quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Epílogo

Encha sua taça até a borda
E ela transbordará.
Afie constantemente sua faca,
E ela ficará sem fio.
Persiga dinheiro e segurança,
E seu coração jamais se abrirá.
Preocupe-se com o aplauso das pessoas,
E ficarás prisioneiro delas.
Execute sua obra; e então, retire-se.
Este é o caminho para a serenidade
TAO TE KING
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terça-feira, 10 de novembro de 2009

A inexorabilidade da verdade

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Você tem paciência para esperar,
Até que a lama se assente e a água fique límpida?
Você consegue ficar imóvel,
Até que a ação certa ocorra espontaneamente?
TAO TE KING
Para lograrem o invejado status que supõem glorioso, os transgressores não vacilam em abandonar a trilha da virtude, se é que por algum momento lhe avistaram.
A carência de altivez não preocupa o corrupto, tampouco o criminoso mais comum. O covarde age à traição. Vale-se de ordinárias fraudes, vulgares falsidades. Mistura-se na multidão para perpetrar sua má intenção. Qualquer recurso serve para superar ou liquidar virtual opositor. Engana-se, todavia, em buscar desse modo o esplendor. Só alcança fracasso, ao invés do êxito que desesperadamente almeja. Ainda que logre atingir a meta estipulada, sempre se decepciona miseravelmente com a felicidade que acredita poder nela saborear..
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Jamais presume o incauto que a cada virtude e a cada vício a natureza oferece precisamente a recompensa ou o castigo mais adequado para encorajar aquela, e refrear o outro. Em flagrante, nega, mas chora, copiosamente. A honra de sua elevada posição aparece tanto a seus próprios olhos quanto aos demais, corrompida e maculada pela baixeza dos meios pelos quais ascende.
Faz-se digno de pena. É o que tencionam as lágrimas, quando cai a máscara.
Até o instante fatal, o corrupto presume não ser pego em flagrante, mas o fantasma lhe aterroriza. Como rato, sói encontrar alguma sombra para esconder sua pouca vergonha, mas lembra-se do que fez, e essa lembrança lhe diz que outros também lembrarão. Atormentado, procura invocar os obscuros poderes do esquecimento, aninhando-se em recônditos que julga de seu conforto: na venal e vil adulação dos parceiros, eventuais inocentes e mais que tolas aclamações populares, nos ninhos de famosos e sabidões. Secretamente, todavia, sofre a perseguição incessante, e retaliadora, da fúria do remorso. A glória que parecia lhe abraçar vê-se distante pela própria imaginação aviltada. Ele vê a negra e podre realidade avançar em sua direção, pronta a atacá-lo também pelas costas, justamente de acordo com seu predileto costume. Tanto quanto SHAKESPEARE, ele bem entende:
"Para negócio assim, que é só maldade, qualquer traição é honestidade."
Maquiavel, o diretor da peça original, programou-a sem margem a maior variação. O sádico renascentista reservou um final melancólico, senão trágico, ao seu astro principal, para o deleite da platéia.


segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O legado da democracia brasileira

Do rio que tudo arrasta se diz que é violento
Mas ninguém diz violentas
As margens que o comprimem.
Bertold Brecht

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O vice-presidente da República afirma à Folha de S. Paulo que o Brasil se tornou "o País da impunidade". "Isso é sério e precisa mudar. Não se pune a corrupção. Eu não vejo que isso está mudando", disse José Alencar.
O presidente Lula da Silva lhe endossa: José Alencar é a sua 'cara-metade política'. (Estadão, 9/11/2009)

Diante desse inusitado, despachamos Foca Liza para uma entrevista com diretor da 7 Co., empresa instalada no Brasil desde 1995.

O sr. Vice-Presidente "do país da impunidade" parece cansado da safadeza, e o Presidente diz que ele é sua 'cara-metade'. Para quem eles falam?
Só pode ser para inglês. A eleição da dupla se deve justamente à corrupção. Esta história se desenrolou por causa de um amigo meu. LULA vinha perdendo todas as eleições. Pessoal tinha medo da bandeira, por que lembrava a União Soviética. E o PL estava lá, com uma linda bandeira, mas sem votos. Então meu amigo deu a idéia para o PL: que tal se juntar com o PT para acabar com a maracutaia do FHC? A participação do PL garantia que o pessoal do LULA não comia criancinhas. Eles adoraram. Aí, o Presidente do PL, o senhor WALDEMAR DA COSTA NETO, vendeu a participação do partido na composição da chapa por módicos 5 milhões de reais, e assim apareceu este Vice.
Lula afirmou que ele e Alencar são duas peças que se encaixam perfeitamente bem e que o vice-presidente foi uma espécie de 'fundo garantidor' que ele precisava para ganhar as eleições para a Presidência da República. 'Quando nos conhecemos, eu tinha 58 anos e Alencar, 70. Quem sabe eu não tivesse perdido tanta eleição se tivéssemos nos conhecido antes', disse Lula, em discurso. 'Por simplicidade e companheirismo, Alencar nunca vai reconhecer, mas a verdade é que eu já estava cansado de ter sempre 30% de votos nas eleições'. (Idem)
E o que é pior: a turma do FHC permanece, até hoje, no comando do Banco Central. Depois eu soube como se deu esta ultima aproximação:
PT e PSDB não compartilham apenas a política econômica. Suas campanhas presidenciais compartilharam também os financiadores, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral. Dezenove empresas, a maioria delas com interesses no governo, investiram R$ 54,1 milhões na disputa eleitoral. O Banco Itaú, por exemplo, apostou igual em ambos os 'cavalos'.
www.claudiohumberto.com.br 6/4/2009
Nada difere da aplicação do conto do vigário, exceto por um agravante: no crime, o criminoso é identificável; na democracia, ele se esconde por trás do biombo partidário. A corrupção campeia livre justamente graças à impessoalidade, e por isso irresponsabilidade, dos partidos políticos, todos associados.

"Mais de 40 mil candidatos às eleições de 2006 e 2008 eram beneficiários do programa Bolsa-Família, segundo auditoria do Tribunal de Contas da União." (www.claudiohumberto.com.br - 5/5/2009)
Este programa é do governo que esta Excelência faz parte diretamente.

Ninguém se dá conta disso?
Como não? Até o estrangeiro já bem sabe:
O jornal espanhol El País repercutiu em 3/3/2009 a investigação de 378 políticos, entre deputados, senadores e ministros. Entre os investigados, estão os 40 réus do caso do mensalão, escândalo em que parlamentares foram acusados de receber dinheiro em troca de apoio político ao governo. O El País comenta ainda que no Brasil a corrupção tem características especiais, como estar 'incrustada' nos Três Poderes e na polícia e pelo País ser "onde existe maior impunidade" em relação à criminalidade. 'Há mais de 10 anos que não é condenado ou preso um só político'.
E o mais engraçado: o país quer porque quer assento no Conselho de Segurança da ONU, logo nesse! Qual é o pastel? Colecionamos criminalidade & corrupção em escala geométrica.
Crimes são cometidos às pencas, todos os dias, em grandes cidades como Nova York, Madri, Roma, Paris, Cidade do México. Mas em nenhuma delas, como no Rio, homens, mulheres e até pivetes assaltam à mão armada, atingem inocentes com balas perdidas, dispõem de metralhadoras e já usam até granadas. Só faltam bandidos com tanques. Raiando a guerra civil.
CATANHEDE, E., Folha de São Paulo, 3/10/2009
Políticos parecem ser todos iguais, em qualquer parte.
Improvável. O cetro pertence ao Brasil:
Na Assembleia de Alagoas, há deputados acusados na Lei Maria da Penha, de furtar energia elétrica, formação de quadrilha, peculato, lavagem de dinheiro, crime contra a ordem financeira nacional e compra de votos. Cícero Ferro é acusado de matar o primo, Jacó Ferro, e o vereador da cidade de Delmiro Gouveia, Fernando Aldo. As acusações são do Ministério Público Estadual. Os deputados Antônio Albuquerque (sem partido), João Beltrão (PMN) e Ferro foram presos este ano, pela Polícia Civil, acusados de liderar quadrilhas de pistolagem no Estado
Terra, 10/11/2009
Mas e o povo brasileiro, uma gente conhecida por dócil, que praticamente nunca se envolveu com guerras... qual a razão do aumento da criminalidade a taxas recordes?
A corrupção impede que os recursos expropriados
da produção cumpram o destino prometido, e esta conclusão não requer nenhum raciocínio. Todavia, além do ato prejudicar a viabilização que justifica o Estado, com isso frustrando a comunidade de receber, pelo menos em parte, os valores gerados às custas de muito sacrifício, a corrupção ainda turva o tecido social, impregnando o descrédito, tornando sua face lisa, e por ela escorregam atores multiplicados. Igualmente não são necessárias maiores explicações para se conceber como as atitudes de escalões superiores são imitadas nas camadas inferiores. A experiência vivida a partir do miraculoso 1995 atesta: o crime, que percorria trajetória "apenas" uniformemente acelerada, em ritmo aritmético, diante da incidência da corrupção tomou velocidade geométrica. Se quem deve dar o exemplo demonstra tamanha capacidade, como supor que aprendizes ajam desconformes? Dessartes, a corrupção e o crime se disseminam associados, de maneira avassaladora, numa avalanche de quase impossível detenção:
BRASÍLIA - Um em cada cinco funcionários públicos (22,5%) admite que já descumpriu a lei. Uma proporção semelhante (18,1%) confessa que já cobrou propina para atender a uma reivindicação legítima do cidadão. (Estadão, 9/11/2008)>

Três fiscais da Receita Federal, um empresário, dois receptadores e um motorista foram presos pela Polícia Federal do Rio acusados de envolvimento em uma quadrilha que desviava mercadorias contrabandeadas apreendidas pela Receita no Porto do Rio.
O Globo, 29/10/2009
Como isso pode assim evoluir? Vai ver o Vice-Presidente tem razão: é a impunidade que enseja a criminalidade. Seriam brandas as leis? Faltam policiais? Penitenciárias?
Nada disso. Depois do crime cometido, de que adiantam as grades? Ademais, elas não servem para inibir o crime. Nenhum transgressor se amedronta com a lei. Na hora da consumação ele próprio já está arriscando sua pele; pressupõe nada a perder. Por fim, cadeias são universidades do crime. Investe-se um monte para pior resultado. Ninguém quer ser vizinho delas. Custa caro à sociedade qualquer internação. E quem lá se forma vem pior, ainda mais danoso à sociedade. O método da delinqüência sai aperfeiçoado, movido por maior recalque. A prisão só agrava a questão, e posterga a solução. -
Então tem que segurar na legislação. Prometer castigos mais fortes. Prisão perpétua. Pena de morte, quem sabe?
Costumamos julgar de acordo como nossos princípios. Eles não valem alhures. Pena de morte arrisca o criminoso na hora em que está cometendo o crime. Nem isso o faz desistir. E não poucas vezes o que quer é isso mesmo.
Para a Sibéria costumavam enviar os pobres russos, sob o chicote dos soviéticos, os maiores assassinos de massa que se abateram sobre a civilização. Leis à granel introduziram sistemas fascistas, nazistas e comunistas. No entanto, todos conhecemos a magnitude dos crimes cometidos nessas infelizes sociedades.
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Que tal maior repressão, antes que o crime aconteça? Um aumento de efetivo?
Por aqui, os batalhões tem aumentado bastante, até aritmeticamente; mas os crimes, geometricamente. Exércitos, quem sabe. Mas pode sair mais caro do que os crimes que visam elidir. Ademais, acha justo, útil ou conveniente investir boa parte de seu trabalho para sustentar meros zeladores? E o que garante que um policial para cada cidadão não vá aumentar os crimes? Acabam se matando.

O volume criminal tem que arrefecer independentemente de legislação, ou controle. Muitas nações vivem na harmonia, no equilíbrio social e na solidariedade, sem se valerem do sabre.
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Dizem que a América Latina abriga ignorantes. Falta informação, educação, enfim, defeitos pessoais.

"A possibilidade de morrer entre os 15 e 30 anos está diretamente ligada ao nível de escolaridade da mãe". (Socióloga Alba Zaluar, Núcleo de Pesquisa da Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Nupev-Uerj, Terra,10/11/2009),
Sim, de certo modo. Mas, em alguma época ela foi melhor informada? Tínhamos mais livros, pesquisas, escolas, tvs, internets, celulares, ou o quê? Havia mais alfabetizados? No entanto, os índices criminais não passavam de dígito.
A desenvoltura da criminalidade não se restringe à carência educacional.

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Por acaso nem religião adianta?

Países muito religiosos, curioso, costumam ser mais belicosos. Veja iranianos, iraquianos, e tantos anos. Religiões podem desunir, ao invés de reunir. Aliás, ela nisso é expert, desde que elegeu o diabo como adversário. Deveria convencê-lo, não hostilizá-lo. Lembro de plano a guerra civil desencadeada entre os indianos, cujo resultado esfacelou o país. A Inquisição também, está lá, impregnada no EspaçoTempo. Hoje, os condutos religiosos estão de tal modo confusos que as instituições viraram excelente meio de vida para seus operadores. Um sucesso! Os pastores tosqueam ovelhas à granel.
A fé remove montanha; mas não aquela das Caymmais.
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Então Thomas Hobbes tem razão. O homem é o lobo do homem. Só o Estado Leviathan para lhe domesticar.
O homem de fato é lobo de muitas coisas; e, dependendo das circunstâncias, pode até se aniquilar, como sói acontecer, mormente se puder contar com o anonimato da matilha.
O momento mais saliente é quando ele toma a chave do galinheiro, isto é, o segredo do cofre. Não escapa ninguém.
A metáfora, embora impactante, não traduz a realidade social, que é formada em mosaicos.
Encontramos dezenas de sociedades que vivem em paz, em salutar convívio entre ovelhas e leões. Nestas, o lobo é o amor da loba, o que desmonta a perfídia do Leviathan.
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Mas se não é sociológico, penal, nem psicológico, ou religioso, tampouco um problema educacional, do que se trata, afinal? Seria puramente econômico? Como devemos extirpá-lo, ou, pelo menos, estancá-lo, uma reversão, quem sabe? Como proceder? Onde foi que erramos?
Foram muitos momentos de desídia, mas fulguram alguns mais acentuados.
Antes, permita-me mostrar-lhe a vizinhança, aqui do alto, longe dos tiros.
Donde eles partem? Das localidades e dos tempos desprovidos de dinheiro.
Bandidos do Morro do Salgueiro, na Tijuca, Zona Norte do Rio, atiraram contra um helicóptero da Polícia Civil que passava pelo local após deixar a Favela do Arará. (Terra, 11/11/2009)
As milícias dominam 41,5% das favelas, contra 40% que estão nas mãos do Comando Vermelho.
Não se trata de um indícios relevantes? Onde não há oxigenação, há desespero.
"Em casa onde falta pão, todos brigam, e ninguém tem razão". Nunca ouviu?
O número de execuções no Brasil é inaceitável. Algumas organizações sociais de Salvador me disseram que há até um genocídio de negros no país, o que é motivo de grande preocupação e razão da minha visita. O governador também disse que pretende aumentar o salário dos policiais, uma questão considerada por especialistas como chave para a melhora da qualidade policial.
PILLAY, Navanethem, Alta comissária da ONU visita Morro Dona Marta e diz que favelas do Rio têm níveis de violência inaceitáveis. - O Globo, 10/11/2009

Engraçado é amparar quem já está amparado, maior responsável pelo inédito número de execuções. Só se de fato quiserem eliminar o povo pobre.
"Nada estabelece limites tão rígidos à liberdade de uma pessoa quanto a falta de dinheiro", observou John Kenneth Galbraith.
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Mas porque tanta miséria entre a gente que mora no mesmo país, no mesmo estado, na mesma cidade, no bairro à cerca, e que vivem o mesmo tempo? Não é tudo proveniente da preguiça, vagabundagem, indolência, má-vontade, má-educação, falta de religiosidade dessa cambada? Quem sabe formação genética? Origem racial? Ou então Marx tinha razão: a opulência se vale da pobreza. Nunca um pobre será rico!
Mas nem combinados os ricos teriam tanta eficiência. Nem com maestro, essa.
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Mas então, que diabos, onde quer chegar?
Trata-se de desvio econômico, sim, com efeitos sociológicos, mas levado a cabo por artimanhas jurídicas, não por combinação de classes.
A lei e a jurisdição primam por referendar ladrão! Veja que um chefe-de-família não pode ficar devendo em nenhum armazém - seu nome vai para a lista de "serviço de proteção ao crédito nacional", de acordo com a lei. No entanto, uma lei maior reprime a difamação, que é uma verdade espalhada com intuito de prejudicar. Esta não interessa a ninguém julgar. Por outro lado, qualquer membro de partido pode computar dezenas de processos criminais, que, se eleito, estará livre de tudo!

Queremos fatos.
Falei da remessa de enormes cifras ao exterior, incluindo as Caymais. E o que dizer do mensalão, uma podridão que chegou ao conhecimento popular? Teve outra, ainda mais popular, ainda em vigor - a do cartão corporativo, o cartão-que-vale-milhão, atos secretos que todos são sabedores... e alguns aproveitadores, como é o caso do sr. Vice-Presidente. Além de prostrarem a economia, pelo sufoco do oxigenio que por ela deveria correr, são péssimos exemplos, mas artimanhas vitoriosas. Alguns articuladores perderam os cargos, porém foi como queriam: saíram e gozar férias no exterior, com a carteira recheada com seu dinheiro. Se vale tudo na cúpula, por que não entre os mais sofridos?


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Exemplo por exemplo temos mais bons do que maus. Além disso, não se pode reputar as mazelas apenas a macaquices.
Então falarei mais claramente. Além de proporcionar os maus exemplos, as nefastas ações afastam o dinheiro da Nação. O primeiro grande golpe foi decisivo. Ele aconteceu na calada da noite do dia 15 de novembro de 1995. Quem passava na Esplanada dos Ministérios pode ver as luzes acesas do Ministério da Fazenda. Eles estavam monitorando uma operação que sangrou o Brasil em nada mais nada menos do que 30% de todo o dinheiro existente no país. Embarcaram um Boeing com destino ao norte, levando quase todas as notas de cem reais. Sobraram apenas algumas espalhada em colchões. Sem dinheiro em circulação, o que temos é crimes de montão.
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Péra.
Como foi este golpe, que ninguém soube?
Banqueiros subornaram as autoridades antes que elas se tornassem autoridades. Saiu barato.
Como em livros de jogo-do-bicho e de traficantes, na pasta-cor-de-rosa foram elencados os participantes do ágape. Eleito o cavalo-do-comissário, os investidores foram autorizados a saquearem as contas de seus correntistas. Parte dos depósitos dos bancos que não participaram da torpe partilha cobriram o rombo. Por isso o juro subiu. Se continuasse baixo, não ia ter dinheiro suficiente para emprestar. Eles calçam os dólares nos paraísos fiscais, esses que vem ao país pelas bolsas de valores e aquisições de patrimônio público a preço-de-banana. Eis a razão da carência monetária que assola o país já há dois periodos de vacas-magras, contrariando até a natureza. Eis a razão maior da criminalidade em massa, mas não só isso: desemprego em massa, divórcios em massa, igrejas lotadas, psiquiatras, economistas , burocratas , políticos e advogados ricos, trânsito neurótico. É o efeito atômico da corrupção. Satisfeito?
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Sim. Agora entendo tudo. Vou-me embora pra Pasárgada's.
Lá sou amigo do rei, e terei a cama para escolher, sem precisar da safadeza me valer.
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*Com aproximadamente 48 mil mortes por ano, o Brasil é um dos países que detém uma das maiores taxas de homicídios no mundo, segundo relatório divulgado nesta segunda-feira pelo relator especial do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas sobre Execuções Arbitrárias, Sumárias ou Extrajudiciais, Philip Alston. (Folha de São Paulo, 15/9/2009)

QUADRO DE ASSUNTOS QUE INQUIETAM A POPULAÇÃO - Número de cartas endereçadas ao jornal O Globo - RJ. - novemnro 2009


sábado, 7 de novembro de 2009

Dos obstáculos epistemológicos *


O homem que descobre uma nova verdade científica precisou, anteriormente, despedaçar em átomos tudo o que aprendera, e chega à nova verdade com as mãos sujas de sangue do massacre de mil superficialidades.
ORTEGA Y GASSET, cit. ROHMANN, C.: 298
Confesso a má-educação.
Já na infância fui convencido ser portador de dupla personalidade: um de meus polos volta-se ao divino, por causa da natureza da alma; por outro lado, tenho que me precaver contra os apelos de meu corpo, este mundano.
E pelo fato do ancestral tê-la desconsiderado, eu suaria a testa para sobreviver. O desígnio do trabalho vem do próprio latim, tripaliare, significando uma tortura através de um instrumento chamado tripalium.
“Na concepção cristã, o trabalho representava o pagamento do pecado, um ato de expiação que sugere necessidade, aflição e miséria.” ( ROHMANN, C.: 122)
Para cumprir a obrigação, manter meu corpo, até mesmo diante dos meus semelhantes, cruéis e desumanos irmãos terráqueos, mister encher minha mochila com band-aids. Assim é que em vez de sonhar e brincar, consenti em decorar díspares fórmulas, alcunhadas disciplinas, para que pudesse usá-las quando crescesse, ou seja, para depois de uns dez anos. O presente deveria ser empenhado em prol da responsabilidade pessoal e social.
Na longa viagem uma questão me vinha à mente: porque deveria adotar tantas medidas preventivas, especialmente em função dos lobos? De que serviam as leis? Por humanas, elas também não conteriam alguma alma, algum espírito, além das meras intenções utilitárias?
Abri o título, e nada encontrei; apenas mapas de como são feitas. Segui adiante. A porta da frente acolhia interessados, mas para tanto teria que esvaziar minha mochila. As quinquilharias que carreguei por anos a fio de nada teriam serventia. Matemática? Física? Química? Biologia? Isso tudo era peso-morto. Ademais, partes das peças restantes teriam que ser cortadas, por inúteis.
Resignado, sentindo-me já quase um idiota, não me restava alternativa. Embarquei no novo trem, cuja viagem demandaria no mínimo mais cinco anos sacrificando boa parte de minhas noites de festas, os jogos lúdicos, meu violão e a poesia, meus parcos recursos, e a convivência com meus pares, na promessa de que o destino me traria tudo de volta, e multiplicado. Bem já sabia que isso não era verdade - o tempo per se nos dissipa - mas a pressão social nos obriga seguir.

No longo percurso encheram minha mochila com o que era considerado de valor, mormente especiarias de tal Império Romano. Aprendi belos truques, mas entre os meandros e filigranas, ecoava o mantra da minha primária questão. No último dia deram-me a certidão - apto ao trabalho - e deram-se cumpridos à missão. Ora, para isso, para ganhar a vida com meu suor já estava pronto, e até praticando, há muito. E, francamente, já constatado no meio, pouco me adiantaria "vencer" na vida.
A visão materialista estabelece: mais dinheiro=vida melhor. Porém, tendo adquirido mais e tendo descoberto que o vazio permanece, a conclusão da premissa materialista está errada.
ARNTZ, W.: 30
O que se cumpria pois, era muito além de meu vaticínio: não obstante ter empregado a infância, boa parte de minha juventude, e não pouco dinheiro, recrudescia minha interrogação, agravada de outra: o que significa Justiça?
Nova portaria insinuava que os preceitos poderiam ser aproveitados, desde que me dispusesse a colar as peças em forma de puzzle. Isso naturalmente demandaria uma nova viagem, desta feita mais curta. Supus que nos tres anos pudesse divisar as duas facetas da moeda que eu procurava. Desta feita o Estado me pagaria o ticket pelo meu sacrifício de mudar de cidade, de amigos, deixar mulher e filhos vendo novelas e navios, enquanto eu tentava na noite vislumbrar algum clarão. Empenhado o novo tempo, o locutor anunciou:
"Esvaziem completamente suas mochilas. Estão repletas de obsolências, enganos, ideologias, ficções, artificialismos, parcialidades, dogmatismos e presunções. Nada disso corresponde à ciência. As exatas ministradas na juventude não são fidedignas, e as humanas beiram à desumanidade. Nenhuma lei tem espírito, exceto a vontade do legislador escolhido pela sociedade. Portanto, os ordenamentos são tão variáveis quanto as circunstâncias nas quais visam se impor, de maneira que a bagagem não tem a menor serventia."
E logo me veio outra razão:
O esforço natural de cada indivíduo para melhorar suas própria condição constitui, quando lhe é permitido exercer-se com liberdade e segurança, um princípio tão poderoso que, sozinho e sem ajuda, é não só capaz de levar a sociedade à riqueza e prosperidade, mas também de ultrapassar centenas de obstáculos inoportunos que a insensatez das leis humanas demasiadas vezes opõe à sua atividade.
SMITH, A.
cit. DOWNS: 56
Se desconfiara de minha péssima educação, um ministério para bobo partido em incontáveis fatias, apenas arbitrariedades, cacos de composições fantasmagóricas, completamente desconectadas da realidade, mas perfeitas ao sabor do feitor, agora lograva a mais completa certeza. Vá lá - antes tarde, do que nunca.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
FERNANDO PESSOA

O que de melhor, ao cabo, aprendi:
“Um conhecimento mais profundo é sempre acompanhado de uma abundância de razões coordenadas.”
(BACHELARD, G., A filosofia do não: 21)
É uma questão que atualmente deve ser reconsiderada, tendo em vista que a fragmentação já se espalhou completamente, não apenas na sociedade, mas especialmente em cada indivído; e isso conduz a um tipo de confusão generalizada da mente, que por sua vez cria uma série infinita de problemas, interferindo com a nossa clareza de percepção de maneira tão grave a ponto de bloquear nossa capacidade de resolver a maioria deles.
BOHM, David, Totalidade e ordem implicada: 17
Resta-me o conforto:
A inteligência prolongada da natureza e do ecossistema, a grante teia da vida, também trabalha através da coincidência e do sincronismo, como o faz a inteligência fundamental do universo.
CHOPRA, DEEPAK, 2005: 90
O Universo se vê integrado, e por isso fronteiras são inoportunas, demodè. Não se contém um óleo derramado no oceano, tampouco o gás de Chernobyl. As asas da borboleta sub-equatorial podem fazer chover na Califórnia. O roubo num banco americano deflagra a crise mundial. Não há lei capaz de preservar o tempo; tampouco a Amazônia.
A partir daí, passei encarar a hipocrisia ao largo. Dedico-me em périplo individual, sem destino pre-estipulado. Antes, todavia, convocado por ORTEGA Y GASSET, retornei àquelas ilusórias bases, no fito de detoná-las, para que não atraiam meus descendentes. Orgulho-me dos crimes cometidos contra os obstáculos epistemológicos: dezenas de exumações, em ataques ininpterruptos; porém, nem uma gota me caiu nos dedos. Ao mirar a obsoleta arquitetura das oxidadas plataformas jurídico-econômicas criadas e institucionalizadas pelos ocidentais, apelei apenas por bisturis demistificadores, a laser, (light amplification by stimulated emission of radiation), à primordial profilaxia, aragem preparatória ao plantio de um novo tronco, suficientemente oxigenado, um sustentáculo efetivo, motriz de um desenvolvimento "humano e sustentado".
Taxeando com a lente holística (abrangente da totalidade, somatório de disciplinas, apreciação globalizada), invadi pela aparelhagem do Estado. Deparei-me com mirabolantes criações, elucubrações provenientes do acúmulo de ilusões, artifícios da centelha acesa por PLATÃO, e oferecidos como dísticos científicos, por isso pretensamente lógicos. Ei-los pacientes do corte epistemológico (do grego episteme - saber ou ciência), e até do costume, porque para onde são estendidos esses trilhos só se chega à beira de penhascos.
Pois o chamado ‘fim da história’ nada mais é do que a emancipação da multiplicidade dos horizontes de sentido. Um desses desafios é o de repensar o pensamento científico, libertando-o de sua ganga positivista, de sua mania contábil, a fim de instalar em seu seio a argumentação filosófica capaz de regular as relações do conhecimento científico com as demais modalidades de pensamento e ação. Outro, não menos importante, é o de pensar a modernidade. Porque esta não é um momento datado da história, definindo uma época. É o nome de uma ruptura, de uma crise relativamente à tradição. Estamos diante de uma nova episteme: da indeterminação, da descontinuidade, do deslocamento, do pluralismo (teórico e ético), da proliferação dos projetos e modelos, da ampliação de todas as perspectivas e do tempo da criatividade.
JAPIASSÚ, H. :10
A mudança para um humanismo congraçado com a natureza, por isto mais sensível, solidário, e complementar, mostra-se tarefa inadiável, porém se faz prazerosa, envolvente, natural, facilitada ainda, pela conscientização disseminada.
O imperativo da melhor convivência do habitante com seu meio ambiente não pode olvidar, por óbvia extensão, o semelhante. Isto condiciona, pois, o aprimoramento das relações pessoais; por conseguinte, sociais. Em outras palavras: pelo respeito e consideração ao indivíduo (só por ele), chegamos ao resultado social e, por consequência, ecológico. Onde isto se ensaia, quando prolifera esta idéia que a todos convém, a economia é considerada apenas expressão numérica, não hegemônica; e a lei, explicação.

O desiderato se impõe independentemente de números ou códigos comportamentais (posto que infinitamente mais amplo), mas se faz também legal e legítimo, cientificamente correto e apreciado, em reversão por convergência, sem dialética, mas por somalética, dialógica pela qual a ética não se fratura.
“De fato, a vida no espaço cibernético parece estar se moldando exatamente como Thomas Jefferson gostaria: fundada no primado da liberdade individual e no compromisso com o pluralismo, a diversidade e a comunidade.” (NAISBITT: 96)
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* É aí que mostraremos causas de estagnação e até de regressão, identificaremos causas da inércia às quais daremos o nome de obstáculos epistemológicos (...) o ato de conhecer dá-se contra um conhecimento anterior, destruindo conhecimentos mal estabelecidos, superando o que, no próprio espírito, é obstáculo à espiritualização.
BACHELARD, G., 1996: 17
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Aprecie:
A razão do conhecimento




sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A descentralização das estações rodoviárias

A sociedade medieval era uma sociedade pluralista, posto ser constituída por uma pluralidade de agrupamentos sociais cada um dos quais dispondo de um ordenamento jurídico próprio: o direito aí se apresentava como um fenômeno social, produzido não pelo Estado, mas pela sociedade civil. BOBBIO, N., 1995: 27
A Revolução Industrial tudo mudou. A massificação foi um fenômeno não só aceitável, como louvado. Nas fileiras dos exércitos, e nas indústrias, o número de figurantes expressava a capacidade administrativa dos feitores, e a pujança do empreendimento.
Mercê do forte apelo gravitacional, as vilas se tornaram cidades, e estas em megalópolis, edificadas em arranha-céus.
No limiar do século passado o escocês PATRICK GEDDES formulou um estudo intitulado Bos-Wash. Referia-se à conturbação entre Boston e Washington. O vaticínio assinalava metrópoles viradas em necrópolis. Nem tanto, mas os grandes conglomerados padecem, notadamente no Brasil. .
Para ser bem sucedido em qualquer empreendimento,
seja ele público ou privado, é preciso inovar.
Mas, para inovar é preciso descentralizar.

PETERS, Tom, The Circle of Innovation
.
Aglomerações urbanas conservam alta densidade em seus centros. Não preciso enumerar o rol de contratempos inerentes. Curiosamente, todavia, não é o poder público que tenta minimizá-los. São comerciantes, industriais, prestadores de serviço que buscam alternativas descentralizadas para evoluir. Primeiro foram os shopping-centers, já com mais de meio-século; depois, se estabelecem grandes condomínios periféricos, até mesmo em dimensões quase citadinas. Proliferam-se lojas de bairros, jornais de bairros, secretarias de administração de bairros. A vida de bairro já não se considera marginalizada, fora dos acontecimentos. No entanto, alguns ícones permanecem pelo molde passado; e entre esses fulguram as estações rodoviárias.
Embora em algumas cidades haja concessões, os locais de embarque/desembarque são todos de iniciativa, e a maioria administrada sob a égide pública.
O que vemos? Logradouros sujos, depredados, mal-cuidados, antiquados. E a rigor, saturados. A população cresce vertiginosa, os meios de transporte lhe acompanham, mas os lugares são praticamente os mesmos. As estações requerem áreas sempre maiores, mercê da crescente concentração de gente e de veículos, nestes incluídos não só os coletivos, como os automóveis e táxis de sua órbita, e desse modo nosvos empreendimentos, ou mesmo ampliaçoes são paulatinamente dificultados.
As estações se constituem em pontos comerciais. A rigor, nada tem a ver com os poderes públicos. Há um alto faturamento não só dos transportadores, mas também de inúmeras lojas de conveniências, guichet de hotéis e agências de viagens, pequenos serviços, etc. Os mais modernos monumentos tem um padrão assemelhado a shoppings. São pontos de alta rentabilidade.
Assim como o poder público não intervém na construção de pontos comerciais, se antigamente havia, hoje não há mais razão para sua presença. Não há necessidade de desapropriações, tampouco de utilizar a arrecadação em proveito particular.
O esforço natural de cada indivíduo para melhorar suas própria condição constitui, quando lhe é permitido exercer-se com liberdade e segurança, um princípio tão poderoso que, sozinho e sem ajuda, é não só capaz de levar a sociedade à riqueza e prosperidade, mas também de ultrapassar centenas de obstáculos inoportunos que a insensatez das leis humanas demasiadas vezes opõe à sua atividade.
SMITH, A.
cit. DOWNS: 56
"A superioridade dos sistemas auto-organizadores é ilustrada pelos sistemas biológicos, em que produtos complexos são formados com uma precisão, uma eficiência, uma velocidade sem iguais." (Biebracher, C., Nicolis, G.; Schuster; Self Organizations in the Physico-Chemical and Life Sciences; Relatório EUR 16546, European Commission, 1995; cit. Prigogine: 75)
Como criar organizações que continuem vivas? Como criar organizações que não nos sufoquem com seus ditames de controle e obediência? A resposta é clara e simples. Precisamos confiar no fato de que nós temos a capacidade de organizar a nós mesmos e precisamos criar condições que favoreçam o florescer da auto-organização.
Whetlay; Kellner-Rogers,
Um caminho mais simples: 58
As novas estações poderiam ser implementadas pelos próprios transportadores, cada qual com seu terminal, onde bem lhes aprouver, consubstanciados pelo ingresso/participação de incontáveis lojas e serviços conveniados. Naturalmente não pode mais haver os costumeiros monopólios de linhas, aliás um disparate só consentido em função de investimentos em campanhas políticas feito pelos titulares. Em país de livre iniciativa, qualquer reserva de mercado, nada mais do que um protecionismo mercantilista, obviamente traz prejuízo ao próprio povo.
O poder de descentralização deriva do fluxo de novas idéias,
imagens e energia para todas as partes do organismo.

FERGUNSON, M.:
210
Tal estratégia propicia a interação de muitos agentes atuando em paralelo. As ações de um agente em particular serão resultado de sua expectativa em relação ao que os outros agentes irão fazer, e conforme a identificação de demanda. Os agentes antecipam e co-criam o mundo à sua volta, sem requerer uma entidade global controladora das interações ou que tenha prévio conhecimento da estrutura global do sistema. O controle é feito pelo processo de cooperação e competição entre os agentes e medido pela presença da clientela. Como consequência desta interatividade, obtemos contínuas revisões de comportamentos, ações, e produtos, à medida que os agentes ganham experiência - o sistema está em constante adaptação. O elemento surpresa e a chance permitem que o sistema tenha muitas soluções e aproveite novas oportunidades. Por fim, ampliam-se as chances de novidades, com o ingresso de novos empreendimentos satélites, agregados, ou substanciais.
Os aeroportos também podem seguir o mesmo padrão. Pelo menos no "campo de aviação" não sofremos monopólios. É o que veremos.


quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Entre a força e a inteligência


Existem tempos nos quais os homens são tão diferentes uns dos outros que a própria idéia de uma mesma lei aplicável a todos lhes é incompreensível.
TOCQUEVILLE, A.
1997, Livro Primeiro, Capítulo III: 61

Se o Universo oferece possibilidades infinitas, onde praticamente não existem limites, entre nós podemos ou devemos adotar o mesmo padrão? Como não impor limites à criança, ao tráfico, à ganância, à condenável corrupção? E logo agora, com o mundo infestado de piratas? Vá lá que Universo não se corrompa, mas o ser humano não apresenta facetas que requerem cuidado? Ora, ninguém é anjo, que dirá perfeito. E pelo fato de cada cabeça portar uma sentença, não há que se impor uma regra, um denominador comum que a todos proteja?
Eis excelência à obra completa. Não são poucos os ângulos pelos quais podemos apreciar tão gigante quanto decisivo dilema.
Vejamos o que dizem os astros..
O curso natural das coisas não pode ser inteiramente dominado pelos esforços impotentes do homem, pois a corrente é demasiada rápida e forte para que a interrompa; e posto as regras que a orientam aparentem ter sido estabelecidas para os melhores e mais sábios propósitos, às vezes produzem efeitos que escandalizam todos os nossos sentimentos naturais.
SMITH, Adam, 1999: 204
A liberdade desenfreada tende a libertinagem, ao amoralismo e abuso. Per se o caos turva a harmonia social, e assim, o que não se limita seria o próprio limite da felicidade. Com essas candentes razões o liberalismo sempre encontrou ferrenhos opositores, a rigor exitosos. Apenas alguns filósofos mais amalucados não percebem a imperiosidade do estabelecimento de limites, de regras, ainda mais em meio social. Mesmo os mais autênticos liberais propalam que a liberdade de cada um vai até onde começa a do outro. Pois eu digo que a imposição da ordem, dos limites, acarreta danos sociais de maior monta. E digo mais: a inserção do limite é que incita o gajo a sobrepujá-lo. À ousadia sustento-me na quadra: Filosofia, Ciência, História, e Atualidade.
Das duas anteriores já elaborei uma perna mais longa, esta que despertou a oportuna interposição lusa, mas não custa mais um diminuto feedback.
Conceitos sobre o Universo e costumes sociais costumam andar de mãos-dadas. Presumia-se que a força era senhora da razão. Esparta sobrepujou Atenas, e sua versão ampliada tornou Roma hegemônica. Uma pequena alteração, dando conta do caráter teleológico do Universo, reprimiu os povos por tementes do plano, e assim todos se submeteram em respeito à Entidade Superior:
O antigo direito não é obra do legislador;
o direito, pelo contrário, impõe-se ao legislador.

COULANGES, Fustel: 100
Normalmente mentiras tem pernas curtas, mas essa do Grande Arquiteto varou milênio. Quando flagrada a estratégia, o mundo retornou à vaca-fria: evidentemente era o jogo de forças que dominava o cosmos, e, portanto, tudo o mais.
"A ciência havia destronado a teologia, colocando no altar a deusa da Razão." (SOARES, M.P.: 25)
E lá se foi o homem a provar e medir intensidades e relações de força - da gravidade, dos exércitos, do capital, da raça. Como representante máxima, nascia a "política realista", de MAQUIAVEL. MARCÍLIO MARQUES MOREIRA (O Pensamento Político de Maquiavel:14) o retrata:
“O secretário da República florentina era amigo das leis e teórico empírico da força.”
Força, não se discute, é conceito de Física. Ainda mais força-bruta.
Há muito estou convencido da importância de aprofundar a teoria
das forças sociais que podemos comparar, em larga medida, às forças
da dinâmica que agem sobre a matéria.
SOREL, G., Greve Geral Política: 195
SOREL compunha um hino à heresia. A matéria não é regida por forças, mas por relações, isto é, por informação.
Em nosso século, o estudo da constituição atômica da matéria revelou que a abrangência das idéias da física clássica apresentava uma limitação insuspeitada e lançou nova luz sobre as demandas de explicação científica incorporadas na filosofia tradicional. Portanto, a revisão dos fundamentos para aplicação inambígua de nossos conceitos elementares, necessária à compreensão dos fenômenos atômicos, tem um alcance que ultrapassa em muito o campo particular ciência física.
BOHR, Niels, Física atômica e conhecimento humano: Introdução.
"O conceito científico do tecido do universo tem de mudar. A recém-confirmada teoria de Einstein exigirá uma nova filosofia do universo, uma filosofia que vai varrer quase tudo o que se tem aceito até agora." ("Fabric of the Universe"; The Times de Londres, editorial de 7/11/1919)
"O núcleo do novo paradigma é o reconhecimento de que a consciência, e não matéria, é o substrato de tudo que existe." (GOSWAMI, A. )
A humanidade, entretanto, já havia partido rumo à estupidez, e ninguém deu ouvidos à realidade.
Por isso não é de estranhar que muitos universitários ainda imaginem Einstein como uma espécie surrealista de matemático, e não como descobridor de certas leis cósmicas de imensa importância na silenciosa luta do homem pela compreensão da realidade física. Eles ignoram que a Relatividade, acima de sua importância científica, representa um sistema filosófico fundamental, que aumenta e ilumina as reflexões dos grandes epistemologistas - Locke, Berkeley e Hume. Em conseqüência, bem pouca idéia têm do vasto universo, tão misteriosamente ordenado, em que vivem.
BARNETT, L. O universo e o Dr. Einstein: 12
Finalmente aportamos na anunciada Era de Aquárius. Pessoas custam acreditar em astrologias, o que fazem muito bem, mas a evolução é característica universal, e o inexorável apresenta o iceberg. Não há como enfrentá-lo, senão contorná-lo.
O estudo de como surge a ordem, não em conseqüência de um decreto de cima para baixo da autoridade hierárquica, seja política ou religiosa, mas como resultado de auto-organização por parte de indivíduos descentralizados é um dos acontecimentos mais interessantes e importantes de nossa época.
FUKUYAMA, F., 2000: 18
Não a força, mas a inteligência se faz premente, e regente:
Acredito que quem estiver entrando no caminho da iluminação será absolutamente impecável em tudo o que fizer. E por causa do medo da condenação? Não. Ou de punição de Deus, ou porque pequei e não alcancei o perdão? Não, não, não. Os verdadeiros iluminados verão que toda a ação tem uma reação com a qual eles terão de lidar, e se formos sábios, não faremos coisas que nos levarão a ter deenfrentar resolver e equilibrar isso em nossa alma mais tarde. Esse é o verdadeiro critério.
LEDWIN, M., cit. ARNTZ, W.: 203
Dito isso, se limites são prescindíveis e/ou produzem até mesmo efeito contrário ao proposto, o que garante que sem limites a coisa não fique ainda pior?
“Para falar em termos fisiológicos: na luta com o animal, torná-lo doente é talvez o único meio de enfraquecê-lo.” (NIETZSCHE Crepúsculo dos ìdolos, ou como filosofar a marteladas: 54)
O maniqueísmo pode ser suplantado, não por síntese, mas pela ética, e pela inteligência que a preserva.
Esta organização não pode ser abandonada à iniciativa dos governos: será alcançada quando os povos tiverem uma vontade firme e ativa, porque é renovação radical de todas as antiquadas tradições politicas. A compreensão e a vontade de resolver o problema estão-se generalizando. Acredito na influência de um individuo sobre outro e acredito no processo de seqüência e encadeamento entre os homens.
EINSTEIN, A., Fala Einstein sobra o futuro da humanidade, Folha da Manhã, 4/3/1949
"De fato, a vida no espaço cibernético parece estar se moldando exatamente como Thomas Jefferson gostaria: fundada no primado da liberdade individual e no compromisso com o pluralismo, a diversidade e a comunidade.” (NAISBITT, J., Paradoxo Global: 96)
Have a nice day.
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Dos obstáculos epistemológicos *




quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A Razão do Conhecimento - Final


Cada passo dado pela mente em seu progresso na direção do Conhecimento revela, ao menos por ora, algum descobrimento não só novo
como o mais apropriado.

JOHN LOCKE
Acho que posso afirmar com segurança que ninguém entende a mecânica quântica.
RICHARD FEYNMAN, Prêmio Nobel de 1965 pelo desenvolvimento da eletrodinâmica quântica
Escolas adestram, profissionalizam, elevam o ser à função social, mas não se atém em desenvolver a arte, a intuição, o intelecto, o senso crítico, a personalidade, a criatividade.
A ideia orientadora é ‘moldar’ os alunos para o mundo fabril que os espera, usando técnicas semelhantes a uma linha de montagem; salas de aulas isoladas e limitadas em recursos; mesas e cadeiras alinhadas em filas;
o professor desempenhando a função de dono e empregador principal do conhecimento; e a apresentação da informação limitada aos livros-texto e do quadro negro duma forma linear e sequêncial.’
João Pedro Matos da Costa
O taylorismo produz enorme quantidade de peças com certificados de garantia de bons serviços à uma máquina que elas próprias ignoram como funciona, e para o quê funciona. Gente requer muito mais:
"Tudo o que é humano é ao mesmo tempo psíquico, sociológico, econômico, histórico, demográfico. É importante que esses aspectos não sejam separados, mas concorram para uma visão 'poliocular'." (MORIN, Edgar, Contrabandista dos saberes, cit. PESSIS-PASTERNAK: 86)
Haveria alguém que logrando contemplar a totalidade gnoseológica, pudesse dirigir a civilização, e neste caso, livrar os peões da obscuridade animalesca?
Não poucos se apresentam capazes:
O grande papel com que sonham os monstros sagrados da política é o do grande homem. O Salvador. O chefe providencial, genial, médium do espírito nacional. O profeta de sua raça.
SCHWARTZENBERG, Roger-Gérard,
O Estado Espetáculo: 11
Quem dera fosse este em alguma vez o real motivo!
A realização da proeza, da salvação, contudo, não é tarefa de nenhum condutor, porque tirante atos de guerras, nenhuma salvação pode acolher toda a sociedade. A soma das consciências solapa qualquer consciência.
"Não um único ideal para todos os homens, mas um ideal diferente para cada homem é o que deve ser alcançado, se possível." (RUSSELL, B., Ideais Políticos: 10)
O notável pleito se deve em razão dos sonhos serem pessoais, e o caminho da felicidade conserva a mesma estreiteza. Tivesse tal luz alcançado o Reno, certamente não teríamos o triste desfecho comunitário nazista.
A incumbência e o usufruto da vida pertencem ao vivente; portanto, não admite encomendas. Ninguém é legítimo para traçar o destino para você. A rigor, não há segundo competente para salvá-lo. As inúmeras escolhas que diariamente efetuamos dependem de nossa capacidade de discernimento, e de mais ninguém, nem mesmo de algum demiúrgo, ou bemaventurado. O conhecimento padronizado não forma, mas a todos enforma.
A vantagem competitiva de uma sociedade não virá da eficiência com que a escola ensina a multiplicação e tabela periódica, mas do modo como estimula a imaginação e a criatividade.
EINSTEIN, A., cit. ISAACSON, W.: 26
É a diversidade que conduz à associação; quanto mais perfeita é a organização social, quanto mais variado o exercício das faculdades físicas e intelectuais, tanto mais se acentuam os contrastes sociais mais se eleva o homem.
TOFFLER & TOFFLER
: 122
No entanto, o que vemos?
O curso de Direito é e deve ser para a massa.
Secretária de Ensino Superior do Ministério da Educação
BUCCI, Maria Paula Dallari Bucci, in Conjur - 22/4/2009

Para o Judiciário, analfabeto em economia, um marco era um marco,
independentemente de quantos zeros aparecessem na nota.
LEVENSON: 325

O sistema educacional do Brasil está em desarranjo. Nos testes de desempenho acadêmico realizados a cada três anos pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) com jovens de 15 anos de 57 países, os estudantes brasileiros ficaram na quarta pior colocação em ciências e na terceira pior em matemática.
Falta de mão-de-obra ameaça crescimento do Brasil, diz 'NYT'; Estadão,
2/7/2008
Estas anomalias ocorrem por imputarmos ao Estado e aos religiosos a obrigação de educar. Supomos que eles mereçam confiança. O Leviathan reconhece e regulamenta as profissões, e por isso mantém o pressuposto que seja o mais apto para estipular o que se deve, e como se deve adquirir o conhecimento. Em face desta pretensa obviedade ele lava as mãos diante do ministério religioso, e se lava todo em cima do povo:
As autoridades eclesiásticas foram substituidas por indivíduos que em vez de utilizar o método testado e aprovado de queimar na fogueira, usam o poder das universidades, das agências governamentais de fomento e da mídia de mentalidade estreita. Essas pessoas, em vez de ameaçarem a vida propriamente dita daqueles cient´pistas 'heréticos', ameaçam seu meio de vida demitindo-os, negando-lhes promoções ou nomeações, retendo dinheiro de pesquisa, ridicularizando aqueles cujas idéias e projetos de pesquisa não se encaixam na ideologia em voga.
ARNTZ, W.: 28

Sem dúvida, o âmbito teórico é uma determinante para o surgimento da diversidade interpretativa, mas o interesse de caráter político-universitário é outro fator decisivo. O meio acadêmico é atravessado por redes de poder. Então, quando uma imagem do filósofo é construída, ela também é determinada pela tensão dessas forças.
MARTON, Scarlett, Titular de Filosofia Contemporânea da USP, in revista Filosofia: ciência e vida, n. 39: 17

Todd Martin me disse sussurrando que o tema da palestra - as dificuldades que o ensino público americano vem passando - era a razão crucial, ainda que pouco conhecida, da Crise Econômica
FRIEDMAN, Thomas L., Terra Magazine
Nossos desejos obrigatoriamente se submetem à precariedade física natural, ao meio social, e ao Universo, enfim, mas, insisto, o traçado é prerrogativa pessoal.
“Uma formiga submete-se a seu destino; um ser humano modela o seu.(FERGUNSON, M.:160)
O conhecimento serve para esta modelagem, mas ao feitor devemos ser úteis à sociedade que ele próprio constrói, antes de qualquer outro ideal. A realização da nossa felicidade neste caso tem que coincidir, o que, convenhamos, não passa de resignação a força maior. O ministério ajuda a resolver como e até porque fazer; mas não instrui sobre o quê fazer.
Cada ciência, é claro, deve debruçar-se sobre o capítulo de sua competência. Mas qual delas nos proporciona uma visão de conjunto, revelando uma significação, sentido... o tecido do acontecimento? E como fará se o livro ainda está se escrevendo e não foi lido?
CHARDIN, Teilhard, cit. ARCHANJO, , Ph.D. Prof. J.L, : 49
O indivíduo é o senhor de sua mente, e para onde dirigir sua atenção, é ali que ele irá se desenvolver. Portanto, a condição fundamental de acesso à realização pessoal não é "como fazer os valores", mas a exposição dos valores, para que se possa colapsar a opção mais apropriada à personalidade, e às virtuais circunstâncias.
E o que leva a ignorância?
Só acarreta sofrimento. Por ela tomamos decisões que podem turvar não apenas o presente, como até mesmo o passado, ao se dispor mal interpretado, e o futuro, comprometido nos pedregulhos da equivocada jornada.
O conhecimento serve para antecipadamente divisarmos o que nos dá prazer, e o que devemos evitar para não causar a dor. Confrontamo-nos a cada passo com esse paradoxo, surgido de todos os quadrantes. A tarefa de previamente identificar os polos, antes de qualquer acolhimento ou rejeição, é o que move o processo evolutivo. Quanto mais conhecimento alguém detiver, mais chances terá de acertar. O contrário, obviamente, é implícito. Não obstante, redes neurais se desenvolvem como os músculos: caso ativadas, se ampliam; estagnadas, atrofiam.
O valor da educação universitária não está em aprender muitos fatos,
mas em treinar a mente para pensar.
EINSTEIN, A., cit. ISAACSON, W.: 513
Num mundo em que a grande maioria do trabalho pode ser feito por computadores, robôs e estrangeiros habilidosos de forma mais rápida e barata, ser um profissional mediano não é suficiente. É preciso ser mais arrojado, inventar mais, mostrar que consegue inovar. Portanto, nossas escolas têm uma tarefa árdua pela frente - não só melhorar a leitura, escrita e aritmética dos alunos, mas encorajar neles o empreendedorismo, a inovação e a criatividade.
PINK, D., O cérebro do futuro.
As melhores fontes ao exercício dessas liberdades não são estáticas, predeterminadas. Elas residem na natureza quântica da matéria, na formulação quântica do conhecimento, e na opção ideal do agente, jamais do "fornecedor".
Na rotina diária, nem sempre percebemos que tudo que existe é de certa maneira controlado por forças e interações invisíveis aos olhos. Nossa própria existência, do nascimento até a morte, é influenciada por essas forças. Elas controlam as menores partículas subatômicas e as grandes galáxias a bilhões de anos-luz de distância.
OLIVEIRA, A.,
Depto Física, Univ. Fed. de S. Carlos - http://cienciahoje.uol.com.br/133058

Nossa penetração no mundo dos átomos, antes vedado aos olhos do homem, é de fato comparável às grandes viagens de descobrimento dos circunavegadores... Essa descoberta, com efeito, gerou uma novíssima base para que se compreenda a estabilidade intrínseca das estruturas atômicas, a qual, em última instância, condiciona as regularidades de todas experiências corriqueiras.
BOHR, N.,
Física atômica e conhecimento humano: 30

Apreciações holísticas, no mínimo binárias, interativas, delineam o mosaico pelo qual escolhemos a realidade querida. O estudo integral é mais humano, porque não vivemos só em busca de alimento, moradia e saúde. O mapa à vida requer ser unificado, menú de superposições, diz-se por vários cenários, no fito ensejar o indivíduo colapsar o reduto de sua melhor conveniência.


terça-feira, 3 de novembro de 2009

A razão do conhecimento - Introdução


É necessário que a ciência mostre por fim sua utilidade! Ela se tornou nutricionista a serviço do egoísmo: o Estado e a sociedade a tomaram a seu serviço para explorá-la segundo seus fins.
NIETZSCHE, F., O livro do filósofo: 30
Visito a Wiki. O oráculo expressa o melhor do senso comum, e assim posso colher reais parâmetros às teóricas considerações. O Delfos elenca vários tipos de conhecimento: Sensorial, Intelectual, Vulgar/Popular, Científico, Filosófico, Teológico, Intuitivo, e outras subdivisões.
Um conhecimento adquirido por experiência pessoal, quiçá o mais marcante, não aparece na tela. Existiriam ainda inumeráveis formas e modalidades, se quiséssemos as fontes. Presumo, entretanto, não vir ao caso,
tanto quanto julgo temerário estabelecer fronteiras ao conhecimento.
A Universidade deveria ofertar um conteúdo que ela própria classifica superior, mas se limita no ensino de práticas profissionais. Por visar a formação de mãos-de-obra, ela se põe a nível médio, para não taxar medíocre, eis que o cérebro fica acima dos ombros. Como o trabalho é dividido entre os homens - a cada um correponde uma tarefa - ela trata de prepará-los através de especializações, faculdades per se excludentes.
O mundo platônico não é um mundo de unidade, e o abismo que, de diversas formas, resulta dessa bifurcação, surge em inúmeras formas.
KELSEN, H., 2001: 81
Ainda assim, a gregória ostenta a predisposição de universi. A Universidade nada une, apenas separa. Diversidade ser-lhe-ia mais apropriado.
Não é apenas o trabalho que é dividido, subdividido e repartido entre indivíduos, é o próprio indivíduo que é esfacelado e metamorfoseado em motor automático de uma operação exclusiva, de sorte a encontrarmos realizada a fábula absurda de Menenius Agrippa, representando um homem como fragmento de seu próprio corpo.
MARX, Karl & ENGELS, Friederich, Formas pré-capitalistas da produção. - Rio de Janeiro: Escriba, 1968: 34
Cabe-nos decidir pelo trilho que julgamos mais compatível, e assim descartamos tudo o mais.
Se cotejarmos com o tanto desprezado, o que resta não faz jus à titulação.
Não se ministra conhecimento. Ao contrário, os programas demonstram o tanto que falta.
É uma questão que atualmente deve ser reconsiderada, tendo em vista que a fragmentação já se espalhou completamente, não apenas na sociedade, mas especialmente em cada indivído; e isso conduz a um tipo de confusão generalizada da mente, que por sua vez cria uma série infinita de problemas, interferindo com a nossa clareza de percepção de maneira tão grave a ponto de bloquear nossa capacidade de resolver a maioria deles.
BOHM, D.,
Totalidade e ordem implicada: 17
Em vez de propiciar crescimento, o piquete nos emburrece:
Não é suficiente ensinar a um homem uma especialidade. Através dela ele pode tornar-se uma espécie de máquina útil mas não uma personalidade desenvolvida harmoniosamente. A sobrecarga necessariamente leva à superficialidade.
EINSTEIN, A., cit. PAIS, Abraham, Einstein viveu aqui: 271

Num jogo com bola não há elemento mais importante do que a própria. No entanto, se a câmera focá-la com exclusividade, ninguém entenderá nada do que se passa. Do mesmo modo, quando os vetores e o campo responsáveis pelo objeto de estudo são desdenhados, a conclusão dificilmente espelhará a realidade, que é abrangente, randômica, emaranhada por múltiplas influências.
Se todas as partes do universo são solidárias numa certa medida, um fenômeno qualquer não será o efeito de uma causa única, mas a resultante de causas infinitamente numerosas; ele é, como se diz com freqüência, a conseqüência do estado do universo um momento antes.
POINCARÉ, H., : 36
Dessartes, a academia ministra apenas técnicas de aplicação limitada, ainda por cima discutíveis, marcadamente ideológicas, apenas toleradas em função da exiguidade de tempo.
"A natureza pública da educação se afirma em função dos interesses do estado e do modelo econômico, como também por constituir eficiente mecanismo de ação política." (RANIERI, (Autonomia Universitária. São Paulo: Edusp: 37)
Segundo esta concepção, o ser humano individual não é senão uma parte da sociedade de que ele é membro. O indivíduo existe para a sociedade e não a sociedade para o indivíduo. Por conseguinte, o que é significativo e importante, na vida humana, não é o desenvolvimento espiritual das almas, mas o desenvolvimento social das comunidades. Na minha opinião, esta tese não é verdadeira; sempre que tem sido considerada como tal e colocada em prática, tem produzido enormidades morais. A asserção de que o indivíduo é uma simples parte do todo social pode ser verdadeira quando se trata de insetos sociais - abelhas, formigas e térmites - mas é falsa quando se refere a quaisquer seres humanos que conhecemos.
TOYNBEE, A.J., Estudos de História Contemporânea: a civilização posta à prova 217.
A rigor, o tempo não é exíguo; todavia, comprometido com aquele viés, torna-se pessimamente aproveitado. Aliás, o desperdício ocorre já a partir da infância, quando a faina utilitarista obriga a criança a decorar fórmulas que, na melhor das hipóteses, serão aproveitadas depois de uns dez anos. Na pior, estarão obsoletas. Não por acaso o índice de evasão avança em escala aritmética. De todo modo, o Universo contém amplitude inalcançável. A gente na faculdade ingressa visando apenas o que interessa. Ela corresponde:
"Os bens são adquiridos com dedicação; porém, não há empenho algum pela pessoa que os vai possuir." (ERASMO DE ROTERDÃ, idem: 27)
Seremos consagrados vencedores se cumprirmos os preceitos de sobrevivência?
Para uns e outros não havia dúvidas:
A sociedade grega e romana se fundou baseada no princípio da subordinação do indivíduo à comunidade, do cidadão ao Estado. Como objetivo supremo, ela colocou a segurança da comunidade acima da segurança do indivíduo. Educados, desde a infância, nesse ideal desinteressado, os cidadãos consagravam suas vidas ao serviço público e estavam dispostos a sacrificá-las pelo bem comum; ou, se recuavam ante o supremo sacrifício, sempre o faziam conscientes da baixeza de seu ato, preferindo sua existência pessoal aos interesses do país.
TOYNBEE, A. J.: 196
Passados tantos massacres, cataclismas, e frustrações, bem cabe o abandono da loco motiva:
A visão materialista estabelece: mais dinheiro=vida melhor. Porém, tendo adquirido mais e tendo descoberto que o vazio permanece, a conclusão da premissa materialista está errada.
ARNTZ, W.: 30
Pois em todos os casos supra elencados, com exceção do ranço teológico, primamos por pautas de insetos e quadrúpedes:
Nas sociedades dos irracionais (das abelhas, formigas, térmitas, etc.) a defesa da espécie parece ser o objeto soberano. Desinteressada e indiferente, mantém-se a comunidade, ante a sorte individual de seus componentes. Em verdade, nesses agrupamentos, os indivíduos são apenas partes de um todo e, em conseqüências, integralmente submetidos aos interesses da sociedade global.
TELLES Jr., Goffredo, O Direito Quântico: 255
A humanidade em geral sente-se inclinada a pôr os pés sobre as pegadas e imitar as ações dos outros. Um homem inteligente deve sempre seguir no rastro desses ilustres personagens cujas ações são dignas de serem imitadas: assim, se não puder igualá-las, pelo menos, em certa medida, assemelhar-se-á a elas.
MAQUIAVEL, O Príncipe
À criança, de fato, qualquer exemplo tem maior eficácia que uma explicação. Seu cérebro ainda não suporta concatenações. "Uma imagem vale por mil palavras," e os pais lhes ensinam mostrando os processos mais elementares. Já na adolescência, entretanto, há uma espécie de revolta contra o mundo, misturada com alta dose de insegurança, justamente porque o indivíduo se dá conta que lhe compete gerir as rédeas para onde lhe convém. Ele ainda não sabe ao certo se tamanha prerrogativa não lhe acarretará o próprio infortúnio, mas a dúvida lhe incita ao experimento. A relação da tentativa com o erro lhe faz crescer, mas o receio de alguma amarga repetição pode torná-lo arredio, e desse modo preferir embarcar numa carruagem, na cortesia do Estado, ou da religião, onde poderá viajar dormindo, ainda que desconheça o destino da benemerência.
A função das estatísticas, dos jornais, da publicidade indicam a certeza apenas pelo número de crentes. Tudo que é popular prevalece como verdade por retroalimentação. Até mesmo uma mentira, se repetida, assume crédito. Quando o anúncio indica o melhor hamburger da cidade, e para lá acorre a multidão, como duvidar da Vox Populi, a Voz de Deus?
Pois resta, como de costume, convocar nosso artilheiro de proa:
O estudo da sociedade é tão precioso porque o homem é
muito mais ingênuo como a sociedade do que como indivíduo.

NIETZSCHE, F., Vontade de Potência - Parte 2: 276
Os pastores bem conhecem a cartilha:
Por isso, um príncipe cauteloso deve conceber um modo pelo qual os seus cidadãos, sempre e em qualquer situação, percebam que ele e o Estado lhes são indispensáveis. Só então aqueles ser-lhe-ão sempre fiéis.
MAQUIAVEL, N., O Príncipe, D' EELIA, Antônio: 15.
A fidelidade a tão nobres ideais corresponde a alienação da própria existência.
A busca de segurança é uma ilusão. Para a tradicional sabedoria ancestral, a solução deste dilema está na sabedoria da insegurança, ou na sabedoria da incerteza. Isso quer dizer que a busca de segurança e de certeza é na verdade, um apego ao conhecido. E o que é ele, afinal? O conhecido é nosso passado. O conhecido nada mais é que a prisão dos velhos condicionamentos. Não há nenhuma evolução nisso - absolutamente nenhuma. E quando não há evolução, há estagnação, desordem, ruína.
CHOPRA, Deepak, As Sete Leis Espirituais do Sucesso: 77
Não por acaso NIETZSCHE detona a civilização dos macacos, e conclama pelo Super-Homem - um ser que exceda a parca condição artificialmente introjetada à massa, para submetê-la.

A Razão do Conhecimento - Final





segunda-feira, 2 de novembro de 2009

A impossibilidade da morte - Final

Nossa passagem pela crostra terrestre acarreta uma espécie de "distribuição randômica de sentimentos":
O mundo é uma rede complexa de inter-relações na qual as categorias de sujeito e objeto se fundem, embotando as distinções dualistas tradicionais.
FOWLER, D. R., Einstein´s Cosmic Religion 1979; cit. JAMMER, M.: 103
Na teoria de cordas as partículas elementares correspondem a diferentes formas de vibracão de cordas que se propagam no espaço. A interação entre partículas corresponde à interação entre cordas.
BRAGA, Nelson Ricardo de Freitas. -
http://omnis.if.ufrj.br/~braga/cordas
* * *
O Universo é um holograma. Somos uma gota no oceano. O que acontece com o oceano, acontece na gota. O que faz a gota, sente o oceano. Tudo no presente.
Pelas ondas produzidas viaja a informação. E pelo fato de ser o elemento primordial, qualquer movimento - ainda mais se de potência genética - repercute do início à proa do EspaçoTempo.
A partícula ao se propagar pelo espaço emite um campo que informa esse seu movimento no sentido de um 'abre-alas que eu quero passar' (como se fosse um empurrar a distância). Literalmente falando, ela empurra a distância tudo o que está a sua frente, e certamente receberá uma reação dinâmica conveniente (o que pode até mesmo provocar uma reflexão total
MESQUITA FILHO, Adroaldo, Debates 'Ciencialist 2003' a respeito de uma Nova Teoria a propor as bases para o entendimento da Natureza Íntima da Matéria www.ecientificocultural.com/ECC2/Dialogos
"Isto faz dos seres vivos elementos numa vasta rede de inter-relações que abarca a bioesfera de nosso planeta – que em si mesma é um elemento interligado dentro das conexões mais amplas do campo psi que se estende pelo cosmos." (LASZLO: 198)
Esta consciência, ou seja, esta ciência do encontro só depende de nossa atenção ao quadrante objetivado.
Nesse caso, os neutrinos que criamos em nosso organismo podem ter a nossa marca e podem estar fazendo a nossa interação com o universo. Podem estar levando nossa mensagem, mostrando nossa existência e o que somos, do mesmo modo que a luz das estrelas nos faz tomar conhecimento de sua existência.
ANDREETA, José Pedro e ANDREETA, Maria de Lourdes, Quem se atreve a ter certeza? A realidade quântica e a filosofia: 162.
O certo é que os mortos em algum momento viveram, e nesta prerrogativa projetaram suas luzes. Embora não se vislumbre, eles e elas convivem conosco.
O folclore relata o encontro entre o matreiro político e o filho do eleitor:
- Garoto, como vai seu pai?
- Mas Dr. ALKIMIN, meu pai faleceu há cinco anos!
- O quê? Morreu para você, seu filho ingrato, porque para mim continua vivo no meu coração!

* * *
Queiramos ou não, tudo se insere.

Existe todo um domínio da Física chamado setor oculto que nos é dado pela teoria das supercordas. Ele é um mundo em si mesmo. Ele permeia esse espaço, nós andamos através dele. Em princípio, podemos até vê-lo de forma difusa. Isso provavelmente é o que chamamos de mente. Provavelmente existem corpos-pensamento e pensamentos que vivem. Lá como as criaturas físicas vivem aqui.
HAGELIN Ph.D, John, cit. ARNTS & outros: 88
Graças a ignorância consubstanciada pela mística impregnação, todavia, poucos sabem disso.
Podemos julgar uma filosofia por seus frutos. A visão reducionista-mecanicista-materialista cultivou inúmeras dicotomias, cismas, fragmentações, alienações: alienação de si (o vácuo espiritual) e, por conseqüência, dos outros; alienação da natureza (autômatos não podem sentir muito por outros autômatos - se somos apenas máquinas, podemos muito bem nos apoderar do máximo possível, conquistar e explorar a natureza por completo); a dicotomia entre conhecimento e valores, meios e fins, mente e matéria, universo de matéria e universo de vida, entre ciências e humanidades, entre ricos e pobres, industrializados e de Terceiro Mundo, entre gerações presentes e gerações futuras.
LEMKOW, A.: 15
Mera máquina ambulante, você não correria o risco de se apaixonar por uma torradeira mais elegante?
O que governa a dinâmica da natureza, inclusive em seu aspecto mais material, na física, não é uma ordem rígida, predeterminada. Nem tampouco uma dialética entre contrários em luta, que leve a síntese, até que se produza uma nova antítese, como na visão dialética marxista rechaçada também pela genética, segundo diz MONOD. É precisamente uma interação - que já existe nos níveis materiais mais elementares entre o aspecto onda e o aspecto corpúsculo - o que impulsiona a dinâmica da natureza. Assim o mostram as relações de mecânica ondulatória, que explicou LOUIS DE BROGLIE, síntese genial que tornou possível, como diz RUEFF, uma filosofia quântica do universo, aplicável não somente às ciências físicas, senão também a todas as ciências humanas.
GOYTISOLO, Juan Vallet,
Interações
Curiosamente, o pleito por misericórdia dissipa a intenção. Ademais, perfeito não tem desejos, nem é suscetível a apelos. Caso lhe falte o ente querido, permita-me sugerir: apenas oriente seu pensamento de acordo com a lembrança que retém. A mensagem irá e voltará surfando pelas ondas cerebrais. Se quiser encorpar a atenção, converse diretamente com ele, em vez de rezar por ele. A reza invoca a terceira entidade, imaginária, obviamente. E mesmo que não fosse, o encaminhamento da prece rumo ao abstrato dispersa a concentração necessária para a formulação da ponte, porque reparte o pensamento. Provavelmente por causa disso é que CRISTO surgiu - para ser um ícone catalizador energético - coisa impossível a DEUS, que pela onipotência está em todo lugar. De fato, a Idéia delineada em shape humano garantiu não só a reversão do bruto Império Romano para um paradigma mais ético, e portanto, mais eficaz, como também propiciou a Pax Beneditina por todo período medieval. Não querendo ofender a ninguém, entretanto, meu monitor desconfia da real existência do Homem Marco-zero da contagem do tempo. A inatacável personalidade pode ser fruto da maior forja pela qual o ocidente se dobra, arrastando, inclusive, muitos povos do outro lado da Terra. Seja como for, ao invocá-Lo arriscamos diluir a energia empregada à interação que visamos. Se nos endereçarmos diretamente a quem tivemos o privilégio de conviver, ou de fato conhecer, as possibilidades de êxito se tornam mais plausíveis, justamente pela concentração de nossos desejos em único alvo.
Após a tentativa de contato aguarde a virtual resposta. Ela tende a se manifestar de modo imediato, da mesma maneira que, desprovido de qualquer educação religiosa, mas tampouco nos permitindo identificar sua trajetória, o eletron realiza a mágica de cambiar sua órbita quando premiado com nossa observação.
Saudemos a impropriedade dos Finados. O contínuo EspaçoTempo - a Eternidade - assegura a presença de todos. Cabe-nos, apenas, não preferir desligamentos.
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domingo, 1 de novembro de 2009

A impossibilidade da morte - Introdução


A massa de um corpo é a medida de seu conteúdo de energia.
EINSTEIN, Albert
.A luz pode ser definida como uma transmissão
de energia entre corpos materiais à distância.

BOHR, Niels, Física atômica e conhecimento: 6
A transferência de energia diminui a massa do emissor.

Se convocados eleger o momento mais decisivo da vida, com certeza o instante da morte logrará unanimidade. Eis a dimensão do tema.
Hoje a Igreja estipula reverenciar Todos os Santos. O Estado a respeita, aliás convém a tradicional coadjuvante, e institui feriado, este ano coincidente com domingo.
"O dia celebra todos os que morreram em estado de graça e não foram canonizados." (Mons. ARNALDO BELTRAMI, vigário episcopal de comunicação http://www.arquidiocese-sp.org.br)
Para amanhã a determinação visa os "normais":
"O Dia dos Mortos celebra todos os que morreram e não são lembrados na oração." (Idem.)
Se finados, o que mais se pode fazer pelos entes? E se santos, por que devemos nos preocupar?
As rádios costumavam apenas tocar músicas clássicas. Na atualidade procuram divertir Praias estão repletas. Cresce o faturamento turístico. Porto Alegre reserva uns 4 hectares do centro para Feira de Livros. São Paulo junta meio milhão de pessoas na Marcha Para Jesus, curiosamente o único ser que se admite ressucitado, portanto, que não é morto. Na cidade já abençoada por seus braços abertos ocorre a Parada Gay! O paulista Carlos da Silva, de 54 anos, chegou ao Rio neste domingo. É a terceira vez que ele vem de ônibus, com mais de cem conterrâneos, desta feita para comemorar junto com o governador Sérgio Cabral, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e com inúmeros artistas, despontando Letícia Spiller, Fabiana Carla, Teresa Cristina, Gottsha e Leila Maria, cantora do hino oficial da Parada. (www.globo.com - 1/11/2009)
Cemitérios fervilham: cerca de 2 milhões de pessoas visitarão esses 22 logradouros públicos da capital paulista. Deveria ser o dia das cidadelas, não de seus hóspedes, em descanso eterno.
No geral reina um clima de consternação e respeito. Diante do inexorável somos impotentes, e isso de certo modo nos remete ao pedestal da humildade. Familiares e amigos resgatam memórias por lentes de tristeza. Momentos outrora felizes são apreciados com lágrimas e lamentos. O realce da lacuna pode desencadear um desejo de viagem imediata ao mesmo reduto. Evito tal risco neste precário exercício.
Religiosos sugerem orações ao Senhor, mas se passado o Juízo Final, ao quê caberia apelação?
O problema das religiões é que elas estagnaram e fincaram o pé quanto ao que é a verdade. Para que o impulso religioso abandone essa postura estagnada, ele precisa olhar o outro lado da moeda - a ciência - e aprender o que a tornou grande.
ARNTZ: 205
Embora não mais ao alcance de nossos olhos, tampouco obedecendo as leis naturais concernentes ao habitat que abandona, e ainda que a própria Igreja não creia, cogito que os mais novos paralelos científicos possam
minimizar a confusão, com isso arrefecendo o temor e o sofrimento pela partida do ente. No mínimo propiciam um discernimento menos doloroso à separação.
Ela se renova, assim como as gerações, graças a uma atiidade que constitui o melhor jogo do 'homo ludens': A ciência é, no mais estrito e melhor dos sentidos, uma gloriosa diversão.
BARZUN, Jacques, cit. BERNSTEIN, Jeremy, Observación de la Ciencia. Trad. Lorenzo Aldrete. México: Fondo de Cultura Económica, 1988: 11.
Somos formados e "deformados" no modo cosmológico.
A matéria e a mente evoluíram dentro de um mesmo útero cósmico: o campo de energia do váquo quântico. A interação de nossa mente e consciênciacom o vácuo quãntico nos liga a outras mentes em torno de nós, assim como à biosfera do planeta. Ela 'abra' nossa mente para a sociedade,, a natureza, e o universo.
LASZLO, Ervin Ph.D, cit. ARNTZ, W.: 224.
O "desgarrar" de nossa energia também se faz por pacotes, em partidas mais ou menos regulares, dependendo da intensidade/qualidade de nossas emoções, estilo de vida, acidentes. E o mais interessante: cada personalidade, nascida em um momento, por árvores distintas, em um ponto que lhe pertence de modo exclusivo no EspaçoTempo, cada pessoa, mencionava, diverge da vizinha, e por isso, suas energias tem que lhes ser totalmente peculiares, pessoais, ainda que transferíveis. Mesmo a similitude radical dos gêmeos não os confunde.
Ao longo, todas nossas energias vão se dissipando harmonicamente, mas não há uma flecha do tempo comum a todos nós. O Tempo. não passa; nós é que passamos por ele, tanto quanto a luz cruza a atmosfera. Ainda que delimitados, cabe a cada um regular a própria velocidade, por isso o tempo de percurso e perda da energia é necessariamente variável. E não existe nenhuma força gravitacional que atraia os corpos à Terra. E o espaço é curvo. O que? O espaço é curvo nas vizinhanças da matéria. Quanto maior a massa, maior é a curvatura. Extrapolando, o espaço variará de acordo com a energia que dispôs a personalidade presente. É esta distorção, criada em volta da matéria, que dimensiona o EspaçoTempo; e por sua retração, ele indica para onde o corpo deve se deslocar. JOHN WHEELER (cit. ROHMANN, Chris: 345) bem sintetizou:
“A massa informa ao espaço como se curvar; o espaço informa à massa como se movimentar.”
Assim, a massa, ou melhor, o conteúdo da energia que ela dispõe é que define o tempo que lhe é mais apropriado:
"Cada forma de vida inventa seu mundo (do micróbio à árvore, da abelha ao elefante, da ostra à ave migratória) e, com esse mundo, um espaço e um tempo específico." (LÈVY, Pierre, cit. PELLANDA e PELLANDA: 118)

As especificidades decorrem da carga genética consubstanciada pelas circunstâncias vividas, as quais paulatinamente vão abandonando as formações. Tornamo-nos todos mais velhos, e inevitavelmente mais fracos, até o derradeiro. Provavelmente foi este prazo de validade, exclusividade material, e no caso dos seres vivos facilmente mensurável - os índios falavam em luas - por certo foi esta nuance, dizia, que levou os pioneiros filósofos e a tradição religiosa a supor que tudo se passa dentro do mesmo critério, sistema que poderia ser demarcado por algum ponteiro, no caso do relógio. Se o Sol lhe obedece, e nossa vida tem prazo, foi óbvio a certeza de único compasso. Cumpridos nossos parcos anos, desaparecemos. Cumpridas as horas, o referido dia simplesmente deixa de existir.
"Deus geometriza! A geometria é o próprio Deus!" (KEPLER, JOHANNES, 1571-1630)
Foi a tradição judaico-cristã que estabeleceu o tempo linear (irreversível) de uma vez por todas na cultura ocidental... O tempo irreversível influenciou profundamente o pensamento ocidental. Preparou a mente humana para a idéia de progresso, para o conceito de tempo profundo, para a surpreendente descoberta dos geólogos de que a evolução humana é apenas um episódio recente e curto na história da Terra. Preparou o caminho para a evolução de Darwin, que fala de nossa união com criaturas mais primitivas através dos tempos. Em resumo, o advento da idéia de tempo linear e da evolução intelectual desencadeada por essa idéia corroborou a ciência moderna e a promessa de melhoria da vida na Terra.
COVENEY: 22
A "razão" vem do ratio, latim, significando ratear, contar, multiplicar, mas especialmente dividir. De certo modo até hoje se presume: quem souber efetuar as operações é senhor de razão, mesmo que não detenha nenhuma.
A tendência natural das ideologias racionalistas é, desde esse momento, crer que o mundo é previsível, 'em princípio', em todos os seus aspectos , e elas são hostis à idéia de 'criatividade' (no sentido bergsoniano). O determinismo é aliado natural do racionalismo.
KOLAKOWSKI: 50
O dia em si não existe - ele não é palpável, nem porta distintivo - mas supomos que DEUS, à nossa imagem e semelhança, melhor ainda o conhece, tanto que fez o mundo usando sete deles. Ora, a cronometria decorre, tão-somente, de arbítrio pitagórico, artifício na faina de pautar nossas atividades sociais. O equilíbrio ecológico desconhece a precisão suíça; o Universo não é numerável, tampouco se talha - a expansão é endógena. As quatro operações, por exógenas, só podem lhe mutilar quadruplamente.
"As teses de matemática não são certas quando relacionadas com a realidade, e, enquanto certas, não se relacionam com a realidade." (EINSTEIN, 1997: 15)
É uma questão que atualmente deve ser reconsiderada, tendo em vista que a fragmentação já se espalhou completamente, não apenas na sociedade, mas especialmente em cada indivíduo; e isso conduz a um tipo de confusão generalizada da mente, que por sua vez cria uma série infinita de problemas, interferindo com a nossa clareza de percepção de maneira tão grave a ponto de bloquear nossa capacidade de resolver a maioria deles.
BOHM, David,
Totalidade e ordem implicada: 17
A maior parte da responsabilidade por essas cisões e predisposições toca mesmo à ciência, promotora da separação do corpo e da alma, do espírito da matéria. A religião veio apenas à reboque, colhendo o ensejo para se impor como band-aid. À bandeirante bem cabe nos reintegrar, trazer de volta tanto nossas vidas usurpadas pela engenharia dialética, quanto a felicidade, que as máquinas geradas na sombra nos arrebataram:
É necessário que a ciência mostre por fim sua utilidade! Ela se tornou nutricionista a serviço do egoísmo: o Estado e a sociedade a tomaram a seu serviço para explorá-la segundo seus fins.
NIETZSCHE, F., O livro do filósofo: 30
Como proceder a reaproximação, à simbiose de massa e energia, à primária harmonia entre ondas e partículas, espírito e matéria, a reintegração da mente com o Universo, e mesmo a reunificação do ser humano com sua própria alma?
Várias vezes, nos diferentes trabalhos consagrados ao espírito científico, nós tentamos chamar a atenção dos filósofos para o caráter decididamente específico do pensamento e do trabalho da ciência moderna. Pareceu-nos cada vez mais evidente, no decorrer dos nossos estudos, que o espírito científico contemporâneo não podia ser colocado em continuidade com o simples bom senso.
BACHELARD, Gaston, 1972: 27
Uma coisa é certa, a hora uniforme do relógio não é mais pertinente para a medida do trabalho. Essa inadequação há muito era flagrante para a atividade dos artistas e dos intelectuais, mas hoje se estende progressivamente ao conjunto das atividades. Quando irão as instituições e as mentalidades acolher conceitos adequados? Como aplicar os sistemas de medida que acompanham esta mutação?
LÈVY, PIERRE: 61
Por enquanto, milhões compartilham a ansiedade. Sentem-se atrasados, cansados, stressados, resultado da enorme pressão do tempo. E tome buzina, grita nas filas. Em véspera de Natal, cruzes. O fim-do-ano já está aí!!! É gente fechando, animal xingando:
"Sai da frente que atrás vem gente!"
“Tempo é dinheiro!”.
Sim, pode ser. Mas com tempo, porque a pressa pelo dinheiro? E sem tempo, como e por quê fazer dinheiro? Francamente!

Pois se o espírito científico tudo complicava, e o espírito religioso sói tudo mistificar, hoje vislumbramos novo horizonte:
Nossa penetração no mundo dos átomos, antes vedado aos olhos do homem, é de fato comparável às grandes viagens de descobrimento dos circunavegadores... Essa descoberta, com efeito, gerou uma novíssima base para que se compreenda a estabilidade intrínseca das estruturas atômicas, a qual, em última instância, condiciona as regularidades de todas experiências corriqueiras.
BOHR, N.,
Física atômica e conhecimento humano: 30
No que se referente a nossa presença física, isso que nos interessa diretamente: a matéria pela qual somos compostos, por tanto quanto tudo o mais ser apenas fruto desse entrelaçamento atômico, não pode simplesmente sumir do Universo, exceto num exagero especulativo emulado por alguma estranha realidade aferida:
"Astrônomos alemães confirmaram que há um buraco negro gigantesco no centro da Via Láctea, a galáxia onde fica o planeta Terra." (O Globo, 10/12/2008)
O malvado translada o passado para a dimensão que quer, sabe-se lá qual é. Quiçá também possamos invocá-lo: quem sabe ele não serve à reversão da energia na matéria que aos poucos vamos perdendo por aqui? Mas não seria outro excesso supor também que necessitaríamos dos mesmos membros que nos são úteis à nossa vida na Terra? Tudo isso é improvável, mas nossa transferência para algum ponto, de alguma forma, parece-me bem provável. Antes de chegar ao planeta, ninguém vê a passagem dos raios do Sol; mas ao encontrar o porto, resplandece o colorido que só o Astro-Rei pode proporcionar.
O pedaço de matéria nada mais é senão uma série de eventos que obedece a certas leis. A concepção de matéria surgiu em uma época em que os filósofos não tinham dúvidas sobre a validade da concepção 'substância'. A matéria era a substância no espaço e no tempo; a mente, a substância que estava só no tempo. A noção de substância tornou-se mais vaga na metafísica no decorrer dos anos, porém sobreviveu na física porque era inóqua - até a relatividade ser inventada. Um pedaço de matéria, que tomávamos como uma entidade persistente única, é na verdade uma cadeia de entidades, como os objetos aparentemente contínuos em um filme. E não há razão pela qual não possamos dizer o mesmo quanto à mente: o ego persistente parece tão fictício quanto o átomo permanente. Ambos são apenas uma cadeia de eventos que têm certas relações interessantes uns com os outros. A física moderna nos permite dar corpo à sugestão de Mach e de James de que a 'essência' do mundo mental e do mundo físico é a mesma.
RUSSELL, Bertrand, Ensaios céticos: 74

A impossibilidade da morte - Final


sábado, 31 de outubro de 2009

A eternidade da interatividade


Newton, perdoa-me; descobriste o único caminho que na tua época era possível para um homem com os mais elevados padrões de pensamento e criatividade. Os conceitos que criaste guiam ainda hoje o nosso pensamento em física. Sabemos, no entanto, que tem de ser substituído por outros, mais afastados da esfera da experiência imediata, se aspiramos a uma compreensão mais profunda das relações.
ALBERT EINSTEIN.

.
Não há norte na Física Quântica. A incerteza é nossa sina. Não podemos estabelecer o tempo, a posição, e a trajetória de um eletron. Ao focarmos o alvo, ele "acusa o golpe" e instantâneamente, muda sua órbita; e pior, sem deixar rastro, porque não percorre o espaço que intercala os circuitos. Ele simplesmente surge "do nada" para nova história.
Pois se possuímos tal capacidade, conseqüência lógica é cogitar que somos capazes de alterar não só nossas circunstâncias mais prementes, como até mesmo as mais remotas. Esta "distribuição randômica de sentimentos"* inevitavelmente atinge conjecturas que ainda não se fazem presentes, isto é, que não estão ao alcance de nossos olhos, apenas.
Pela não-ação, tudo pode ser feito.
LAO-TZÉ
A mente sur­ge a partir de um sistema neuronal, objeto das neurociências. Mente/cons­ciência estão ligadas, e dependem da matéria. Quanto mais neurônios e sinapses, mais complexa ela se torna. As polaridades cosmológicas são inclusivas, complementares, jamais estanques, paradoxais, ou antagônicas, como presumiam os primatas espartanos.
Nossa penetração no mundo dos átomos, antes vedado aos olhos do homem, é de fato comparável às grandes viagens de descobrimento dos circunavegadores... Essa descoberta, com efeito, gerou uma novíssima base para que se compreenda a estabilidade intrínseca das estruturas atômicas, a qual, em última instância, condiciona as regularidades de todas experiências corriqueiras.
BOHR, N.,
Física atômica e conhecimento humano: 30
O rebanho, todavia, segue cabisbaixo, resignado rumo ao destino que supõe fatal.
O salto conceitual que o físico alemão Max Planck deu em 1900, engendrando a base da mecânica quântica, reformulou de tal maneira a visão do mundo que, ao menos um historiador da ciência, não teria razões para supor que seu impacto já tivesse sido todo absorvido.
CAPOZOLI, U.,
Presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Científico (ABJC)
Mais de dois mil anos já se passaram desde o dia em que Platão ocupava o centro do universo espiritual da Grécia e em que todos os olhares convergiam para a sua Academia, e ainda hoje se continua a definir o caráter da filosofia, seja ela qual for, pela sua relação com aquele filósofo.
JAEGER 2003: 581

,
É verdade que desde 1915 a compreensão da relatividade geral foi vastamente aprimorada, nossa confiança na teoria cresceu e não foram encontradas limitações confirmadas sobre sua validade. Contudo, ninguém hoje afirmaria ter um domínio total do rico conteúdo da relatividade geral. O mesmo vale para as respostas a problemas filosóficos levantados pela teoria totalmente ao nosso alcance hoje. Segundo meus conhecimentos, os escritos filosóficos sobre esse assunto foram um tanto limitados, sem dúvida principalmente porque a matemática envolvida é bastante complicada.
PAIS, A.
Einstein viveu aqui : 150

Existem todo o tipo de pessoas, mas acho que seria razoável dizer que ninguém que se diga filósofo realmente entenda o que se quer dizer com a descrição da complementariedade. A relação entre os cientistas e os filósofos é bastante curiosa. A dificuldade é que é inútil que haja qualquer tipo de compreensão entre os cientistas e os filósofos diretamente.
BOHR, NIELS, cit.
PAIS, ABRAHAM, Einstein viveu aqui
DAVID BOHM (Totalidade e Ordem Implicada) oferece precioso amparo: a ordem natural comprovada explícita é prerrogativa restrita do EspaçoTempo que ocupamos, mas não significa que tudo se resuma a isso. Antecipa-lhe uma Ordem implícita de um universo não-manifestado, não-percebido, não-local. Aliás, para o notável cientista, o fundamento da ordem é esta, implícita. Ordens explícitas são apenas como ondulações passageiras na superfície da implícita, não diversas desta. Como uma onda do mar, por exemplo, que é composta pelo próprio mar, e não por alguma entidade alienígena. Não se trata, pois, de uma manifestação da "alma" do mar, senão que o próprio mar em movimento.
De posse desses absolutamente simples, mas por bizarro revolucionários conceitos científicos podemos estender algumas velas, e assim zarparmos por esses mares "nunca dantes navegados", sem preocupação com exatidões. Que me perdõe o TriPulante lusitano: se viver não é preciso, navegar também não requer sê-lo - bastam aproximações.Nas interligações eletrônicas, isto é, pela interatividade dos eletrons, os batedores nucleares garantem o equilíbrio fundamental, à ecologia, à vida na Terra, e tudo mais.
A Teoria de Cordas** (ou supercordas) é uma teoria que se propõe a unificar a descricão das interacões fundamentais. Em particular, acredita-se que ela representa um caminho para a descrição quântica da interacão gravitacional, possibilitando uma conciliação entre a Mecânica Quântica e a Relatividade Geral. Na teoria de cordas as partículas elementares correspondem a diferentes formas de vibracão de cordas que se propagam no espaço. A interação entre partículas corresponde à interação entre cordas.
BRAGA, Nelson Ricardo de Freitas. -
http://omnis.if.ufrj.br/~braga/cordas
"A luz pode ser definida como uma transmissão de energia entre corpos materiais à distância." (BOHR, Niels, Física atômica e conhecimento: 6)
“A física atômica fez a ciência afastar-se da tendência materialista que ela tivera durante o século XIX.” (HEISENBERG, W., cit. JAMMER, M., 154)
O próprio EINSTEIN (idem: 154) já afirmara:
“A massa de um corpo é a medida de seu conteúdo de energia.”
Dessarte, o mestre assim asseverou:
Einstein insinua que a ciência se deve ocupar, em primeiro lugar, não de noções que, na sua essência, estão marcadas por uma grande carga metafísica, como as de 'força' e 'matéria', mas antes daquilo a que agora chamamos 'intersecções’ no espaço-tempo de linhas do universo.
HOLTON: 127
Tudo flui por ondas, como todas as manifestações.
Sabemos que o universo manifestado, que parece ser formado por objetos sólidos, é na verdade composto por vibrações, com os diferentes objetos vibrando em frequências distinta.
CHOPRA, DEEPAK, A realização espontânea do desejo: 124
Na Dança do Universo, inspiração de MARCELO GLEISER, o que você sente, pensa, ou faz, reproduzirá o efeito, e influenciará, de alguma maneira, sua circunstância.
Uma onda periódica é uma perturbação periódica que se move através de um meio. O meio em si não vai a canto nenhum. Os átomos individuais e as moléculas oscilam em torno das suas posições de equilíbrio, mas a posição média delas não se alteram. À medida que elas interagem com os vizinhos, elas transferem parte da sua energia para elas. Por sua vez, os átomos vizinhos transferem energia aos próximos vizinhos, em sequência. Desta maneira, a energia é transportada através do meio, sem haver transporte de qualquer matéria.
C.A. Bertulani
Ninguém fica sentado numa Ola. O perfume viaja por ondas; a temperatura também. Qualquer som assim evolui. A gravidade realiza ondas de retração. O navegante produz ondas, e por elas podemos constatar sua passagem. Radares detectam ondas. A voz bate em algo para produzir o eco: eis a certeza de que há um corpo à frente.
O conceito de um mundo sutilmente interligado, um oceano cósmico no qual estamos intimamente ligados uns aos outros e à natureza, assimilado por nosso intelecto e abraçado por nosso coração, poderá talvez inspirar novos modos de pensar e de agir que transformem o espectro de uma derrocada global no triunfo de uma renovação global – uma renovação para uma era mais humana e sustentável.
LASZLO: 205
Movimentos invisíveis aos olhos não precisam ser totalmente desprezados, ou não levados em conta, somente pelo prosaico motivo de não podermos enxergá-los. Há uma simbiose entre corpo/espaço, mente/matéria, em inequívoca interatividade.
Na verdade, nem o corpúsculo, nem o campo é a coisa fundamental. Ambos, em igual medida, são aspectos da matéria. São as duas formas fundamentais e primárias da matéria como tal. A estrutura da partícula é um reflexo de suas interações.
TELLES JR. G., O Direito Quântico:
56
O jornal americano USAToday.com publicou um artigo com um novo brinquedo revolucionário que utiliza ondas cerebrais para movimentar objetos! O “The Force Trainer” vem com headset. Ele permite ao usuário usar suas ondas cerebrais para mover uma esfera, localizada dentro de um tubo transparente de 25 cm de altura. Equivale ao uso da Força por Jedis como Yoda e Luke Skywalker em Star Wars. Claro que é necessário um alto nível de concentração para conseguir mexer a bolinha com a "Força" da Mente e a base emite efeitos sonoros dos filmes de Star Wars para indicar a passagem de nível de Padawan para Jedi. O headset é baseado na tecnologia EEG mais comumente usada na medicina e o The Force Trainer deve custar por volta de US$100 no lançamento, ainda sem data confirmada. (www.blogdebrinquedo.com.br/2009/01/08/mova-objetos-com-a-mente)
NIETZSCHE, (O livro dos filósofos: 45) talvez não fosse tão louco como o apregoado:
Só conhecemos uma realidade - a dos pensamentos. Como?
Se isso fosse a essência das coisas?
Se a memória e a sensação fossem os materiais das coisas?
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* Emitindo pares de fótons - partículas de luz - ao longo de uma fibra óptica estendida entre as cidades suíças de Satingny e Jussy, cientistas do Grupo de Física Aplicada da Universidade de Genebra determinaram que um fóton, chegando a um extremo da linha, é capaz de reagir instantaneamente a uma manipulação realizada no parceiro que foi para o lado oposto, a 18 km de distância. Os pesquisadores calcularam que, se essa reação for resultado de uma comunicação entre as partículas, o sinal teria de viajar a, no mínimo, 10.000 vezes a velocidade da luz. “Trata-se de uma violação do espírito, se não da letra”, da Teoria da Relatividade de Einstein, que diz que nada pode viajar mais depressa que a luz, diz o físico Terence Rudolph, do Imperial College London, em comentário ao experimento suíço. Tanto a descrição da experiência quanto o comentário de Rudolph estão publicados na edição desta semana da revista Nature.
O efeito utilizado pela equipe suíça é conhecido pelos cientistas como “emaranhamento quântico”, e ocorre quando duas partículas são preparadas de tal forma que qualquer alteração numa delas afeta a outra instantaneamente, não importa a distância que as separa. A velocidade de 10.000 vezes a da luz, determinada pelos físicos de Genebra, é o limite mínimo para que o sinal seja “instantâneo”. “Sabemos que as partículas que representam os bits quânticos, ou q-bits, precisam adquirir, durante o processamento da informação, certo grau de emaranhamento para que a computação quântica seja mais eficiente que computação clássica”, explica o físico brasileiro Marcio Cornelio, atualmente na Unicamp. Cientistas acreditam que computadores quânticos serão capazes de realizar cálculos muito mais rapidamente que computadores normais, ou clássicos, além de resolver problemas que estão fora do alcance das máquinas atuais.
O emaranhamento não viola a “letra” da relatividade porque, por si só, o fenômeno não permite a transmissão de sinais de comunicação mais depressa que a luz - não seria possível, por exemplo, usar partículas emaranhadas para criar um telefone celular instantâneo. “O emaranhamento não pode ser usado para comunicar unidades de informação escolhidas por uma pessoa, exatamente porque os eventos correlacionados por ele são aleatórios, fora do controle humano. Se os eventos fossem determinísticos, seria possível usar o fenômeno para comunicação clássica mais rápida que a luz”, o que violaria a relatividade, diz Gisin. Mas se as partículas não trocam sinais entre si, como o emaranhamento quântico é possível? Como uma partícula “sabe” que sua parceira, a quilômetros de distância, foi manipulada?“ Eu diria que as partículas simplesmente estão correlacionadas”, diz Cornelio. “Como não é possível transmitir informação usando apenas partículas emaranhadas, não há necessidade de uma 'saber' o estado da outra e vice versa. Existe apenas uma correlação estranha, que não pode ser descrita pela física clássica”. Partículas 'conversam' a 10.000 vezes a velocidade da luz

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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A estória da morte


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Nature and nature's laws lay hid in night;
God said 'Let Newton be' and all was light
.
(A natureza e as leis da natureza estavam imersas em trevas;
Deus disse 'Haja Newton' e tudo se iluminou.)
.
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Hoje em dia todos nós estamos profundamente cônscios de que o entusiasmo que nossos precursores tinham em relação aos feitos maravilhosos da mecânica newtoniana levou-os a fazer generalizações nesta área de previsibilidade, na qual de modo geral talvez tenhamos tendido a acreditar, antes de 1960, mas que hoje reconhecemos que era falsa. Queremos nos desculpar coletivamente por haver confundido o público instruído em geral, fazendo-os acreditar em idéias sobre o determinismo de sistemas que satisfazem as leis de movimento de Newton, as quais, a partir de 1960, foi provado serem incorretas.
COVENEY, Peter e HIGHFIELD, Roger, A flecha do tempo: 242
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Religião significa religação. O óbvio pre-requisito exige o desligamento. Eis a função da maçã: por ingeri-la,
fomos expulsos, desligados do Paraíso.
Mister a presença dos band-aids.
,
Na falta da serpente, e de EVA, o fruto caiu direto sobre a cabeça do
Incomparável NEWTON.
Pelo impacto, pelo galo formado, o ex-reverendo calculou a "força" da gravidade.

No decorrer da História da Civilização, das ciências e crenças incutidas, são incontáveis os apelos à mais trivial artimanha. Tal arquitetura remonta há milênios, por suscetível de fácil assimilação. No caso em tela, a Expulsão do Paraíso constitui o premissa que justifica a tentativa de reatamento das relações.
Não posso citar quem seja o autor da mirabolância de destacar o aprazível reduto, mas sei quem cingiu o próprio ser humano, dividindo-o em corpo e alma - aquele mundano, perecível; ela divina, imortal:
"O erro, o Mal entra pelo corpo para transformar o divino Bem da alma," (PLATÃO. cit. KELSEN, 1998: 3)
O gregório articulista bem poderia ter sido mais explícito apontando a maçã como intrusa. Segundo PLATÃO, e seu exército eclesiástico, os prazeres da carne levam ao inferno, mas a alma sempre pode salvar, desde que prevaleça sua divindade. O Juízo tem a finalidade de aferi-los, e a prerrogativa de determinar a continuidade ou não da vida, desta feita em caráter eterno, ou a eliminação definitiva pelas diabólicas labaredas.
No entender dos teólogos, seu Objeto tudo pode; exceto, naturalmente, ser injusto. Assim é que se adequaram os rebanhos, sem maiores questionamentos, ao gáudio dos pastores.
Ao longo dos milênios, o conhecimento, como a maçã, foi vedado aos simples mortais. Somente os sacerdotes, presumivelmente os mais isentos de mácula, poderiam reunir e oferecer ao gado o alimento mais apropriado.
O destino, contudo, reservava a surpresa. O mapa do tesouro, que tanto de modo exclusivo lhes servia, na queda de Constantinopla caiu sob domínio público. Logo alguém descobriu que não éramos o centro do Universo. A explicação por tamanho lapso exigiu nova metáfora: o Grande Arquiteto colocara o Sol, a luminária no centro, para iluminar nossos passos. Em que pese controvérsias, e muitas escaramuças, o band-aid novamente colou, e quase tudo ficou como dantes, no quartel de abrantes - desta feita ainda mais reforçado na emergência dos exércitos nacionais.O onirismo platônico varou os Alpes através dos cabos estendidos pelo cônego COPÉRNICO (cit.CHÂTELET: 49):
E no meio repousa o Sol. Com efeito, quem poderia no templo esplêndido colocar essa luminária num melhor lugar do que aquele donde pode iluminar tudo ao mesmo tempo? Em verdade, não foi impropriamente que alguns lhe chamaram a pupila do mundo, outros o Espírito, outros ainda o seu reitor.
DESCARTES aprimorou a cisão gregoriana destacando a mente do corpo.
Os homens tinham a teoria de que a matéria celestial era fundamentalmente diferente da matéria terrestre e que era natural que os objetos assim caíssem, enquanto era natural que os objetos celestiais, tais como a Lua, permanecessem parados no céu.
BOHM, David, Totalidade e ordem implicada: 20
VOLTAIRE ( Cartas Filosóficas, «13.ª carta».) não se conteve:
Na Grécia, berço das artes e dos erros e onde se levou tão longe a grandeza
e a estupidez do espírito humano, raciocinavam sobre a alma como nós.

Um atento acadêmico da afamada Cambridge aprimorou a quilha de encalço a tal Espírito. "Apoiado no ombro dos gigantes" entre os quais o carrasco da natureza FRANCIS BACON, e o esquartejador DESCARTES, o “incomparável NEWTON” catapultou o cientificismo em voga. A mecânica prometia um poder de previsão vastíssimo, todas as informações possíveis sobre o passado e o futuro do Universo.
Os "novos cientistas" passaram a contar com duas opções à moradia - além dos palácios religiosos, os estatais. E assim por preservar fidelidade à ficção, o ex-reverendo logrou ascender à Casa da Moeda britânica.
As teorias de Newton lançaram-nos em um curso que desembocou no materialismo que ora domina a cultura ocidental. Esta visão realista materialista do mundo exilou-nos do mundo encantado em que vivíamos no passado e condenou-nos a um mundo alienígena.
BERMAN, MORRIS, cit. GOSWAMI: 31
O destino, contudo, reservou outra surpresa, desta feita em caráter ainda mais decisivo. Nem o Sol está no centro do Universo, até porque nem existe centro; e raios são impossíveis de traço. Lá se vai a babel:
Chegamos a uma situação que envolve uma imagem diferente da natureza e, portanto, também da ciência. Não acreditamos mais na imagem do mundo como uma imensa peça de relojoaria. Chegamos ao fim das certezas. Estava implícita na visão clássica da natureza a idéia de que, sob condições bem definidas, um sistema seguiria um curso único e de que uma pequena mudança nos parâmetros produziria igualmente uma pequena mudança nos resultados. Hoje sabemos que isso só é verdade no caso de situações simplificadas e idealizadas.
MAYOR: 12

É uma questão que atualmente deve ser reconsiderada, tendo em vista que a fragmentação já se espalhou completamente, não apenas na sociedade, mas especialmente em cada indivído; e isso conduz a um tipo de confusão generalizada da mente, que por sua vez cria uma série infinita de problemas, interferindo com a nossa clareza de percepção de maneira tão grave a ponto de bloquear nossa capacidade de resolver a maioria deles.
BOHM, David, Totalidade e ordem implicada: 17
O balanço apurado é de empresa à deriva:
Os acidentes, as doenças, assim como a infelicidade em que está mergulhada a maior parte da humanidade, tem como gênese o distanciamento da fonte de energia vital e cósmica.
GONZALEZ, MATHIAS, O caminho cósmico. - Rio de Janeiro: Pallas, 1993
Dessarte, novamente são os sacerdotes que andam buscando, desesperadamente, a própria salvação:
Venho insistindo há tempos que por detrás da crise atual econômicofinanceira vige uma crise de paradigma civilizatório. De qual civilização? Obviamente se trata da civilização ocidental que já a partir do século XVI foi mundializada pelo projeto de colonização dos novos mundos. Este tipo de civilização se estrutura na vontade de poder-dominação do sujeito pessoal e coletivo sobre os outros, os povos e a natureza. Sua arma maior é uma forma de racionalidade, a instrumentalanalítica, que compartimenta a realidade para melhor conhecê-la e assim mais facilmente submetê-la. O Zen não é uma religião. É uma sabedoria, uma maneira de se relacionar com todas as coisas de tal forma que se busca sempre a justa medida, a superação dos dualismos e a sintonia com o Todo. A primeira coisa que o zenbudismo faz, é destronar o ser humano de sua pretensa centralidade, especialmente do eu, cerne básico do individualismo ocidental. Ele nunca está separado da natureza, é parte do Todo.
BOFF, Frei Leonardo, Zen e a Crise da Cultura Ocidental

Don't worry. Be happy.
No espaço aparentemente vazio há um nexo, uma vida eterna, que une tudo quanto existe no Universo - tanto animado quanto inanimado - uma onda de vida que flui através de tudo o que existe.
Paramahansa Yogananda, Onde Existe Luz.
O que governa essa dinâmica, inclusive em seu aspecto mais material, na física, não é uma ordem rígida, predeterminada.(A impossibilidade da sincronicidade pelo relógio) Tampouco uma dialética entre contrários em luta, que leve à síntese, até que se produza uma nova antítese, como na visão marxista rechaçada também pela genética de Monod. São milhões de sóis e galáxias, estrelas, planetas e cometas, buracos-negros, quasares e muito mais, em "convívio" harmônico por campos repletos, onde se relacionam por informações, nunca por força, tal cogitado desde Esparta. E o ainda mais surpreendente - o sistema se amplia para todos os pontos, como se enche um balão de gás, sem rupturas, a partir de mísero núcleo atômico.
A teoria quântica dos campos considera tanto a matéria (hadrons e leptons) quanto os condutores de força (bosons mensageiros) como excitações de um campo fundamental de energia mínima não-nula (vácuo).
O Prof. GOFFREDO TELLES JUNIOR (O Direito Quântico: 54) deixou explícito:
Sendo geradora de energia, a partícula cria, em torno de si, um campo em que essa energia se manifesta. Aliás, todos os corpos geram campos de energia. A Terra, por exemplo, tem seu campo de energia magnética, que claramente se manifesta no comportamento da agulha da bússula. Os campos não devem ser consideradas como espaços vazios. Os campos são objetos físicos, pois é por meio deles que as partículas agem umas sobre as outras. É por meio deles, que os corpos, enorme multidão de partículas, se influenciam reciprocamente. Embora físicos, os campos não são objetos mecânicos. Um campo é imperceptível pelos sentidos. É imponderável. Não pode ser utilizado como sistema de referência. Mas é observável nos seus efeitos. É identificável nas perturbações que causa no comportamento das partículas ou dos corpos nele situados. Não somos capazes de ver a força de gravidade, mas a observamos na queda da maçã.
Os campos são estradas de várias mãos. Nada impede, e até é inexorável, que nossa energia, estimulada por nossos pensamentos e desejos, peregrine livre em busca do nosso objetivo, ou até seja alcançado por ele. Neste último caso, o assistente cara-pálida designa como sorte. Não se trata disso, de nova polaridade sorte/azar:
"O núcleo do novo paradigma é o reconhecimento de que a ciência moderna confirma uma idéia antiga - a idéia de que consciência, e não matéria, é o substrato de tudo que existe." (GOSWAMI, Amit )
"Isto faz dos seres vivos elementos numa vasta rede de inter-relações que abarca a bioesfera de nosso planeta – que em si mesma é um elemento interligado dentro das conexões mais amplas do campo psi que se estende pelo cosmos." (LASZLO: 198)
PRIGOGINE (cit. PESSIS-PASTERNAK: 39) arrola:
A pesquisa atual se volta para a incorporação de elementos aleatórios em um número cada vez maior. Isso é verdade tanto para a cosmologia de Hawking quanto para o estudo dos insetos sociais que são tão qualificados como Pierre Paul Grassé ou Rèmy Chauvin insistem sobre o papel do aleatório no comportamento social.
Tudo se relaciona. Tudo está ligado a tudo o mais, não só na imaginação, como na realidade efetiva. A morte é impossível, e isso demonstraremos ainda mais claramente amanhã, para encerrar esta microtrilogia. Por enquanto, convoco saudar a impropriedade dos Finados. O contínuo EspaçoTempo - a Eternidade - assegura a presença de todos. Cabe-nos, apenas, não preferir desligamentos. PLATÃO que não me fuja.

A impossibilidade da morte


quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Finados e não-finados II

O Dia dos Fiéis Defuntos, Dia dos Mortos ou Dia de Finados é celebrado pela Igreja Católica no dia 2 de Novembro, logo a seguir do dia de Todos-os-Santos. Segundo a interpretação protestante, a Bíblia diz que a salvação de uma pessoa depende única e exclusivamente da sua na graça salvadora que há em Cristo Jesus e que esta fé seja declarada durante sua vida na terra (Hebreus 7.24-27; Atos 4.12; 1 JoãoLucas 16.10-31). Os Protestantes observam o dia de Finados para lembrar das coisas boas que os antepassados deixaram, como o legado de um caráter idôneo, por exemplo. Mas entendem que as pessoas precisam ser cuidadas enquanto estão vivas. Após a morte, nada mais resta senão o juízo. - a pessoa passa diretamente pelo juízo (Hebreus 9.27) e que vivos e mortos não podem comunicar-se de maneira alguma (1.7-10)(Wikipédia).
Foi a tradição judaico-cristã que estabeleceu o tempo linear (irreversível) de uma vez por todas na cultura ocidental... O tempo irreversível influenciou profundamente o pensamento ocidental.
COVENEY, A Flecha do Tempo: 22
Esta tradição se põe como Religião: agir para religar.
Ao tamanho afazer, o pre-requisito é o desligamento.

Eis a razão da expulsão do Paraíso.
O Dia de Todos os Santos celebra todos os que morreram em
estado de graça e não foram canonizados.
O Dia de Todos os Mortos
celebra todos os que morreram e não são lembrados na oração.

Mons. ARNALDO BELTRAMI, vigário episcopal de comunicação http://www.arquidiocese-sp.org.br
Na morte, pois, além das lembranças nada mais parece viável. Não há possibilidade e para alguns sequer necessidade da religação com o Céu, muito menos com a Terra, nem requisitando os advogados especializados, os profissionais da espécie. Eles próprios não acreditam, e assim pregam que devamos ter atenção aos vivos, antes do tenebroso advento do Juízo Final.
O homem bom também quer ser verdadeiro e crê na verdade de todas as coisas. Não só da sociedade, mas também do mundo... De fato, por que razão o mundo deveria enganá-lo?
NIETZSCHE, F., O livro do filósofo: 55
Reverenciar os vivos é sábio, prudente, mas a justificativa dos mencionados hebreus é pueril, e a conclusão, apenas ideológica. Arrisco: não se trata de falta de fé, ou de crença, mas de conhecimento.
A Igreja é pródiga em alegorias, e coincidências. A realidade, por difícil compreensão, nem vem ao caso. Parábolas e figurativos são mais palatáveis, mormente se impressos em fundos contrastantes. Uma forte impressão valia mais que a razão.
Na Grécia, berço das artes e dos erros e onde se levou tão longe a grandeza
e a estupidez do espírito humano, raciocinavam sobre a alma como nós.

VOLTAIRE,
«13.ª carta», Cartas Filosóficas.
"O erro, o Mal entra pelo corpo para transformar o divino Bem da alma," e isso já bem ensinara PLATÃO. (cit. KELSEN, 1998: 3).
Pura tolice; porém, de gravíssimas consequências espirituais, científicas, ecológicas, políticas, sociais, e econômicas. A separação primordial levou todo o Ocidente a supor que nada mundano fosse divino. DEUS estava no céu, um lugar inatingível, distante, e até de cor diferente; portanto, um mundo completamente à parte.
Os acidentes, as doenças, assim como a infelicidade em que está mergulhada a maior parte da humanidade, tem como gênese o distanciamento da fonte de energia vital e cósmica.
GONZALEZ, Mathias, O caminho cósmico. - Rio de Janeiro: Pallas, 1993.
A natureza foi colocada na escravidão total. Mais do que ela, ao "reconhecer" a natural maldade do ator principal, ela ensejou vários religadores, impostores que se precipitaram inicialmente pelas ciências politicas, na qual despontaram as "engenharias sociais" de MAQUIAVEL, THOMAS HOBBES, ROUSSEAU, HEGEL e MARX, e quase em conjunto, as estipulações de DESCARTES, NEWTON, LAPLACE, DARWIN, FREUD e KEYNES.
Os homens tinham a teoria de que a matéria celestial era fundamentalmente diferente da matéria terrestre e que era natural que os objetos assim caíssem, enquanto era natural que os objetos celestiais, tais como a Lua, permanecessem parados no céu.
BOHM, David, Totalidade e ordem implicada: 20
O deleite da maçã motivou a expulsão. Pobre venenosa, acusada de aliciamento. Pois se ninguém colhesse, na maturidade o próprio fruto se precipitaria na cabeça de Adão.
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"A luz pode ser definida como uma transmissão de energia entre corpos materiais à distância." (BOHR, Niels, Física atômica e conhecimento: 6)
Partículas viajam pelo campo. A energia percorre o EspaçoTempo. Os mortos em algum momento viveram, e nesta condição projetaram suas luzes. Embora não se vislumbre, eles e elas convivem conosco. Ainda que estejamos "desligados", nada se tem cessado. A interatividade decorre natural e até necessáriamente.
"Se uma onda pode agir como uma partícula, uma partícula também não deveria agir como uma onda?" (DE BROGLIE, L., cit. ISAACSON, W.: 338)
Na verdade, nem o corpúsculo, nem o campo é a coisa fundamental. Ambos, em igual medida, são aspectos da matéria. São as duas formas fundamentais e primárias da matéria como tal. A estrutura da partícula é um reflexo de suas interações.*
TELLES JR. G., O Direito Quântico:
56
O átomo capta e emite energia; recebe, e transfere informações. Por isso, é a liga fundamental.
De acordo com a Relatividade, nada pode se deslocar mais rápido do que a luz, mas as partículas subatômicas parecem se comunicar instantaneamente. Não sabemos porque o eletron, diante da presença do simples olhar, muda a trajetória. Os fenômenos ignoram as nossas lineares demarcações entre passado/presente. Além disso, eles podem estar em dois ou mais mais lugares ao mesmo tempo. O mesmo "objeto"pode aparentar ser uma partícula localizada em um lugar determinado, ou uma onda espalhada pelo EspaçoTempo.
Meu cético copiloto quis acabar com a celeuma. EINSTEIN requisitou os talentos de PODOLSKI e ROSEN para realizar uma experiência que falsearia o absurdo eletrônico. O Paradoxo de EPR criou duas partículas, disparando-as para destinos opostos. Apurou o bizarro: o que se fazia numa, alterava a outra. EINSTEIN acabou rendido.
O átomo não tem olhos, nem ouvidos, nem faro, nem dor, a rigor não tem vida, mas é "sensível".

A ação de um átomo sobre o outro pressupõe também a sensação.
Algo de estranho em si não pode agir sobre o outro.
NIETZSCHE, F. ,
O livro do filósofo: 45
"Sabemos que o universo manifestado, que parece ser formado por objetos sólidos, é na verdade composto por vibrações, com os diferentes objetos vibrando em frequências distintas." (CHOPRA, DEEPAK, A realização espontânea do desejo: 124)
Na rotina diária, nem sempre percebemos que tudo que existe é de certa maneira controlado por forças e interações invisíveis aos olhos [...] Elas controlam as menores partículas subatômicas e as grandes galáxias a bilhões de anos-luz de distância.
OLIVEIRA, A.,
Depto Física, Univ.Fed. de S. Carlos - http://cienciahoje.uol.com.br/133058
BACHELARD chegou à beira de tentar psicanalisar o objeto. O que dizer se for a consciência?
Toda a fala, toda a ação, todo o comportamento são flutuações da consciência. Toda a vida emerge e é mantida na consciência. O universo inteiro é expressão da consciência. A realidade do universo é um oceano ilimitado de consciência em movimento.
MAHARISHI MAHESH YOGI

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O aspecto decisivo da teoria quântica é que o observador não é necessário apenas para observar as propriedades de um fenômeno atômico, mas é necessário até para causar essas propriedades.
CAPRA, Fritoj, cit. ARNTZ, William: 66
O pedaço de matéria nada mais é senão uma série de eventos que obedece a certas leis. A concepção de matéria surgiu em uma época em que os filósofos não tinham dúvidas sobre a validade da concepção 'substância'. A matéria era a substância no espaço e no tempo; a mente, a substância que estava só no tempo. A noção de substância tornou-se mais vaga na metafísica no decorrer dos anos, porém sobreviveu na física porque era inóqua - até a relatividade ser inventada. Um pedaço de matéria, que tomávamos como uma entidade persistente única, é na verdade uma cadeia de entidades, como os objetos aparentemente contínuos em um filme. E não há razão pela qual não possamos dizer o mesmo quanto à mente: o ego persistente parece tão fictício quanto o átomo permanente. Ambos são apenas uma cadeia de eventos que têm certas relações interessantes uns com os outros. A física moderna nos permite dar corpo à sugestão de Mach e de James de que a 'essência' do mundo mental e do mundo físico é a mesma.
RUSSELL, Bertrand, Ensaios céticos: 74
Evidentemente nada preenche a lacuna do ente querido. Envelhecermos juntos, mutuamente nos acompanhar, tudo isso fica comprometido, implacavelmente frustrado. A guarda da dúvida torna mais dantesco qualquer episódio. E como não mais vemos quem nos é mais caro, o mais vivo coração sofre de tudo que é jeito, e não poucos se tornam até emperdenidos. Uma melhor compreensão do inevitável por certo não atrapalha, e tende a aplacar qualquer dor.
Enganados ou desenganados, saudemos a impropriedade dos Finados. Morrer é impossível: o Campo, o contínuo EspaçoTempo - a Eternidade - assegura a presença de todos. Cabe-nos, apenas, não preferir desligamentos.
Viva o Dia de Todos, santos e pecadores, cientistas e vigaristas, filósofos e impostores, ovelhas e pastores, porque nada dessas arbitrárias classificações importa, ninguém pode ser finado - apenas o sofrimento, por ser condensado nuclear, é que pode findar.
Ainda resta algum ceticismo?
Espera um pouco. Vou buscar mais alimento.
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* O “princípio da complementariedade” vem explicado no original por NIELS BOHR em Atomic Physics and Human Knowledge; Nova York, 1963. DAVID BOHM o interpreta em Wholeness and Implicate Order, London, 1980. A primeira apresentação pública da teoria foi em Como, IT., 1927. GERALD HOLTON tem publicado um texto na revista Humanidades, nº 9 (1984), pp. 49-71, da Universidade de Brasília, intitulado As Raízes da Complementaridade. Outros excelentes approuches sobre a quântica e a complementariedade você pode encontrar em
http://www1.uol.com.br/vyaestelar/fisicaquantica_yin_yang.htm

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Finados e não-finados I

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À Preciosa Princesa Fernanda &
fiéis escudeiros, Eduardo e Ricardo.
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.O Dia de Finados é o dia da celebração da vida eterna das pessoas queridas que já faleceram. É o Dia do Amor, porque amar é sentir que o outro não morrerá nunca. Desde o século 1º, os cristãos rezam pelos falecidos; costumavam visitar os túmulos dos mártires nas catacumbas para rezar pelos que morreram sem martírio. No século 4º, já encontramos a Memória dos Mortos na celebração da missa. Desde o século 5º, a Igreja dedica um dia por ano para rezar por todos os mortos, pelos quais ninguém rezava e dos quais ninguém se lembrava. Desde o século XIII, esse dia anual por todos os mortos é comemorado no dia 2 de novembro, porque no dia 1º de novembro é a festa de 'Todos os Santos'.
O Dia de Todos os Santos celebra todos os que morreram em
estado de graça e não foram canonizados.
O Dia de Todos os Mortos
celebra todos os que morreram e não são lembrados na oração.

Mons. ARNALDO BELTRAMI, vigário episcopal de comunicação http://www.arquidiocese-sp.org.br
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Aproxima-se o mais um feriadão. O algareio toma conta das crianças, floristas e dos dedicados aos serviços de turismo. Adolescentes programam suas fugas, trabalhadores se espreguiçam, anciãos peregrinam convictos que a data já lhes pertence. Se finados, o que mais se pode fazer por aqueles entes? E se santos, por que devemos nos preocupar?
Alguns choram por lembranças, outros por pena, e não raros lamentam a solidão que restou. Neste caso o dia é fardo. A lacuna causada pela ausência do ente querido pode nos causar até o desatino de querermos partir imediatamente ao mesmo reduto.
Talvez não precisemos assim, percorrer o burro liame bipolar, onde numa ponta corre o êxtase, e na outra a mais profunda tristeza, onde os santos reconhecidos pela Igreja são imortais, enquanto os nossos perecem.
Colho o ensejo para um day'scape siderall, uns tres dias terráqueos.
Ao longo dessas ensolaradas vésperas, irei tecendo e com isso demonstrando os fios que nos ligam a todas energias, em especial a dos entes queridos, essas existências independentes de qualquer vontade localizada, ou condição estipulada.
Nature and nature's laws lay hid in night;
God said 'Let Newton be' and all was light
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(A natureza e as leis da natureza estavam imersas em trevas;
Deus disse 'Haja Newton' e tudo se iluminou.)
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A Igreja é pródiga em alegorias, e coincidências. A realidade, por difícil compreensão, nem vem ao caso. Parábolas e figurativos são mais palatáveis, mormente se impressos em fundos contrastantes. Uma forte impressão vale mais do que a razão. O deleite da maçã motivou a expulsão. Pobre venenosa, acusada de aliciamento. Pois se ninguém colhesse, na maturidade o próprio fruto se precipitaria na cabeça de Adão. Foi este o fenômeno que incitou o reverendo NEWTON aos cálculos. Cogitar da existência do que não se vê, ou não se sente? Isso pertence a Deus. Portanto, já está assimilado; e por NEWTON bem justificado. A carga genética, todavia, era comprometedora.
“Não tenho dificuldades para admitir, identificando o platonismo com matematicismo, o caráter platônico da ciência galileana”. (GEYMONET, L. : 42)
ALEXANDRE KOYRÉ (cit. idem, ibidem) confirma:
“A grande idéia de Koyré, justamente, é que Galileu encarnava a herança do platonismo. Em outras palavras: Galileu acreditava que, graças à matemática, os físicos conseguiriam apreender a estrutura íntima da realidade”.
O Maior dos Relojoeiros montara tudo em sete dias; depois, a humanidade se foi de roldão.
"A confecção de relógios, por exemplo, é certamente delicado e trabalhoso, de tal modo que as suas rodas parecem imitar as órbitas celestes ou o movimento contínuo e ordenado do pulso dos animais." (BACON, F.: 67 )
A tarefa dos astrônomos a partir de então foi construir um modelo matemático que explicasse os dados observacionais da astronomia, e no qual os planetas seriam dotados de movimentos circulares uniformes.
BEN-DOV: 19
Como nada disso correspondia a realidade, mister alguns pequenos arranjos:
"Newton vai mudando os dados, em suas várias edições sob sua supervisão, de modo a encaixar cada vez melhor a teoria. Físicos contemporâneos demonstraram a manipulação no limite da desonestidade." (LENTIN, J.P., Penso, logo me engano : grandes gênios, pequenas trapaças; Veja: 20/3/1996)
SHAFTESBURY, mentor de JOHN LOCKE, (carta a THOMAS POOLE. - Cit. BRETT, R. L.: 109) discordava frontalmente do incomparável NEWTON, algo que nem o famoso afilhado ousou. Sua intuição, porém, era forte:
Newton é um mero materialista. Em seu sistema o espírito é sempre passivo, espectador ocioso de um mundo externo... há motivos para suspeitar que qualquer sistema que se baseie na passividade de espírito deve ser falso como sistema.
O sistema newtoniano, todavia, encaixava de acordo com sua base.
Os físicos construíram modelos, isto é, representações esquemáticas do mecanismo dos fenômenos. O físico isola as variáveis (diria princípios) que considera essenciais, e a evolução do sistema previsível pelo cálculo tem de produzir, com uma aproximação razoável, os efeitos que se manifestam na observação do mundo real.
GRANGER, G.-G.: 90
Foi a tradição judaico-cristã que estabeleceu o tempo linear (irreversível) de uma vez por todas na cultura ocidental... O tempo irreversível influenciou profundamente o pensamento ocidental. Preparou a mente humana para a idéia de progresso, para o conceito de tempo profundo, para a surpreendente descoberta dos geólogos de que a evolução humana é apenas um episódio recente e curto na história da Terra. Preparou o caminho para a evolução de Darwin, que fala de nossa união com criaturas mais primitivas através dos tempos. Em resumo, o advento da idéia de tempo linear e da evolução intelectual desencadeada por essa idéia corroborou a ciência moderna e a promessa de melhoria da vida na Terra.
COVENEY, A Flecha do Tempo: 22
O homem ocidental civilizado vive num mundo que gira de acordo com os símbolos mecânicos e matemáticos das horas marcadas pelo relógio. É ele que vai determinar seus movimentos e dificultar suas ações. O O relógio transformou o tempo, transformando-o de um processo natural em uma mercadoria que pode ser comprada, vendida e medida como um sabonete ou um punhado de passas- de-uva. E pelo simples fato de que, se não hovesse um meio para marcar as horas com exatidão, o capitalismo industrial nunca poderia ter se desenvolvido, nem teria contnuado a explorar os trabalhadores, o relógio representa um elemento de ditadura mecânica na vida do homem moderno, mais poderoso do que qualquer outro explorador isolado ou do que qualquer outra máquina.
WOODCOCK, A ditadura do relógio, In A rejeição da política, 1972

É essa visão pueril e talvez louca do mundo que está prestes a desmoronar, mas ela ainda reina, e efetivamente excluiu todo o problema da reflexividade.
MORIN, Edgar 2000:32

Não existe a passagem do Tempo. Nós é que passamos por ele, tanto quanto a luz que cruza a atmosfera. E não há nenhuma força gravitacional que atraia os corpos à Terra. E o espaço é curvo. O que? O espaço é curvo nas vizinhanças da matéria. Quanto maior a massa, maior é a curvatura. É esta distorção, criada em volta da matéria, que forma o contínuo espaço-tempo; e por sua retração, indica à matéria para onde ela deve se deslocar. JOHN WHEELER (cit. ROHMANN, Chris: 345) bem sintetizou:
“A massa informa ao espaço como se curvar; o espaço informa à massa como se movimentar.”
Desde o advento da relatividade geral ficou claro, porém, que, por sua ação gravitacional, a matéria realmente determina 'em qual forma o espaço está', como o homem que pula na cama elástica. Longe da matéria o espaço continua plano e euclidiano, mas onde a matéria está presente o espaço obedece a uma geometria mais geral (riemanniana). A gravitação também não obedece mais às leis estabelecidas por Newton.
WILL, CLIFFORD, Einstein Tinha razão? Testando a teoria da relatividade geral : 18.
O que se vê, todavia, nem requer contornos, tampouco explicações matemáticas. A doença é assustadora, a velhice impressionante, e o cadáver, horripilante. Admiti-lo, e ainda venerá-lo, só mesmo com o amor mais perfeito, despreendido, incondicional. Ou então, talvez por esse elevado grau de conhecimento, competência para suplantar o materialismo primata, a falta de fé da própria Igreja na fatalidade irrestrita da Vida Eterna. Resta-nos a tênue esperança do medonho Juízo Final, o qual depende das provas arroladas à reabilitação. O douto foi claro:
Uma concepção particularmente típica do pensamento platônico é a sua doutrina da transmigração das almas. Depois de ter a alma saído das mãos do Demiurgo. é ela entregue ao 'instrumento do tempo'; vive a sua primeira encarnação sobre a nossa, terra. Este primeiro nascimento é igual para todos, para nenhuma alma ficar prejudicada. Ao cabo desta primeira vida, apresenta-se a alma, junto com o corpo, ao tribunal dos mortos, para dar contas da vida nesta terra Conforme o juízo, entrará ela no campo dos bem-aventurados ou será transladada para lugares de castigo no mundo subterrâneo. Mil anos durará esta sua peregrinação, seguindo-se-lhe então o seu segundo nascimento.
Haja técnica.
* * *
De antemão consagro meu pensamento aos invocados, na certeza de suas vigências; portanto, capazes de influência, e de capacidade mutativa, diante da incidência interativa.
"Se uma onda pode agir como uma partícula, uma partícula também não deveria agir como uma onda?" (DE BROGLIE, L., cit. ISAACSON, W.: 338)
Todos sabem que a física newtoniana foi destronada no século XX pela mecânica quântica e pela relatividade. Mas os traços fundamentais da lei de Newton sobrevivem, seu determinismo e sua simetria temporal sobreviveram. A natureza não tem um nível simples. Quanto mais tentamos nos aprofundar, maior a complexidade com que nos defrontamos. Nesse universo rico e criativo, as supostas leis de estrita casualidade são quase caricaturas da verdadeira natureza da mudança. Há uma forma mais sutil de realidade, uma forma que envolve leis e jogos, tempo e eternidade. Em lugar da clássica descrição do mundo como um autômato, retornamos ao antigo paradigma grego do mundo como uma obra de arte.
PRIGOGINE, I.,: 19
Viva o Dia de Todos, santos e pecadores, cientistas e vigaristas, filósofos e impostores, ovelhas e pastores, porque nada dessas arbitrárias classificações importa, ninguém pode ser finado - apenas o sofrimento, por ser condensado nuclear, é que pode findar.

Finados e não-finados II

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Esparta & Berlim

A filosofia de Platão, que outrora reclamara ser senhora no Estado, torna-se com Hegel o seu mais servil lacaio.
POPPER, KARL,
1998, T. I: 269
Esparta (Σπάρτη, grego moderno Spárti, grego antigo, Spártē) notabilizou-se por realizar uma sociedade de guerreiros.
Originalmente sem unidade, o mundo grego se mostrava enfraquecido, primeiro à mercê do domínio macedônico, mas o crescente poderio e a riqueza inigualável de Atenas alarmava Esparta, como dizia Tucídides. Dessarte os toscos arrumaram um confronto direto. Tebas, aliada de Esparta, atacou Platéia, antiga aliada de Atenas. Após quase tres décadas de sangrentas batalhas, a Guerra do Peloponeso (V a.C.), deu-lhe o "direito" de desgovernar toda a Grécia, por fim lhe entregando ao Império Romano..
A sociedade grega e romana se fundou baseada no princípio da subordinação do indivíduo à comunidade, do cidadão ao Estado. Como objetivo supremo, ela colocou a segurança da comunidade acima da segurança do indivíduo. Educados, desde a infância, nesse ideal desinteressado, os cidadãos consagravam suas vidas ao serviço público e estavam dispostos a sacrificá-las pelo bem comum; ou, se recuavam ante o supremo sacrifício, sempre o faziam conscientes da baixeza de seu ato.
TOYNBEE, Arnold J.: 196.
Na escassez dos equipamentos bélicos, o treinamento físico se constituia na principal atribuição do Estado. Valorizava-se o salto, a corrida, a natação, e lançamentos de discos e dardos. O cidadão nascia para ser mero objeto, peão do jogo dinástico.
É essa configuração de coletivismo extremado que, desde o século V, é vista na Grécia como um modelo perfeito de Estado, com a coletividade assim rigidamente aparelhada e destinada à defesa do Estado. CASTRO, P.P. //www.fflch.usp.br/dh/heros/pcastro/grecia/1975/04.htm
Casualmente, PLATÂO nascera a tempo para testemunhar a vitória de seus gloriosos amantes, e desse modo referendou o acerto da ignorância.
Por sua doutrina da similaridade entre Esparta e o estado perfeito, tornou-se Platão um dos propagandistas de maior sucesso do que eu gostaria de chamar ‘o Grande Mito de Esparta’, o perene e influente mito da supremacia da constituição e do modo de vida espartanos.
POPPER, KARL, 1998, T. I: 54
Esparta, pobre em cultura e produção, avessa ao comércio, nem era assim tão cobiçada, exceto pelo próprio discípulo do suicida SÓCRATES. A destreza exigida visava apenas o ataque, o domínio de tanto quanto pudesse sua força alcançar. Tal ímpeto se estendeu à ponta da bota. O próprio ARISTOCLES, logo alcunhado PLATÃO, por lá sentou praça na corte de DIONISO, o Tirano de Siracusa, apenas por ser parceiro sexual do dileto filho DION*.
Em Esparta quarenta e três templos dedicados a divindades, vinte e dois templos de heróis, uma quinzena de estátuas de deuses e quatro altares asseveravam a importância sacerdotal. Os reis lhes dedicavam estatutos. Deviam pronunciar os mais sábios conselhos. Os recém-nascidos espartanos eram examinados pelos anciãos, aos quais cabia decidir pela eliminação dos portadores de deficiência física, mental, e até mesmo de hígidos, porém esquálidos. O resultado de tão sapiente cultura logo se viu:
A evolução do sistema, entretanto, revela uma rápida redução numérica da coletividade espartíata que se transforma em simples oligarquia: estima-se que no século III não haviam mais do que por volta de 900 cidadãos espartanos.

O tema de guerra inspirou a Hegel algumas de suas páginas mais famosas:
desde as primeiras obras tinha proclamado que a guerra é necessária
e mantém a saúde dos povos: como o vento sobre o pântano,
a guerra é o momento de igualdade absoluta.
BOBBIO, N., 1997: 24
Quem ler a admirável obra de Tácito sobre os costumes dos Germanos verá que é deles que os ingleses extraíram a idéia do governo político. Este belo sistema foi encontrado na floresta.
MONTESQUIEU, Esprit des Lois, Livro XI, cap. 5.
As cidades da Alemanha são absolutamente livres: cercadas por pequenas campanhas, elas obedecem ao Imperador quando bom lhes parece, não o temem, como não temem nenhum de seus poderosos vizinhos.
MACHIAVELLI, Nicoló, O Príncipe, Quomodo omniun principatuum vires perpendi debeant, De que modo devemos medir as forças de todos os principados: 61
Os religiosos lograram o que os imperadores foram incapazes.
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A Guerra dos Trinta Anos, (1618-1648) devastou o território e reduziu a população em cerca de 30%. No raiar do XVIII coube a NAPOLEÃO turvar os descendentes dos sobreviventes. HEGEL então propugnou pela concentração de forças. Tal esforço demandou duas gerações, mas os alemães lograram contentá-lo, ao infortúnio da Europa, especialmente, mas de resto de incontáveis macacos amestrados pelo globo afora.
Antes da centralização, a Alemanha espraiava-se por 18 estados. Embora as emergentes estrelas políticas propugnassem pela imediata reunião estratégica, em 1820 o liberalismo e a descentralização ainda se mantinham no Parlamento de Frankfurt. No fatídico 1848, todavia, alguns parlamentares tomavam a seu cargo a articulação dos interesses das classes trabalhadoras. ALMOND & POWELL (p. 60), da Universidade Stanford, comentam o pitoresco:
“Eles não estavam respondendo a pressões e demandas encaminhadas de baixo, e sim agindo como guardiões independentes e voluntários desses interesses.”
O proselitismo serviria para aliciar muita carne à bucha de canhão:
“A guerra é uma necessidade biológica de suma importância, o elemento regulador da vida da humanidade, a qual não a pode dispensar. Não é, contudo, apenas uma obrigação moral; e é, como tal, um fator indispensável da civilização”. (Gen. VON BERNHARDI, cit. CHALLITA, Mansour, Os Mais Belos Pensamentos de Todos os Tempos, 3. Vol.: 94)
A imagem dos esportistas alemães da década de 30 serviu para promover o mito da superioridade racial e do valor físico dos "arianos". Nas esculturas e em outras formas de arte, os artistas alemães idealizavam figuras atléticas, com o tônus muscular bem desenvolvido, enfatizando uma força sobre-humana, além de acentuar ostensivamente as características faciais ditas arianas (os arianos eram um povo da Ásia Central na pré-história). Tais imagens também refletiam a importância que o regime nazista dava à boa forma física, um pré-requisito para se alistar no serviço militar.
HITLER buscou estabelecer um elo entre a Alemanha nazista e a Grécia antiga, simbolizando o mito racial nazista de que a superioridade da civilização alemã era a herdeira real da cultura "ariana" de antiguidade clássica.
A Alemanha foi a grande campeã da 11ª Olimpíada. Os atletas alemães ganharam o maior número de medalhas, e a hospitalidade e a organização alemãs receberam elogios dos visitantes. Somente alguns repórteres, como WILLIAM SHIRER, compreenderam que o brilho de Berlim era meramente uma fachada para esconder o opressivo, racista e violento regime nazista.
A ética dominante na História da Humanidade foi uma variante da doutrina altruista-coletivista, que subordinava o indivíduo a alguma autoridade superior, mística ou social. Conseqüentemente, a maioria dos sistemas políticos era uma variante da mesma tirania estatista, diferindo apenas em grau, não em princípio básico, limitada apenas pelos acidentes da tradição, do caos, da disputa sangrenta e colapso periódico.
RAND, Ayn,
A Virtude do Egoísmo: 118
O retransmissor de PLATÃO não pode testemunhar o trágico desdobramento de sua sapiência, nem na amada Alemanha, tampouco na U.R.S.S. As tragédias passaram, mas a "cultura" espartana parece ter ficado impregnada:
"Depois de constatar que os berlinenses não são, em média, muito inteligentes, o ex-secretário da fazenda de Berlim, Thilo Sarrazin, apelou para a "importação" de "cérebros" para a capital alemã." (Politico exige importação de gênios para Berlim)
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PLATÃO via o espírito humano como peregrino neste mundo, e prisioneiro na caverna do corpo. Deveria, pois, exceder às parcas condições para lograr o amor-perfeito, per se impossível, mas exigência do eros platônico.