GASSET, retornei àquelas ilusórias bases, no fito de detoná-las, para que não atraiam meus descendentes. Orgulho-me dos crimes cometidos contra os obstáculos epistemológicos: dezenas de exumações, em ataques ininpterruptos; porém, nem uma gota me caiu nos dedos. Ao mirar a obsoleta arquitetura das oxidadas plataformas jurídico-econômicas criadas e institucionalizadas pelos ocidentais, apelei apenas por bisturis demistificadores, a laser, (light amplification by stimulated emission of radiation), à primordial profilaxia, aragem preparatória ao plantio de um novo tronco, suficientemente oxigenado, um sustentáculo efetivo, motriz de um desenvolvimento "humano e sustentado".
Taxeando com a lente holística (abrangente da totalidade, somatório de disciplinas, apreciação globalizada), invadi pela aparelhagem do Estado. Deparei-me com mirabolantes criações, elucubrações provenientes do acúmulo de ilusões, artifícios da centelha acesa por PLATÃO, e oferecidos como dísticos científicos, por isso pretensamente lógicos. Ei-los pacientes do corte epistemológico (do grego episteme - saber ou ciência), e até do costume, porque para onde são estendidos esses trilhos só se chega à beira de penhascos.
Pois o chamado ‘fim da história’ nada mais é do que a emancipação da multiplicidade dos horizontes de sentido. Um desses desafios é o de repensar o pensamento científico, libertando-o de sua ganga positivista, de sua mania contábil, a fim de instalar em seu seio a argumentação filosófica capaz de regular as relações do conhecimento científico com as demais modalidades de pensamento e ação. Outro, não menos importante, é o de pensar a modernidade. Porque esta não é um momento datado da história, definindo uma época. É o nome de uma ruptura, de uma crise relativamente à tradição. Estamos diante de uma nova episteme: da indeterminação, da descontinuidade, do deslocamento, do pluralismo (teórico e ético), da proliferação dos projetos e modelos, da ampliação de todas as perspectivas e do tempo da criatividade.
JAPIASSÚ, H. :10
A mudança para um humanismo congraçado com a natureza, por isto mais sensível, solidário, e complementar, mostra-se tarefa inadiável, porém se faz prazerosa, envolvente, natural, facilitada ainda, pela conscientização disseminada.
O imperativo da melhor convivência do habitante com seu meio ambiente não pode olvidar, por óbvia extensão, o semelhante. Isto condiciona, pois, o aprimoramento das relações pessoais; por conseguinte, sociais. Em outras palavras: pelo respeito e consideração ao indivíduo (só por ele), chegamos ao resultado social e, por consequência, ecológico. Onde isto se ensaia, quando prolifera esta idéia que a todos convém, a economia é considerada apenas expressão numérica, não hegemônica; e a lei, explicação.

O desiderato se impõe independentemente de números ou códigos comportamentais (posto que infinitamente mais amplo), mas se faz também legal e legítimo, cientificamente correto e apreciado, em reversão por convergência, sem dialética, mas por somalética, dialógica pela qual a ética não se fratura.
“De fato, a vida no espaço cibernético parece estar se moldando exatamente como Thomas Jefferson gostaria: fundada no primado da liberdade individual e no compromisso com o pluralismo, a diversidade e a comunidade.” (NAISBITT: 96)
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* É aí que mostraremos causas de estagnação e até de regressão, identificaremos causas da inércia às quais daremos o nome de obstáculos epistemológicos (...) o ato de conhecer dá-se contra um conhecimento anterior, destruindo conhecimentos mal estabelecidos, superando o que, no próprio espírito, é obstáculo à espiritualização.
BACHELARD, G., 1996: 17
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Aprecie:
A razão do conhecimento




sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A descentralização das estações rodoviárias

A sociedade medieval era uma sociedade pluralista, posto ser constituída por uma pluralidade de agrupamentos sociais cada um dos quais dispondo de um ordenamento jurídico próprio: o direito aí se apresentava como um fenômeno social, produzido não pelo Estado, mas pela sociedade civil. BOBBIO, N., 1995: 27
A Revolução Industrial tudo mudou. A massificação foi um fenômeno não só aceitável, como louvado. Nas fileiras dos exércitos, e nas indústrias, o número de figurantes expressava a capacidade administrativa dos feitores, e a pujança do empreendimento.
Mercê do forte apelo gravitacional, as vilas se tornaram cidades, e estas em megalópolis, edificadas em arranha-céus.
No limiar do século passado o escocês PATRICK GEDDES formulou um estudo intitulado Bos-Wash. Referia-se à conturbação entre Boston e Washington. O vaticínio assinalava metrópoles viradas em necrópolis. Nem tanto, mas os grandes conglomerados padecem, notadamente no Brasil. .
Para ser bem sucedido em qualquer empreendimento,
seja ele público ou privado, é preciso inovar.
Mas, para inovar é preciso descentralizar.

PETERS, Tom, The Circle of Innovation
.
Aglomerações urbanas conservam alta densidade em seus centros. Não preciso enumerar o rol de contratempos inerentes. Curiosamente, todavia, não é o poder público que tenta minimizá-los. São comerciantes, industriais, prestadores de serviço que buscam alternativas descentralizadas para evoluir. Primeiro foram os shopping-centers, já com mais de meio-século; depois, se estabelecem grandes condomínios periféricos, até mesmo em dimensões quase citadinas. Proliferam-se lojas de bairros, jornais de bairros, secretarias de administração de bairros. A vida de bairro já não se considera marginalizada, fora dos acontecimentos. No entanto, alguns ícones permanecem pelo molde passado; e entre esses fulguram as estações rodoviárias.
Embora em algumas cidades haja concessões, os locais de embarque/desembarque são todos de iniciativa, e a maioria administrada sob a égide pública.
O que vemos? Logradouros sujos, depredados, mal-cuidados, antiquados. E a rigor, saturados. A população cresce vertiginosa, os meios de transporte lhe acompanham, mas os lugares são praticamente os mesmos. As estações requerem áreas sempre maiores, mercê da crescente concentração de gente e de veículos, nestes incluídos não só os coletivos, como os automóveis e táxis de sua órbita, e desse modo nosvos empreendimentos, ou mesmo ampliaçoes são paulatinamente dificultados.
As estações se constituem em pontos comerciais. A rigor, nada tem a ver com os poderes públicos. Há um alto faturamento não só dos transportadores, mas também de inúmeras lojas de conveniências, guichet de hotéis e agências de viagens, pequenos serviços, etc. Os mais modernos monumentos tem um padrão assemelhado a shoppings. São pontos de alta rentabilidade.
Assim como o poder público não intervém na construção de pontos comerciais, se antigamente havia, hoje não há mais razão para sua presença. Não há necessidade de desapropriações, tampouco de utilizar a arrecadação em proveito particular.
O esforço natural de cada indivíduo para melhorar suas própria condição constitui, quando lhe é permitido exercer-se com liberdade e segurança, um princípio tão poderoso que, sozinho e sem ajuda, é não só capaz de levar a sociedade à riqueza e prosperidade, mas também de ultrapassar centenas de obstáculos inoportunos que a insensatez das leis humanas demasiadas vezes opõe à sua atividade.
SMITH, A.
cit. DOWNS: 56
"A superioridade dos sistemas auto-organizadores é ilustrada pelos sistemas biológicos, em que produtos complexos são formados com uma precisão, uma eficiência, uma velocidade sem iguais." (Biebracher, C., Nicolis, G.; Schuster; Self Organizations in the Physico-Chemical and Life Sciences; Relatório EUR 16546, European Commission, 1995; cit. Prigogine: 75)
Como criar organizações que continuem vivas? Como criar organizações que não nos sufoquem com seus ditames de controle e obediência? A resposta é clara e simples. Precisamos confiar no fato de que nós temos a capacidade de organizar a nós mesmos e precisamos criar condições que favoreçam o florescer da auto-organização.
Whetlay; Kellner-Rogers,
Um caminho mais simples: 58
As novas estações poderiam ser implementadas pelos próprios transportadores, cada qual com seu terminal, onde bem lhes aprouver, consubstanciados pelo ingresso/participação de incontáveis lojas e serviços conveniados. Naturalmente não pode mais haver os costumeiros monopólios de linhas, aliás um disparate só consentido em função de investimentos em campanhas políticas feito pelos titulares. Em país de livre iniciativa, qualquer reserva de mercado, nada mais do que um protecionismo mercantilista, obviamente traz prejuízo ao próprio povo.
O poder de descentralização deriva do fluxo de novas idéias,
imagens e energia para todas as partes do organismo.

FERGUNSON, M.:
210
Tal estratégia propicia a interação de muitos agentes atuando em paralelo. As ações de um agente em particular serão resultado de sua expectativa em relação ao que os outros agentes irão fazer, e conforme a identificação de demanda. Os agentes antecipam e co-criam o mundo à sua volta, sem requerer uma entidade global controladora das interações ou que tenha prévio conhecimento da estrutura global do sistema. O controle é feito pelo processo de cooperação e competição entre os agentes e medido pela presença da clientela. Como consequência desta interatividade, obtemos contínuas revisões de comportamentos, ações, e produtos, à medida que os agentes ganham experiência - o sistema está em constante adaptação. O elemento surpresa e a chance permitem que o sistema tenha muitas soluções e aproveite novas oportunidades. Por fim, ampliam-se as chances de novidades, com o ingresso de novos empreendimentos satélites, agregados, ou substanciais.
Os aeroportos também podem seguir o mesmo padrão. Pelo menos no "campo de aviação" não sofremos monopólios das linhas, embora oligopólios. É o que veremos.